Cidadãos moçambicanos organizam-se para denunciar um esquema sofisticado de burla que actua sob designações como “Revolução Financeira”, recorrendo às redes sociais para aliciar vítimas com promessas falsas de lucros fáceis. O modus operandi assenta na criação de contas fictícias, manipulação de supostas provas de pagamento e termina, de forma sistemática, com o bloqueio das vítimas após a transferência de valores.
A engrenagem da burla inicia com a captação de potenciais vítimas em páginas que aparentam ser oficiais no Facebook. O elevado número de seguidores, aliado à presença de alegadas “testemunhas”, cria uma falsa sensação de credibilidade.
Uma das intervenientes, identificada apenas como “Dona Gracinha”, sustenta a legitimidade do grupo, afirmando que a adesão é voluntária:
“Aqui não é pela obrigação de ninguém investir. Tenho um grupo aberto onde posso te colocar, se quiseres, e há testemunhas que já investiram.”
Apesar do discurso convincente, surgem sinais claros de fraude. A recusa em fornecer provas reais de identidade levanta suspeitas imediatas. Questionada sobre a possibilidade de realizar uma videochamada para validação, a interlocutora rejeitou:
“Nesta empresa não aceitam fazer fotos nem vídeos.”
Para vários cidadãos, este foi o primeiro alerta. Um dos interlocutores relata:
“Comecei a suspeitar de algumas reacções do próprio administrador… não permitia nenhum debate.”
Nos grupos de WhatsApp, o controlo da informação é absoluto. Qualquer questionamento é eliminado e os autores são imediatamente expulsos.
“Apagavam as mensagens no grupo. Quem levantava dúvidas era bloqueado”, contou uma das vítimas.
Há ainda indícios de manipulação de conteúdos. Vídeos de supostos beneficiários são distribuídos pelos próprios administradores, o que levanta fortes suspeitas de serem fabricados.
O impacto financeiro já é visível, inclusive fora do país. Um cidadão residente na África do Sul relata ter perdido dinheiro após acreditar num retorno rápido:
“Enviei 140 rands… depois tentei contactar e fui logo bloqueado.”
O mesmo admite que ponderava investir 1500 rands, mas decidiu testar primeiro — decisão que evitou um prejuízo maior.
A persistência dos burladores é evidente. Mesmo após lesarem vítimas, continuam activos na tentativa de captar novos depósitos. Um dos lesados descreve como tentou expor o esquema utilizando o telefone de uma amiga:
“Fingi ser outra pessoa interessada em investir. Ficaram logo entusiasmados… quando perceberam que era eu, bloquearam.”
Outras vítimas confirmam o mesmo padrão: envio de dinheiro seguido de bloqueio imediato.
O sentimento dominante entre os lesados é de revolta e frustração. Cresce o apelo à intervenção urgente das autoridades para desmantelar esta rede criminosa que actua impunemente nas plataformas digitais.
“Espero que haja uma reacção jurídica contra estes burladores”, afirmou um cidadão que, por pouco, não perdeu 500 meticais após desconfiar do comportamento dos administradores.
Fica o alerta: promessas de “revolução financeira” rápida, sem transparência nem prova de legitimidade, continuam a ser uma armadilha perigosa que resulta, na maioria dos casos, em perdas financeiras para cidadãos inocentes.
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