“O mar não alisa” é o título da exposição do artista plástico, Meneson Conceição, a ser inaugurada amanhã, no Instituto Guimarães Rosa (Centro Cultural Brasil-Moçambique), em Maputo.
A partir da afirmação “falar da água é falar de mim”, Meneson Conceição sugere uma travessia poética e política pelas águas que conectam territórios, memórias e corpos da diáspora africana. Em sua pesquisa, a água aparece como encantaria, tecnologia ancestral de comunicação e arquivo vivo, atravessando o quotidiano da Cidade Baixa, em Salvador (BA), território marcado por comunidades pesqueiras, ancestralidade e resistência.
A exposição reúne ensaios e séries fotográficas produzidas entre 2024 e 2025, como “Aura”, “Estuário” e “Por Onde a Beleza Pode Estar”, além de uma série em desenvolvimento.
As obras articulam fotografia analógica subaquática, cianotipia, fotoperformance e escultura em cerâmica, criando imagens oníricas que evocam sonhos, memórias ancestrais, o mergulho, o salto e a travessia.
“O salto surge como metáfora central: gesto de coragem, alegria e liberdade, especialmente presente na vivência da juventude da Cidade Baixa. A ponte — símbolo de encontro, caminho e sagrado — atravessa a obra como ausência e reinvenção. Nas fotoperformances, ela é reconstruída no orí, afirmando o corpo como território soberano e arquivo vivo”, lê-se na nota da curadoria.
O projecto conta com gestão da Flotar Plataforma e apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria de Cultura da Bahia.
Foto: Diogo Andrade

