Dondo, 13 de Novembro de 2025 — O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, inaugurou hoje, em Nhamayabuè, Distrito de Dondo, Província de Sofala, a nova Fábrica de Descasque e Processamento de Gergelim, um projecto que marca o início de uma “nova era para a agricultura e para a economia moçambicana”.
Em seu discurso, o Chefe de Estado destacou que a unidade permitirá a produção, transformação e exportação de produtos agrícolas com valor acrescentado, simbolizando a determinação do país em alcançar a independência económica através da industrialização inclusiva e sustentável.
O projecto representa um investimento aproximado de 35 milhões de dólares e visa transformar produtos como gergelim, castanha e feijão bóer, que actualmente saem do país em estado bruto. A fábrica criará 1.000 empregos directos e formais, oferecendo oportunidades especialmente para jovens e mulheres, além de estimular o comércio local, transporte e serviços na região de Dondo e em Sofala.
O Presidente Chapo sublinhou o impacto social do projecto:
“Neste momento estamos a falar de cerca de 1.000 moçambicanos empregues aqui. À volta das províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia, mais de 35 mil produtores fazem parte desta fábrica, produzem gergelim e já têm um mercado para vender”.
A unidade assegura mercados seguros e justos para os pequenos produtores, fortalecendo a integração entre agricultura familiar, sector privado e cooperativas.
O gergelim é considerado uma das culturas mais promissoras do país, colocando Moçambique entre os oito maiores produtores mundiais. O Presidente apelou aos moçambicanos para investir na produção agrícola, alertando que a fábrica ainda não possui matéria-prima suficiente para operar plenamente:
“A juventude precisa perceber que para alguém fazer dinheiro é preciso trabalhar a terra, e no campo; no campo porque é onde há dinheiro, na cidade é apenas para gastar”.
A iniciativa está alinhada com a Política e Estratégia Industrial (PEI 2016–2025) e o Programa Nacional de Industrialização (PRONAI), que destacam a transformação local como essencial para o desenvolvimento. O Governo incentivou ainda que a empresa Robust, gestora da fábrica, adira ao Selo ‘Made in Mozambique’.
A escolha de Dondo é estratégica e simbólica: estratégica pela vocação agrícola da região e proximidade ao Corredor e Porto da Beira, e simbólica por descentralizar o desenvolvimento e levar industrialização para além dos grandes centros urbanos.
Descrita como uma das mais modernas do género em África, a fábrica possui tecnologia avançada para descasque e processamento, laboratórios para controlo de qualidade e certificação internacional.
O projecto resulta de cooperação entre Governo, sector privado, investidores dos Países Baixos, autoridades locais e produtores. O Presidente saudou os agricultores, classificando-os como “verdadeiros heróis nacionais desta história”, e encorajou a banca moçambicana a apoiar mais iniciativas similares:
“É aqui — na fábrica e no campo — onde está o futuro económico e a prosperidade de Moçambique”.
O Chefe de Estado concluiu que a história de Moçambique está a mudar e que o futuro será construído pelos moçambicanos, com as nossas mãos, inteligência e trabalho.
A fábrica de gergelim é apontada como a primeira de muitas, com planos do Governo de convidar investidores para instalar uma unidade de processamento de castanha de caju, que promete gerar milhares de empregos, sobretudo para mulheres.
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