Há uma pergunta que incomoda, mas poucos têm coragem de fazer em voz alta: ainda é possível liderar uma geração que nasceu a deslizar o dedo no ecrã, mas tropeça quando tem de construir algo real?
Continue lendo A geração que tudo sabe e nada constrói: ainda há liderança possível na era do Wi-Fi?Rússia cresce ou mascara crise? O PIB de 2,66 trilhões esconde uma economia de guerra sob pressão
A economia russa voltou ao centro do debate global após atingir cerca de 2,66 trilhões de dólares em PIB nominal, mas os dados mais recentes mostram um cenário menos triunfalista: crescimento instável, forte dependência da guerra na Ucrânia e sinais claros de desgaste estrutural.
A questão central é direta: o crescimento do PIB russo é real — ou é sustentado artificialmente pela guerra?
PIB elevado, mas crescimento em desaceleração
A Rússia consolidou-se entre as maiores economias do mundo, com um PIB nominal próximo de 2,66 trilhões de dólares e posição entre as dez maiores economias globais. (Instagram)
No entanto, o ritmo de crescimento desacelerou de forma evidente:
- 2023: cerca de 4,1% de crescimento
- 2024: cerca de 4,9%
- 2025: queda para aproximadamente 1%
- 2026: projeções próximas de 1,1% (Reuters)
Ou seja, o tamanho da economia continua elevado, mas a velocidade está a cair rapidamente.
Guerra na Ucrânia: motor económico ou armadilha?
A invasão da Ucrânia, iniciada em 2022, transformou completamente a estrutura económica russa.
Hoje, há praticamente duas economias dentro da Rússia:
- Economia militar (em expansão)
- Economia civil (em contração)
Segundo análises económicas, o crescimento recente do PIB é impulsionado por:
- gastos militares massivos
- produção industrial ligada à defesa
- salários e benefícios pagos a militares
Este fenómeno é descrito como “economia de guerra”, onde o Estado injeta recursos para sustentar produção e emprego. (Wikipedia)
Gastos militares inflacionam o PIB
Os números são claros:
- Mais de 20% do PIB ligado direta ou indiretamente à guerra
- Cerca de 40% do orçamento estatal direcionado à defesa e segurança (Wikipedia)
Isso cria um efeito imediato:
- o PIB sobe (mais produção e gasto)
- mas a base económica fica desequilibrada
Na prática, o crescimento não vem de inovação ou investimento produtivo — vem da guerra.
Sanções, isolamento e perda de competitividade
Apesar da resiliência inicial, a economia russa enfrenta limitações reais:
- mais de 1.000 empresas estrangeiras saíram do país
- receitas energéticas sofreram quedas significativas
- acesso a tecnologia avançada foi restringido (Wikipedia)
Além disso:
- inflação elevada
- escassez de mão de obra
- queda da produção civil
Esses fatores estão a travar o crescimento de médio prazo.
O paradoxo: crescimento com sinais de recessão
Mesmo com um PIB elevado, a economia mostra sinais contraditórios:
- contração económica no início de 2026 (Reuters)
- défice orçamental crescente (Reuters)
- dependência crescente de receitas de petróleo
E há outro ponto crítico: ataques ucranianos à infraestrutura energética já afetaram a produção e receitas do setor petrolífero. (Wikipedia)
PIB alto não significa economia saudável
O número de 2,66 trilhões pode impressionar, mas precisa de contexto.
O crescimento atual é:
- sustentado por gastos do Estado
- dependente da guerra
- vulnerável a sanções e preços do petróleo
Economistas alertam que este modelo é insustentável a longo prazo, porque:
- não cria riqueza estrutural
- reduz investimento produtivo
- desgasta o orçamento público
Comparação implícita: Rússia vs Ucrânia
Enquanto a Rússia sustenta o crescimento com gasto militar, a Ucrânia enfrenta um cenário oposto:
- défice público próximo de 20% do PIB
- dívida em forte crescimento (OECD)
Ou seja:
- Rússia cresce com guerra
- Ucrânia sobrevive apesar da guerra
Conclusão: crescimento artificial com prazo de validade
O PIB russo de 2,66 trilhões não é mentira — mas também não conta a história completa.
A guerra na Ucrânia está diretamente ligada ao desempenho económico recente da Rússia. Ela:
- sustenta o crescimento no curto prazo
- mas corrói a economia no longo prazo
Sem o conflito, a economia russa provavelmente já estaria em estagnação mais profunda.
A realidade é simples e dura:
a Rússia cresce — mas cresce à custa da guerra.
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Maputo, 17 Abr (AIM) – O ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, alertou quarta-feira para a “tragédia silenciosa” representada pelo aumento de doenças crónicas, mas não infecciosas.
Falando no parlamento moçambicano, a Assembleia da República, Isse sublinhou que por trás do aumento das doenças crónicas estão factores de risco como a obesidade e a hipertensão. Disse que o número de moçambicanos com excesso de peso aumentou de 21,2 por cento da população adulta em 2005 para 35,5 por cento em 2024.
“O que estamos a assistir é um aumento dos factores de risco evitáveis, e sublinho os evitáveis”, disse. A falta de atividade física, hábitos alimentares inadequados e o consumo de tabaco e de álcool agravaram a situação.
Isse acrescentou que o público desconhece em grande parte “doenças silenciosas” como a diabetes e a hipertensão, o que faz com que muitas pessoas que sofrem de doenças crónicas nem sequer saibam que estão doentes, o que dificulta o diagnóstico precoce e aumenta o risco de complicações graves”.
Ele instou o público a se submeter a exames regulares para doenças crônicas.
O perfil epidemiológico do país está a mudar, afirmou o Ministro. A percentagem de pessoas que sofrem de doenças infecciosas está a diminuir, mas as que sofrem de traumas e doenças crónicas não infecciosas estão a aumentar, sendo agora responsáveis por cerca de 60 por cento da procura de serviços de saúde.
Salientou que a taxa de mortalidade por doenças crónicas aumentou de oito por cento em 2007 para 37 por cento em 2024.
Isse argumentou também que o tratamento da diabetes ou da hipertensão é significativamente mais caro do que o tratamento de doenças tão comuns como a malária “o que poderia aumentar a pressão sobre o orçamento do sector da saúde”.
Apelou a uma “mudança de paradigma”, em que mais recursos do Serviço Nacional de Saúde pudessem ser alocados à “prevenção, educação e adaptação para responder às doenças crónicas”.
(MIRAR)
Pf/ (321)
