Alfredo Magumisse classificou a chamada “reconciliação” protagonizada por Ossufo Momade durante a reunião em Nampula como um ato meramente teatral, afirmando que o gesto não teve qualquer seguimento após o evento, apesar da promessa pública de diálogo interno.
De acordo com Magumisse, o episódio ocorreu num ambiente marcado pela emoção e pressão interna. Momade, tomado pelo momento, chamou-o à frente para um gesto simbólico de união. Magumisse explica que aceitou o apelo por respeito hierárquico, pela idade de Momade e pela posição que este ocupa no partido, reforçando que nunca existiram conflitos pessoais entre ambos.
O dirigente sublinha que Momade prometeu que, após o regresso de Nampula, haveria tempo para conversar sobre as divergências relacionadas à gestão do partido. Contudo, desde então, Magumisse afirma não ter recebido qualquer contacto. Nenhum telefonema, mensagem ou tentativa de diálogo ocorreu, o que, segundo ele, expõe a natureza encenada do episódio.
Magumisse acredita que o ato foi condicionado por fortes pressões de diferentes alas internas e de parceiros que financiaram o evento, todos insistindo na necessidade de aparentar unidade. Porém, a falta de continuidade demonstra, na visão do dirigente, que não existe, de facto, um compromisso com a reforma do modo como a RENAMO é gerida.
Magumisse insiste que o verdadeiro desafio não se resume a reconciliações simbólicas. Para ele, a questão central é encontrar um modelo de gestão partidária que permita à RENAMO exercer uma oposição eficaz, recuperar espaço político e demonstrar capacidade para governar desde as autarquias até ao nível nacional.
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