Desde a queda de Bashar al-Assad, Israel alargou a sua ocupação do território sírio e realizou numerosos ataques e bombardeamentos.
Esta última incursão israelita na terça-feira, uma nova violação da soberania síria, ocorre num momento em que uma delegação síria realiza uma reunião nova rodada de negociações com homólogos israelenses na capital francesa, Paris, sob a coordenação e mediação dos Estados Unidos, segundo a agência de notícias estatal síria SANA.
Esperava-se que as negociações continuassem no segundo e último dia, terça-feira.
Uma fonte governamental disse à SANA na segunda-feira que a retomada destas negociações afirma o compromisso inabalável da Síria em restaurar os seus direitos nacionais não negociáveis.
Israel tem, desde a queda do antigo líder sírio Bashar al-Assad, alargado a sua ocupação do território sírio para além das Colinas de Golã e realizado numerosos ataques e bombardeamentos no sul da Síria.
Durante meses, as forças israelitas conduziramincursões quase diáriasno sul da Síria, particularmente noProvíncia de Quneitrarealizando prisões, erguendo postos de controle e demolindo terras, coisas que provocaram crescente raiva e agitação pública.
Apesar da redução das ameaças militares directas, o exército israelita continua a realizar ataques aéreos que causaram vítimas civis e destruíram locais e instalações do exército sírio.
Durante o ano passado, Israel lançou mais de 600 ataques aéreos, de drones e de artilharia em toda a Síria, com uma média de quase dois ataques por dia, de acordo com uma contagem do Armed Conflict Location and Event Data Project (ACLED).
Acordo de desligamento
Após a queda do Presidente al-Assad, Israel declarou nulo o Acordo de Desligamento de 1974 – negociado após a guerra de 1973, na qual a Síria não conseguiu recuperar os Montes Golã ocupados.
O acordo estabeleceu protocolos para uma zona tampão patrulhada pelas Nações Unidas, que Israel violou desde então, avançando mais profundamente no território sírio.
Citando a fuga de al-Assad, Israel diz que o acordo já não se aplica, enquanto realiza ataques aéreos, incursões terrestres e voos de reconhecimento; criação de postos de controle; e prender ou desaparecer sírios.
A Síria não respondeu com ataques.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse no final de dezembro que Israel estava interessado em garantir uma fronteira pacífica com a Síria, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ter certeza de que Israel se daria bem com o atual presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, que liderou uma ofensiva relâmpago para derrubar al-Assad no final de 2024.
Há meses que decorrem negociações intermitentes para chegar a um acordo de segurança entre Israel e a Síria, sem que um acordo ou progresso concreto tenha sido anunciado.
A Síria não reconhece formalmente Israel, nem tem qualquer interesse em aderir aos Acordos de Abraham de Trump, ao abrigo dos quais um punhado de nações árabes reconheceram Israel.
A anexação das Colinas de Golã por Israel é reconhecida por Washington, mas é rejeitada pela grande maioria da comunidade internacional.
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