“Na China tem uma frase muito importante — Não basta só ouvir, sentir, mas é preciso ver”, disse o presidente de Moçambique, Daniel Francisco Chapo. Ele realizou, acompanhado de sua esposa, uma visita à Província de Qinghai, no noroeste da China, durante uma visita de Estado ao país de 16 a 22 de abril. Trata-se da sua primeira visita à China desde que assumiu o cargo.
Continue lendo Presidente de Moçambique conhece experiência chinesa na redução da pobreza em QinghaiSalman Nasir: Um acadêmico paquistanês crescendo junto com a transformação verde da China
A REVOLUÇÃO VERDE NA CHINA ATRAVÉS DOS OLHOS DE UM CIENTISTA: O CAMINHO PARA A NEUTRALIDADE CARBÓNICA
No âmago da profunda transformação tecnológica e ambiental que a China atravessa, surge a figura do Dr. Muhammad Salman Nasir, um académico de origem paquistanesa que, ao longo da última década, se tornou testemunha e protagonista da ascensão das energias limpas no gigante asiático. Nasir, que iniciou o seu percurso na Universidade de Xi’an Jiaotong para estudos de doutoramento, reside actualmente com a sua família em Tianjin, onde desempenha funções de investigação no Laboratório Nacional Chave de Motores.
“Sou o Dr. Muhammad Salman Nasir. Na última década, a China tem sido mais do que um destino para o meu estudo e investigação; tornou-se o meu lar. Iniciei a minha carreira de investigação aqui e, em 2023, segui para a Universidade de Xangai Jiao Tong para estudos de pós-doutoramento. Tenho dois filhos, ambos nascidos na China, e o mais velho já frequenta a escola e fala chinês fluentemente.”
O cenário urbano e rural chinês sofreu mutações visíveis, marcadas pela crescente presença de veículos movidos a novas energias e por uma infra-estrutura de carregamento cada vez mais acessível. O Dr. Nasir destaca que a melhoria da qualidade do ar e a visão cada vez mais frequente de céus azuis em cidades como Pequim e Chongqing são resultados directos de um investimento massivo em parques solares e eólicos, que se estendem desde os desertos até às zonas costeiras.
“Comprei este carro de nova energia no ano passado. Vêem-se tantos veículos destes nas estradas porque é muito conveniente e, além de ser amigo do ambiente, é muito fácil de carregar. Nos últimos anos, viajei muito e vi enormes parques solares e moinhos de vento por todo o lado, mesmo em desertos ou montanhas. Acredito que a China está realmente a caminhar para a neutralidade carbónica, e é por isso que escolhi ficar aqui e continuar a minha investigação científica.”
Actualmente, o foco da investigação do Dr. Nasir na Universidade de Tianjin centra-se na produção de hidrogénio verde, na conversão de dióxido de carbono em combustíveis úteis e na reciclagem de resíduos plásticos para a criação de produtos químicos de valor acrescentado. Este trabalho está intrinsecamente ligado ao 15.º Plano Quinquenal da China, que prioriza a construção de um novo sistema energético e de uma economia circular.
“O que mais me impressiona no ambiente de investigação da China é a integração entre as estratégias estatais, a investigação académica e as inovações industriais. Quando as empresas líderes enfrentam um problema, comunicam-no aos investigadores das universidades, que procuram encontrar soluções para a indústria. A minha área de investigação está altamente alinhada com as metas de desenvolvimento do país.”
Com o olhar posto no futuro, o académico pretende aprofundar o desenvolvimento de tecnologias que permitam alcançar os objectivos de neutralidade carbónica, mantendo uma colaboração estreita com o sector industrial. A trajectória do Dr. Nasir exemplifica como a política de desenvolvimento verde da China está a atrair e a fixar talentos internacionais para enfrentar desafios ambientais globais.
“Pretendo continuar a desenvolver tecnologias para produzir hidrogénio verde, de modo a atingirmos as metas de neutralidade carbónica. Continuarei a trabalhar em estreita colaboração com a academia e a indústria para concretizar o desenvolvimento verde da China.”
Nikk Mitchell: Eu não assisto apenas à cultura chinesa — eu a experimento
Nascido no Quênia e criada no Canadá, Nikk Mitchell passou quase 20 anos na China. Agora, ele está usando VR e produção virtual para dar vida à cultura tradicional chinesa — transformando isso em uma experiência imersiva que você não apenas assiste, mas realmente entra em casa.
Continue lendo Nikk Mitchell: Eu não assisto apenas à cultura chinesa — eu a experimentoPor que o Canadá expande sua presença na exposição do consumidor da China | Holofote da Sunny
A CORRIDA AO ORIENTE: CANADÁ ASSALTA MERCADO CHINÊS COM DELEGAÇÃO RECORDE EM HAINAN
Enquanto Moçambique consolida a sua parceria estratégica com o gigante asiático, as potências ocidentais não ficam para trás na corrida pelo acesso ao novo consumidor chinês. Na sexta edição da Exposição Internacional de Produtos de Consumo da China, o Canadá, na qualidade de país convidado de honra, lançou uma ofensiva comercial sem precedentes, mobilizando a sua maior delegação de sempre, composta por cerca de quarenta empresas decididas a conquistar um lugar ao sol na segunda maior economia do mundo. Esta acção canadiana é vista por analistas como um sinal inequívoco de que o mercado chinês deixou de ser apenas uma questão de preço para se tornar o epicentro da qualidade global.
Continue lendo Por que o Canadá expande sua presença na exposição do consumidor da China | Holofote da SunnyMarcas globais veem a China como um mercado indispensável para expandir os negócios
O pavilhão de exposições número 4 da sexta Exposição Internacional de Produtos de Consumo da China (CICPE) se transformou em uma movimentada “vila global”, ilustrando vividamente o apelo duradouro do mercado chinês.
Continue lendo Marcas globais veem a China como um mercado indispensável para expandir os negóciosO setor manufatureiro chinês permanece resiliente em um mundo volátil
No final de março, a relativamente desconhecida fabricante chinesa de motocicletas ZXMOTO conquistou títulos consecutivos na categoria World Supersport na etapa portuguesa do Campeonato Mundial de Superbike, quebrando um monopólio de décadas detido por marcas globais consolidadas.
Continue lendo O setor manufatureiro chinês permanece resiliente em um mundo volátilProcurador-Geral não exige impunidade para a corrupção – aimnews.org
Maputo, 22 Abr (AIM) – O Procurador-Geral de Moçambique, Américo Letela, declarou quarta-feira em Maputo que “a corrupção nas suas muitas formas e expressões é hoje uma realidade amplamente reconhecida”
“Não é um fenómeno isolado ou residual, restrito apenas a determinados sectores”, afirmou, ao entregar o seu relatório anual sobre o estado da administração da justiça ao parlamento do país, a Assembleia da República.
Letela alertou que “a normalização da corrupção gera uma cultura de tolerância ao ilícito, em que a corrupção passa a ser vista como um meio legítimo para atingir objetivos individuais”.
Reconhecer a existência da corrupção, disse, “é o primeiro e indispensável passo para uma resposta séria, eficaz e duradoura, consciente de que nenhuma sociedade pode derrotar a corrupção enquanto a tratar como um problema distante e abstrato”.
“Todo ato corrupto, independentemente da sua escala, prejudica os interesses coletivos, desvia recursos públicos e enfraquece o Estado de direito”, acrescentou Letela.
Tolerar a corrupção “corrói valores essenciais como integridade, honestidade, responsabilidade, solidariedade e respeito pela lei, e compromete o futuro das próximas gerações”.
O combate à corrupção, sublinhou Letela, “não é apenas uma questão penal ou institucional. É, acima de tudo, uma questão de mentalidade colectiva, de ética pública e de escolha social.
O Estado, acrescentou Letela, “não pode derrotar a corrupção sem o envolvimento activo da sociedade, tal como a sociedade não pode exigir integridade sem assumir a responsabilidade de rejeitar as práticas corruptas na vida quotidiana”.
Isto significa que a luta contra a corrupção deve ser vista “como um imperativo nacional”, que requer “liderança política, instituições fortes, justiça independente, educação cívica e uma cultura que seja absolutamente intolerante face à impunidade”.
Dando exemplos de como a corrupção pode ser prejudicial para o Estado e a sociedade, Letela observou os enormes custos sociais, económicos e humanos da corrupção na polícia de trânsito. Os acidentes de trânsito, disse ele, não foram apenas o resultado de falhas técnicas ou humanas, mas “estão associados a um sistema de controle rodoviário enfraquecido por práticas corruptas”.
Foram estas práticas que permitiram que pessoas não qualificadas conduzissem veículos e que veículos não aptos a circular nas estradas moçambicanas.
A cultura da impunidade, acrescentou Letela, “encoraja comportamentos de risco e enfraquece o respeito pela lei”.
Letela atacou a corrupção dentro do sistema de justiça moçambicano, o que mina a credibilidade da justiça. Como exemplos de corrupção nos tribunais, Letela apontou a lentidão com que muitas vezes as decisões judiciais são tomadas, a manipulação das decisões judiciais e a concessão de favores ilícitos.
A falta de confiança no sistema de justiça “enfraquece a coesão social e mina o contrato social que sustenta o Estado”.
A corrupção nos tribunais transmitiu a mensagem de que “o acesso à justiça depende do dinheiro e não da lei”.
A justiça, acrescentou, “deixa assim de ser um instrumento de equidade e passa a ser um fator de exclusão”.
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Altos funcionários do INSS acusados de roubar mais de 433 milhões de meticais – aimnews.org
No passado mês de Abril, o Serviço de Investigação Criminal (Sernic) do país, em coordenação com o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), deteve o Director-Geral do INSS, Joaquim Siúta; o Diretor Financeiro, Jaime Nhavene; o chefe de compras do INSS, José Chidengo; e um empresário chamado Aboobacar Sumaila.
O caso envolve no total sete arguidos, “indiciados pelos crimes de peculato, má gestão, corrupção ativa e associação criminosa”.
Segundo o Relatório Anual da PGR, apresentado quarta-feira pelo procurador-geral da República, Américo Letela, ao parlamento do país, a Assembleia da República, o esquema de corrupção começou quando o INSS assinou dois contratos de prestação de serviços avaliados em 48,5 milhões de meticais com uma empresa detida por Aboobacar Sumaila.
No entanto, em vez de pagarem o valor acordado ao prestador de serviço, os gestores do INSS pagaram “um valor acima do contratado, causando um prejuízo de cerca de 433 milhões de meticais”.
“O valor foi creditado na conta da empresa contratada e, em seguida, transferido para as contas dos referidos gestores”, disse a PGR.
O relatório não revela os tipos de serviços contratados pelo INSS. No entanto, sabe-se que Aboobacar Sumaila atua no setor das artes gráficas e da comunicação social.
A PGR disse ainda que a detenção de funcionários do Tribunal Administrativo, órgão responsável pela verificação da legalidade da despesa pública moçambicana, esteve relacionada com subornos que estes exigiam para facilitar os procedimentos de registo ou de emissão de vistos.
O relatório afirma que o pessoal do Tribunal telefonaria ilegalmente aos utilizadores para exigir subornos equivalentes a 10 por cento das taxas que deveriam pagar como condição para entregar ficheiros que já tinham processado.
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A superlotação das prisões chega a 113 por cento – aimnews.org
Maputo, 22 Abr (AIM) – O procurador-geral de Moçambique, Américo Letela, revelou que as prisões do país albergam hoje mais do dobro do número de reclusos para as quais foram concebidas.
Dirigindo-se quarta-feira ao parlamento moçambicano, Assembleia da República, apresentando o seu relatório anual sobre o estado do sistema de justiça moçambicano, Letela disse aos deputados que o país, em Dezembro de 2025, “tinha 157 estabelecimentos penitenciários, com capacidade para 8.873 reclusos, mas albergava 18.957, o que representa uma taxa de sobrelotação de 113 por cento”.
Segundo Letela, o país enfrenta sérios problemas no que diz respeito à superlotação, atrasos processuais e condições inadequadas nas prisões do país. “Persistem falhas significativas no controlo da situação processual dos reclusos, incluindo a desorganização dos processos individuais e a ausência de documentos essenciais”, disse.
Letela explicou também que o sistema judicial do país enfrenta atrasos na concessão de liberdade condicional e no processamento de recursos judiciais.
“Este constitui um dos principais obstáculos ao eficaz funcionamento da justiça. Esta situação compromete as condições básicas de encarceramento, incluindo alimentação, cuidados médicos e acesso a atividades educativas, culturais e recreativas”, afirmou.
Letela também expressou preocupação com a violação dos direitos humanos em vários sectores da sociedade, especialmente nos sectores mineiro e de construção, onde os trabalhadores enfrentam condições precárias, horários de trabalho ilegais e falta de equipamentos de protecção.
“Também foram registrados casos de assédio, discriminação e violência”, acrescentou.
O Procurador-Geral explicou ainda que tem havido fraca utilização de penas alternativas à prisão e deficiências nos sistemas de segurança, agravadas pela falta de recursos técnicos adequados.
“Para resolver o assunto, as autoridades têm vindo a implementar algumas medidas como a aplicação de penas alternativas, como trabalho socialmente útil, e também o processamento de 1.700 pedidos de liberdade condicional”, disse.
“Sem investimentos estruturais e reformas profundas”, alertou Letela, “os problemas actuais poderão comprometer os objectivos de reabilitação e reinserção social dos reclusos”.
Letela revelou ainda que o governo pretende construir novas prisões como parte da solução, “com projectos já em curso na província de Inhambane, no sul, e na província de Sofala, no centro”.
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Governo lança inspeções – aimnews.org
Maputo, 22 Abr (AIM) – O governo moçambicano lançou duas inspecções que visam reforçar a transparência e garantir a segurança dos consumidores.
Os órgãos em questão são a Inspecção Geral do Estado (IGE) e a Inspecção Geral de Segurança Alimentar e Económica (IGSAE), ambas focadas na tecnologia e numa maior coordenação para reduzir irregularidades, reforçar a transparência e garantir a segurança dos consumidores.
Segundo Vicente Joaquim, Secretário de Estado na Cidade de Maputo, falando numa cerimónia destinada a divulgar o regulamento que cria estes órgãos, a medida é uma resposta às reformas decorrentes do compromisso assumido pelo Presidente moçambicano Daniel Chapo “de fortalecer o sistema nacional de supervisão e fiscalização do Estado”.
“As novas instituições resultam da aprovação de leis, que estabelecem uma nova arquitectura institucional de controlo e fiscalização do Estado e das actividades económicas”, disse.
Joaquim explicou que o IGE resulta da fusão das antigas Inspecções Gerais de Finanças e da Administração Pública, com o objectivo de unificar e modernizar o sistema nacional de auditoria, fiscalização e fiscalização administrativa e financeira.
“O objetivo é prevenir e detetar irregularidades e atos de corrupção, fortalecendo os mecanismos de controlo interno e de responsabilização, bem como promover uma cultura de responsabilização e de ética pública”, afirmou.
Acrescentou que o IGE será um órgão central e independente, com amplos poderes de auditoria, fiscalização e fiscalização, “garantindo o controlo da legalidade, eficiência, eficácia e transparência na gestão dos assuntos públicos”.
A instituição deverá também incorporar soluções tecnológicas inovadoras, incluindo sistemas integrados de informação, inteligência artificial e análise de dados, com vista à deteção preventiva de irregularidades e à mitigação de riscos de corrupção.
Quanto ao IGSAE, Joaquim explicou que o objectivo é reforçar a coordenação na fiscalização da actividade económica, proteger os consumidores e garantir a segurança alimentar.
“Destina-se a garantir a transparência, a legalidade e a eficiência na fiscalização da atividade económica, na defesa dos direitos dos consumidores, na melhoria do ambiente de negócios e na consequente atração de investimentos”, disse.
O modelo anterior, explicou, apresentava constrangimentos, nomeadamente a sobreposição de funções entre entidades, falta de coordenação e fiscalizações repetitivas e imprevisíveis que penalizavam os agentes económicos.
Entre outros desafios, apontou também as limitações de recursos, a fraca protecção do consumidor, o controlo insuficiente da segurança alimentar e a baixa responsabilização dos gestores públicos pelas irregularidades detectadas.
“A criação do IGE e do IGSAE levará a um Estado mais resiliente e confiável, a cidadãos mais protegidos e a empresas a operar com maior previsibilidade e custos mais baixos, constituindo um triplo ganho para o país: melhor governação, melhor economia e melhor qualidade de vida”, afirmou.
Joaquim explicou ainda que as necessidades orçamentais dos novos órgãos serão asseguradas pelos recursos anteriormente atribuídos à Inspecção-Geral das Finanças, à Inspecção-Geral da Administração Pública e à Inspecção Nacional das Actividades Económicas.
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