A história da indústria global de tecnologia móvel tem um vencedor claro: a Nokia. Dados compilados a partir de relatórios oficiais revelam que a marca finlandesa domina o ranking dos telemóveis mais vendidos de todos os tempos, superando gigantes como Apple e Samsung, num mercado que movimenta centenas de milhares de milhões de dólares à escala mundial.
O levantamento, que reúne os modelos com maior volume de vendas desde o final da década de 1990, mostra que os aparelhos simples, robustos e acessíveis foram determinantes para o domínio da Nokia, sobretudo em mercados emergentes como África, Ásia e América Latina.
No topo da lista surge o Nokia 1100, lançado em 2003, com mais de 250 milhões de unidades vendidas, tornando-se o telemóvel mais vendido da história. O modelo destacou-se pela durabilidade, bateria de longa duração e preço acessível, características decisivas numa era em que o telemóvel era, acima de tudo, uma ferramenta essencial de comunicação.
Logo a seguir aparece o Nokia 1110, com cerca de 248 milhões de unidades, reforçando a supremacia da marca num período em que a penetração móvel crescia rapidamente nos países em desenvolvimento.
Apesar do forte impacto global dos smartphones, a Apple surge apenas a partir da terceira posição, com o iPhone 6 e 6 Plus, lançados em 2014, que juntos venderam cerca de 222 milhões de unidades.
Outros modelos da marca norte-americana, como o iPhone 6s/6s Plus, iPhone 5s, iPhone 7/7 Plus, iPhone 11 e iPhone XR, figuram no ranking, mas nenhum conseguiu ultrapassar os números históricos alcançados pela Nokia na era dos telemóveis convencionais.
Do ponto de vista económico, os iPhones compensam em valor unitário elevado e margens de lucro, enquanto a Nokia venceu em escala e volume, dois modelos de negócio radicalmente diferentes.
A Samsung, actualmente líder global em unidades vendidas por ano, surge apenas com um modelo clássico no ranking histórico: o Samsung E1100, lançado em 2009, com cerca de 147 milhões de unidades vendidas. Tal como os Nokia, tratava-se de um telefone simples, barato e direccionado para mercados massificados.
Analistas apontam que o domínio da Nokia neste ranking reflecte uma realidade económica clara: o crescimento da telefonia móvel foi impulsionado pelos países de baixo e médio rendimento, onde factores como custo, resistência e autonomia da bateria foram mais relevantes do que inovação tecnológica.
Em África, por exemplo, modelos como o Nokia 1100, 1200, 105 e 5230 tornaram-se praticamente universais, sustentando volumes de vendas que hoje parecem inalcançáveis para smartphones premium.
O ranking demonstra que nem sempre a tecnologia mais avançada é a mais rentável em termos de volume, e que estratégias baseadas em acessibilidade e massificação podem gerar impactos económicos duradouros.
Mesmo após perder a liderança no mercado de smartphones, a Nokia permanece como a marca mais bem-sucedida da história da telefonia móvel em termos de unidades vendidas, um feito que continua a moldar análises económicas e estratégicas no sector tecnológico global.
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