Crise de Combustíveis em Moçambique: Entre o sufoco dos transportadores e a escassez de divisas

A persistente escassez de combustíveis em Moçambique continua a agravar a pressão sobre a economia nacional, afectando particularmente o sector dos transportes, o custo de vida e a actividade produtiva. Apesar dos recentes reajustes nos preços dos combustíveis anunciados pelo Governo, automobilistas e transportadores relatam dificuldades contínuas para abastecer, numa crise que já ameaça o funcionamento regular de vários serviços essenciais.

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A industrialização é crucial para a economia…

Maputo, 17 Mai (AIM) – O Presidente da República moçambicano, Daniel Chapo, acredita que a industrialização da cadeia de valor do caju é uma condição crucial para alcançar a independência económica e fortalecer a capacidade produtiva nacional.

Segundo Chapo, falando na cerimónia de lançamento do livro intitulado “A Economia do Caju em Moçambique: O Contexto das Políticas de Bretton Woods e os Pressupostos da Engenharia de Reindustrialização”, da autoria do académico e membro sénior do partido no poder, a Frelimo, António Niquice.

“Não basta produzir, é preciso transformar. Não basta exportar recursos, é preciso acrescentar valor”, disse, lembrando que Moçambique já foi o maior produtor mundial de castanha de caju.

Atualmente, está entre os sete primeiros.

O presidente acredita que o verdadeiro desenvolvimento só acontece quando os recursos nacionais são convertidos em indústria, emprego, inovação e melhoria das condições de vida da população.

Explicou que a reindustrialização da castanha de caju também deveria representar uma oportunidade concreta para a inclusão económica e o empoderamento das mulheres.

“A obra de Niquice é um importante contributo científico e patriótico para o debate sobre a industrialização, a soberania económica e a transformação estrutural da economia nacional. O livro constitui uma profunda reflexão sobre os desafios históricos do país e os caminhos necessários para a construção de uma economia mais resiliente, moderna e produtiva”, afirmou.

Chapo apelou ainda às universidades, aos investigadores e aos jovens moçambicanos para que aprofundem o estudo da economia nacional, a fim de produzir conhecimento orientado para o desenvolvimento do país.

“A transformação estrutural da nossa economia também começa com a produção de ideias. A independência económica de Moçambique dependerá da capacidade nacional de transformar os recursos naturais em resultados concretos para o povo.

Segundo o Presidente, falando também no distrito de Ribáuè, província nortenha de Nampula, o país deve apostar numa comercialização agrícola mais eficiente, organizada e previsível como forma de reduzir a vulnerabilidade económica das famílias rurais.

O reforço dos mecanismos de comercialização, disse, constitui uma resposta estratégica aos desafios enfrentados pelos produtores nacionais, especialmente face aos impactos das alterações climáticas.

“Uma comercialização agrícola mais eficiente, organizada e previsível é uma componente essencial da resposta à vulnerabilidade económica das famílias rurais”, afirmou.

Apesar da resiliência demonstrada pelos agricultores moçambicanos, disse ele, o sector continua exposto aos efeitos de secas, cheias, ciclones e outros choques climáticos.

Segundo Chapo, cerca de 441 mil hectares foram afectados por fenómenos climáticos extremos durante a actual campanha agrícola, dos quais cerca de 54 mil hectares foram perdidos, afectando cerca de 300 mil produtores em todo o país.

“Por trás desses números estão famílias, sonhos e histórias de vida”, disse ele.

SNN/anúncio/

Recurso da Privinvest contra Moçambique…

Maputo, 17 Mai (AIM) – Os advogados de Moçambique, Peters & Peters, no caso das “dívidas ocultas”, revelaram que o recurso interposto pelo grupo Privinvest, sediado em Abu Dhabi, no sistema de justiça britânico foi rejeitado por incumprimento das condições impostas.

O caso diz respeito a empréstimos de mais de dois mil milhões de dólares americanos concedidos pelos bancos Credit Suisse e VTB da Rússia em 2013 e 2014 a três empresas moçambicanas fraudulentas (Proindicus, Ematum e MAM), todas efectivamente geridas pelo serviço de segurança SISE.

Em teoria, os empréstimos destinavam-se, entre outras coisas, a uma frota de pesca de atum, a estaleiros navais e à segurança marítima. Mas nenhum desses empreendimentos decolou e logo faliu.

Os empréstimos só foram possíveis porque o Estado moçambicano forneceu garantias soberanas de que, se as empresas falissem, o Estado reembolsaria o dinheiro. Quem assinou as garantias foi o ex-ministro das Finanças Manuel Chang.

O dinheiro foi, não para Moçambique, mas directamente para a Privinvest como único contratante das três empresas. A Privinvest vendeu então às empresas barcos de pesca, navios de patrulha, estações de radar e outros activos a preços muito inflacionados. Uma auditoria independente às três empresas estimou a sobrefacturação em cerca de 700 milhões de dólares.

Segundo o escritório de advogados Peters & Peters, que representa Moçambique, o recurso interposto pela Privinvest contra o acórdão do processo “dívidas ocultas” não cumpriu as condições de segurança impostas pelo Tribunal de Recurso.

“Consequentemente, a sentença proferida pelo juiz Robin Knowles em julho de 2024 é definitiva contra as entidades empresariais do grupo Privinvest, que também são responsáveis ​​perante a República pelos custos do recurso”, lê-se no comunicado da empresa.

Os advogados explicaram ainda que continuam em curso ações judiciais para obter compensações financeiras dos herdeiros do falecido fundador da Privinvest, Iskandar Safa, falecido em 2024.

Na sentença proferida em julho de 2024 pelo Tribunal Comercial de Londres, o juiz Knowles ordenou que o grupo naval pagasse aproximadamente 1,9 mil milhões de dólares em danos.

A Safa e a Privinvest foram consideradas culpadas no ano passado por subornar o então Ministro das Finanças de Moçambique, Manuel Chang.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique solicitou autorização para incluir a viúva, Clara Martinez Thedy de Safa, e os filhos, Akram Safa e Alejandro Safa, como arguidos para dar continuidade ao processo.

O mesmo juiz autorizou a Privinvest a avançar com um recurso, cujo julgamento estava previsto para junho.

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A dívida pública atingiu mais de 17 mil milhões de dólares…

Maputo, 17 Mai (AIM) – A dívida pública de Moçambique atingiu, nos últimos cinco anos, 1.090 biliões de meticais (cerca de 17,1 mil milhões de dólares ao câmbio actual), o que corresponde a 72,23 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

De acordo com a Conta Geral do Estado (CGE) de 2025, a dívida pública do país cresceu 20 por cento nos últimos cinco anos.

“A dívida pública cresceu de 909,1 mil milhões em 2021 para 1,090 biliões de meticais. Este aumento foi em grande parte impulsionado pelo crescimento acelerado da dívida interna, com maior ênfase na dívida de curto prazo justificada pela fraca procura de instrumentos de médio prazo”, lê-se no documento.

Significa que o stock da dívida pública continua predominantemente composto por dívida externa, que representa 56 por cento do total, enquanto os restantes 44 por cento correspondem à dívida interna.

“O saldo acumulado da dívida pública no final do exercício económico de 2025, excluindo garantias do Estado, ascendeu ao equivalente a 72,23 por cento do PIB, com um aumento nominal de 4,5 por cento face a 2024”, lê-se no relatório.

Nos últimos cinco anos, o stock de Obrigações do Tesouro aumentou 6 por cento, para 193,3 mil milhões de meticais, o equivalente a 12,8 por cento do PIB.

De acordo com o último relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), Moçambique enfrenta condições de financiamento cada vez mais difíceis, influenciadas por atrasos no serviço da dívida. Isto levou a cortes na aquisição de bens e serviços em 2025.

No final de Março, o país pagou integralmente a sua dívida pendente de 515,04 milhões de Direitos de Saque Especiais (equivalente a 630,1 milhões de dólares americanos) ao FMI.

A ministra da Fazenda, Carla Louveira, afirmou que o pagamento integral da dívida visa restaurar a credibilidade do país no mercado internacional.

Segundo Louveira, o reembolso da dívida do país ao FMI deve ser encarado como um sinal de reforço da posição externa e de maior autonomia na condução da política económica, “o que tende a melhorar o perfil de risco soberano”.

A dívida pendente do país caiu para zero no final de Março. Moçambique é o único país nesta situação entre 85 países listados.

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Cahora Bassa adquire 25,2 por cento da LAM…

Maputo, 17 de Maio (AIM) – A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), empresa que explora a barragem de Cahora Bassa, no rio Zambeze, na província central de Tete, aprovou a aquisição de 25,2 por cento do capital social da empresa estatal Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).

A aquisição faz parte do plano do governo para reestruturar a LAM. No âmbito do mesmo plano, duas outras empresas públicas, a empresa ferroviária e portuária, CFM, e a companhia de seguros EMOSE também adquiriram 15,4 por cento da participação da LAM, investindo
22 milhões de dólares cada.

Estas empresas são responsáveis ​​pelo comité de reestruturação da LAM, que tem como missão resolver a actual crise financeira da LAM e normalizar as operações da empresa.

De acordo com a Conta Geral do Estado do HCB 2025, foi aprovado um investimento de 36 milhões de dólares para permitir a criação da Fly Moz, entidade que visa garantir o financiamento da LAM.

O documento aponta ainda que o Estado subsidiou directamente a LAM com 255,4 milhões de meticais em 2025.

Há um ano foi anunciada a intenção de alienar 91 por cento do capital social da LAM, mas estas três operações ainda totalizam apenas 56 por cento.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que uma estratégia transparente é crucial para melhorar a eficiência do LAM e garantir que os investimentos se baseiam em análises rigorosas de custo-benefício.

Nos últimos 10 anos, a LAM, que operava com apenas dois aviões, foi abalada por uma crise financeira envolvendo corrupção praticada pelos trabalhadores da empresa durante a aquisição de serviços. A empresa registou dívidas com fornecedores, avaliadas em mais de 230 milhões de dólares, em consequência de peculato.

Em 2024, a LAM estava sob a gestão da empresa sul-africana Fly Modern Ark (FMA), que foi contratada pelo governo para trazer rentabilidade à empresa e resgatá-la da falência. Porém, o esforço não resolveu nada.

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