Moyana apoia proposta da Bolsa de Valores
O comentador político Salomão Moyana defendeu a criação de uma lei que obrigue grandes empresas, como bancos e multinacionais, a listar parte das suas ações na Bolsa de Valores de Moçambique (BVM).
A ideia acompanha a bandeira da “independência económica” lançada pelo Presidente Daniel Chapo e busca abrir espaço para que cidadãos comuns participem das oportunidades financeiras.
“Classe média sem corrupção”
Segundo Moyana, a medida pode redireccionar parte dos lucros anuais do sector bancário, avaliados em 9 mil milhões de dólares nos últimos três anos, para o empoderamento económico da população.
“Com isso, seríamos capazes de construir uma classe média sem corrupção”, afirmou.
Ele criticou a mentalidade actual que associa riqueza ao crime.
“Em Moçambique, para ganhar dinheiro, dizem que é preciso roubar. Se não roubares, serás sempre pobre”, denunciou.
HCB como exemplo de inclusão
Moyana lembrou a experiência da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). A empresa dispersou ações para mais de sete mil cidadãos, fortalecendo-se no mercado e aproximando-se da sociedade.
Para ele, a bolsa é o único caminho para muitos alcançarem solidez financeira sem esquemas ilícitos.
Comunidades como accionistas
Além da listagem de empresas, Moyana defende outro passo. As comunidades que vivem nas zonas de exploração de ouro, petróleo ou rubis devem tornar-se accionistas dos projectos.
“O desenvolvimento tem de capacitar as pessoas locais. Assim, elas terão interesse em proteger os investimentos e em garantir a sua viabilidade social.”
Como exemplo negativo, citou a Vale, que retirou populações das áreas mineiras sem deixar benefícios concretos.
Proposta legislativa ousada
Para o analista, a mudança precisa ganhar forma numa proposta legislativa corajosa. Essa lei deve forçar as grandes empresas a partilhar parte dos ganhos com os cidadãos e a deixar marcas positivas no país.
“Chegou a hora de mudar a filosofia de exploração e assegurar que as empresas contribuam para o desenvolvimento inclusivo de Moçambique”, concluiu.






