Beira, Moçambique, 26 de Janeiro de 2026 – As autoridades moçambicanas estimam que serão necessários cerca de 2.000 milhões de meticais para garantir a assistência humanitária e a recuperação das populações afectadas pelas cheias na província de Sofala. A avaliação foi apresentada durante a reunião do Comité Operativo de Emergência, no âmbito do plano provincial de resposta aos impactos das enxurradas.
A quantificação surge numa fase em que as equipas de voluntários e de resgate continuam no terreno há cerca de duas semanas, concentradas na salvação de vidas, enquanto o Estado passa agora para a etapa de avaliação de danos e planeamento da recuperação, segundo informações avançadas pelas autoridades locais.
Cheias provocaram milhares de casas inundadas em Sofala
De acordo com o plano de assistência apresentado pelo delegado provincial, o levantamento preliminar indica que 9.905 casas foram inundadas em Sofala.
Deste universo:
- 285 habitações foram totalmente destruídas;
- 2.671 casas sofreram danos parciais, permanecendo inabitáveis ou com condições precárias.
O impacto estende-se também ao sector da educação, com 10 escolas afectadas, comprometendo o funcionamento de 68 salas de aula, situação que ameaça o calendário lectivo em várias comunidades.
57 mil pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar
No domínio da segurança alimentar, as autoridades estimam que 57.000 pessoas se encontram em situação de elevada vulnerabilidade e necessitam de assistência humanitária contínua nos próximos meses.
Para garantir a subsistência mínima da população afectada durante um período de três meses, Sofala precisa de:
- 964 toneladas de arroz;
- 964 toneladas de farinha de milho.
Os dados constam do plano de resposta apresentado ao Comité Operativo de Emergência, que alerta para o risco de agravamento da insegurança alimentar caso a assistência não seja mobilizada com urgência.
INGD mobiliza kits de abrigo para centros de reassentamento
O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) está a trabalhar com parceiros nacionais e internacionais para assegurar a disponibilização de kits de abrigo destinados aos centros de reassentamento de Guaraguara, Machanga, Chibabava e Nhamatanda.
Segundo explicações prestadas durante a apresentação do plano, a distribuição será feita com base no grau de impacto sofrido por cada agregado familiar.
“Para aquelas casas totalmente destruídas vamos atribuir tendas, e para as casas parcialmente danificadas ou apenas inundadas serão disponibilizadas lonas”, explicou a autoridade responsável.
Da fase de resgate à recuperação estruturada
Esta etapa marca a transição da resposta de emergência para uma fase de recuperação estruturada, centrada na estabilização das condições de vida das famílias que perderam habitações, bens e meios de subsistência devido às cheias em Sofala.
As autoridades sublinham que o sucesso do plano depende da mobilização urgente de recursos financeiros e logísticos, num contexto em que os eventos climáticos extremos continuam a pressionar a capacidade de resposta do Estado.





