Daniel Chapo quer novos militares a influenciar combate ao terrorismo

“Moçambique espera que este grupo de graduados influenciem positivamente a balança do combate contra o terrorismo em Cabo Delgado, nesta nossa província de Nampula, principalmente em Eráti e Memba, e na província de Niassa, na zona de Mecula, em defesa dos moçambicanos, do Rovuma ao Maputo”, disse Daniel Chapo, durante cerimónia de graduação de oficiais militares em Nampula, no norte de Moçambique.

O chefe de Estado pediu que os novos formados se inspirem “nos mais valorosos militares” da pátria e história de Moçambique, respeitando “rigorosamente” as convenções internacionais sobre direitos humanos, para reforçar a confiança e legitimidade das forças armadas junto da sociedade.

Para Chapo, a graduação “é festa para toda classe militar” que “passa a contar com mais quadros com potencial para elevar a qualidade das suas intervenções no “combate contra o terrorismo a favor dos moçambicanos”.

Na ocasião, o Presidente agradeceu aos militares moçambicanos, do Ruanda e aos paramilitares da força local por combaterem de forma “destemida e sem tréguas” os rebeldes que protagonizam ataques armados nas três províncias do norte de Moçambique.

“Não nos esquecemos dos membros das Forças de Defesa e Segurança, aos integrantes da força local, assim como os nossos aliados do Ruanda, a quem enaltecemos e agradecemos, por combaterem o terrorismo de forma destemida e sem tréguas, quer faça sol, faça frio, faça chuva ou faça vento, (…) de segunda a segunda nas matas”, disse Chapo.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

De acordo com o mais recente relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos, dos 2.270 eventos violentos registados desde outubro de 2017, um total de 2.107 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

Estes ataques provocaram em pouco mais de oito anos 6.341 mortos, refere-se no novo balanço, noticiado pela Lusa em 28 de novembro.

No relatório aborda-se igualmente a movimentação de elementos do EIM pelos distritos de Eráti e Memba, na província vizinha de Nampula, relatando que “até 21 de novembro, já haviam realizado 13 ataques contra comunidades civis nos dois distritos e matado pelo menos 21 civis”, movendo-se em “pelo menos três grupos”.

A atividade do EIM na província de Nampula atingiu o seu ponto mais alto em novembro, com 16 eventos nas primeiras três semanas do mês e a maior taxa mensal de mortalidade desde o início da insurgência.

Novembro é o terceiro mês consecutivo em que o EIM tem estado ativo no norte de Nampula, marcando a atividade mais sustentada na província desde o início da insurgência”, acrescenta a ACLED.

A organização admite que estas “repetidas incursões” sugerem que o grupo pode estar a procurar fortalecer as ligações existentes na área, “possivelmente com vista a reforçar as rotas de abastecimento para recrutas e mercadorias”.

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Mulher de 39 anos encontrada morta com sinais de violência após crise conjugal

A madrugada deste Domingo ficou marcada por um crime de sangue na zona de Inhanchequene, no posto administrativo de Patrice Lumumba, município de Xai-Xai. Uma mulher de 39 anos foi alegadamente assassinada pelo próprio marido, que, segundo testemunhos e informações das autoridades, não aceitava o fim da relação conjugal.

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2026 entre salários e fatores extrassalariais

“Em 2026 o mercado de trabalho português será palco de uma combinação de aceleração tecnológica e uma crescente valorização das pessoas, com ênfase na flexibilidade, no bem-estar e no desenvolvimento contínuo. Paralelamente, a escassez de talento, nomeadamente qualificado, continuará a ser um desafio central, mantendo-se crucial a necessidade de constante aprimoramento das competências de quem se recruta.

Num mercado em que a procura por talento qualificado supera a oferta, a produtividade e a estratégia de Recursos Humanos (RH) encaminhar-se-á cada vez mais para a experiência do colaborador.

Neste sentido, importa abordar, desde logo, a questão da flexibilidade. Os horários ajustáveis e o trabalho híbrido (quando possível face à natureza da função) consolidar-se-ão como a norma, deixando de ser um mero benefício, ainda que algumas empresas tenham caminhado no sentido de regressar a modelos totalmente presenciais. A verdade é que os modelos híbridos são, efetivamente, um fator decisivo na atração e retenção de talento. Assim, não será inesperado verificar que a flexibilidade terá a tendência para se equiparar ao pacote salarial enquanto variável determinante.

A saúde mental e o bem-estar ganharão cada vez mais peso, tornando-se num ponto estratégico, se não mesmo uma obrigação legal para fazer face a riscos psicossociais. É de esperar que em várias empresas com capacidade para isso, haja uma revisão dos pacotes de benefícios neste âmbito, por forma a incluir, por exemplo, apoio financeiro e programas de bem-estar holísticos.

Na senda das mais-valias não salariais, a cultura e o propósito, sobretudo entre as gerações mais novas, continuarão a ser amplamente valorizados através de ambientes inclusivos e um propósito claro e forte. Neste sentido, o alinhamento estratégico das empresas a nível de comunicação, de ações concretas de employer branding e da aposta em lideranças mais humanizadas e colaborativas será igualmente uma tendência a manter-se em 2026.

Noutro sentido, a transparência salarial será também uma questão central no próximo ano. A evolução regulatória e o foco na equidade irão impulsionar esta diretiva corporativa em Portugal. A divulgação da faixa salarial nos anúncios de emprego no nosso país e na União Europeia será a norma, muito provavelmente, no contexto de uma obrigação legal. A Diretiva (UE) 2023/970, impõe aos Estados-Membros, até junho de 2026, a implementação de um conjunto de procedimentos que poderão impactar as empresas, que serão forçadas a estruturar e a justificar internamente a sua amplitude salarial, antes de as divulgar. Estas normas exigirão que a organização tenha critérios claros para a progressão e para a diferença de salários entre funções. Por outro lado, o risco de insatisfação interna poderá surgir quando a faixa salarial anunciada for superior ao que os colaboradores atuais, na mesma função, recebem.

As normas poderão ter um impacto profundo na capacidade para corrigir disparidades salariais internas e na transformação de processos de recrutamento que poderão ser mais transparentes e alinhados em termos de vencimento. Por um lado, reduzirá o tempo gasto em triagem de currículos que nunca seriam contratados por motivos salariais e, por outro, permite aos candidatos a tomada de decisões mais informadas e alinhadas com as suas expetativas. Em última análise, poderá prever-se que a partir de meados de 2026, a divulgação da faixa salarial seja, também, um fator de competitividade no mercado de trabalho português.

No que concerne a aceleração tecnológica, a Inteligência Artificial (IA) deixará de ser uma tendência para se tornar uma prioridade operacional nos RH. A automação de processos, em que a IA garante a execução de tarefas repetitivas no recrutamento, como a triagem inicial de currículos e o agendamento de entrevistas será, cada vez mais, a norma. Liberta-se, assim, os profissionais de RH para maior concentração na estratégia e na experiência do candidato.

Por outro lado, os processos de recrutamento e seleção serão desenhados, desde o início, para integrar algoritmos preditivos e análise de dados que visam a eficiência e a redução (possível) de vieses. De referir também que a tendência do uso estratégico de big data permitirá, por exemplo, antecipar as necessidades de talento e identificar padrões de turnover.

O próprio recrutador, seja ele interno ou externo à organização, tenderá a ser mais estratégico, digital e humanizado.

Para um recrutador profissional em 2026, conhecer a IA e as novas tecnologias não é apenas uma vantagem, mas uma necessidade operacional para otimizar a identificação de candidatos. O foco passa a ser a utilização estratégica destas ferramentas para aumentar a rapidez, a eficiência, a qualidade e a imparcialidade do processo. A automação em tarefas administrativas deverá permitir maior foco na experiência e na análise das hard skills necessárias para a função e nas soft skills comportamentais. Os recrutadores terão de se tornar mais analíticos, utilizando data seja para prever um turnover, uma avaliação de desempenho ou otimizar as fontes de identificação de candidatos.”

E se pudesse reparar o carro em casa? Eis o que propõe o projeto Aria

E se não precisasse de levar o seu carro à oficina para o reparar? É isso que propõe o Aria, um conceito elétrico desenvolvido por alunos da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, nos Países Baixos.

A apresentação deste automóvel elétrico modular aconteceu em meados de novembro no Museu Natural Next em Eindhoven, sendo o décimo desenvolvido pela equipa de estudantes. Também estiveram envolvidos membros da Fontys e da Summa, numa equipa sob gestão de Taco Olmer.

Danos ou avarias menores podem ser corrigidos pelo próprio utilizador. A carroçaria está concebida para que seja necessário apenas desanexar um painel e substituí-lo em caso de riscos ou danos – sendo que a remoção de um painel dá acesso aos componentes por baixo do mesmo. São seis os módulos de bateria que, juntos, têm 12,96 kWh de capacidade. A autonomia ronda os 220 km. A sua remoção é fácil, com os conjuntos de baterias possíveis de desmontar à mão.

Marc Hoevenaars, daquela instituição de ensino superior, disse em comunicado que “todos os componentes podem ser reposicionados sem ferramentas ou experiência“.

Há um acesso fácil às baterias através das laterais do veículo e cada uma pesa 12 kg. Ao ligar uma aplicação ao painel de instrumentos do carro, é possível aceder a instruções passo-a-passo para fazer reparações – como por exemplo encomendar e substituir um pedal do acelerador danificado.

O responsável recordou que as baterias dos carros elétricos atuais têm uma duração limitada de cerca de dez anos e é necessário ir à oficina para substituí-las – sendo que poucas oficinas independentes podem resolver os problemas e ainda há uma falta de mecânicos especializados em elétricos: “O que significa que as reparações demoram mais tempo e custam mais”, recordou Marc Hoevenaars.

Segurança em dúvida?

Durante o evento de apresentação, Hemmy van Hees – que foi mecânico durante mais de quatro décadas – expressou algumas dúvidas: “Como é que se mantém os travões e a direção seguras? Há tanto que pode correr mal. Pela minha experiência, condutores profissionais por vezes nem conseguem mudar uma lâmpada”, disse, citado pelo site da universidade.

Não estará no mercado

Apesar de o Aria ser um automóvel promissor tecnologicamente, não o vai ver à venda. Segundo a Universidade de Tecnologia de Eindhoven, este projeto não será introduzido no mercado, querendo, pelo contrário, “mostrar o que é possível”.

O Citroën Elo, um novo concept car elétrico, foi revelado esta terça-feira (10 de dezembro). Este veículo inovador em forma de monovolume é um “laboratório de ideias”, versátil com um interior modular.

Bernardo Matias | 16:49 – 09/12/2025

Sete adeptos do Sporting acusados de tentar matar portistas em Lisboa

O Ministério Público (MP) acusou sete adeptos do Sporting Clube de Portugal de tentativa de homicídio qualificado de cinco adeptos do Futebol Clube do Porto, no passado mês de junho, após um jogo de hóquei em patins entre as duas equipas, no pavilhão João Rocha, em Alvalade.

De acordo com o Jornal de Notícias, que avança com a notícia, além de cinco crimes de homicídio qualificado, na forma tentada, os arguidos vão responder por 10 crimes de ofensas à integridade física qualificadas, um crime de incêndio, cinco crimes de roubo e três crimes de dano qualificado.

Para a acusação, os arguidos tinham “um plano”. Atear fogo às viaturas em que seguiam os elementos do clube rival, “o que conseguiram concretizar relativamente a um dos veículos”, não lhes permitindo que saíssem, desferindo pancadas e bastonadas, apedrejando as vítimas e os carros e apropriando-se de objetos de valor que os mesmos tivessem na sua posse.

Ataque aconteceu em junho, depois de um jogo de hóquei em patins entre o Sporting e o Porto, em Alvalade.

Andrea Pinto | 11:52 – 24/09/2025

Dos sete arguidos acusados, recorda ainda o JN, cinco estão em prisão preventiva e dois estão em prisão domiciliária.

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Resistência suave na condenação de ex-magnata em Hong Kong

“Eu não o conheço de algum lado?” pergunta um idoso ao jornalista da Lusa, à entrada do tribunal de West Kowloon, antes de acrescentar rapidamente: “Ah, já sei. Estava no julgamento do Wong Kin-chung”.

Em abril de 2024, o português Wong Kin-chung, também conhecido como Joseph John, foi condenado a cinco anos de prisão por incitação à subversão, no primeiro caso de segurança nacional a envolver um arguido com dupla nacionalidade.

O idoso, que pediu para ser identificado apenas pelo apelido Sam por receio de represálias, foi uma das muitas pessoas que ficaram à porta da sessão do Tribunal Superior de Hong Kong.

A sala de audiências revelou-se pequena para todos os interessados, incluindo representantes do Reino Unido e da União Europeia. Antes do amanhecer, dezenas de residentes já tinham formado fila à porta do edifício para garantir um lugar.

Mas, ainda antes do veredicto, o idoso admitiu sentir que a condenação de Jimmy Lai era inevitável: “Vim porque neste momento não há mesmo mais nada que possamos fazer. Nem protestar”.

O tribunal considerou o ex-magnata culpado de violar a lei de segurança nacional, imposta por Pequim em 2020 face ao movimento pró-democracia de 2019, e que levou ao fim da dissidência política em Hong Kong.

“Quem sabe, talvez um dia, não tão distante no futuro, até vir aqui assistir ao julgamento seja um crime de ‘resistência suave'”, acrescentou o idoso.

O conceito de ‘soft resistance’, ou ‘resistência suave’, tem sido usado pelas autoridades de Hong Kong para atacar discurso crítico do Governo ou da região em obras culturais ou organizações da sociedade civil.

Mas nem a ameaça de criminalização conseguiu abafar por completo o poder simbólico de um simples fruto.

Além de ser condenado por conluio com entidades estrangeiras, Lai foi ainda considerado culpado de “publicações sediciosas” em 161 artigos no jornal que fundou, Apple Daily (numa tradução literal ‘Maçã Diária’), atualmente banido.

De madrugada, ainda antes do início da sessão do julgamento, uma pessoa não identificada entregou no edifício do tribunal uma caixa de maçãs, referiu o Hong Kong Free Press (HKFP).

O portal de notícias acrescentou que também dois ativistas pró-democracia, Tsang Kin-shing e Lui Yuk-lin, apareceram no exterior do tribunal com uma maçã vermelha na mão, numa referência ao símbolo do Apple Daily.

O Tribunal Superior de Hong Kong marcou para 12 de janeiro uma audiência, com a duração máxima de quatro dias, onde a defesa de Lai, de 78 anos, poderá apresentar eventuais atenuantes, antes de a sentença ser conhecida.

Mas uma residente, que se identificou pelo apelido Leong, disse à Lusa, após o fim da sessão, não ter dúvidas de que os três juízes — um deles a lusodescendente Susana D’Almada Remedios — irão condenar Jimmy Lai à pena máxima: prisão perpétua.

“Querem enterrá-lo vivo em Stanley”, lamentou a mulher, numa referência à prisão de máxima segurança de Stanley, onde Lai tem estado desde que foi detido, em 2021, na maioria do tempo em regime de solitária.

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Fraca actuação da polícia expõe mulheres à violência doméstica em Moçambique – O País – A verdade como notícia


Várias mulheres continuam a ser vítimas de agressão física, emocional e financeira. A socióloga Karen Fumo alerta que grande parte desse cenário crítico decorre da fraca actuação da polícia, que ainda trata a violência doméstica como assunto privado, deixando as vítimas desamparadas e perpetuando o ciclo de abuso.

Durante uma entrevista ao “O Paísâ€, a socióloga Karen Fumo destacou que, muitas vezes, quando mulheres recorrem à polícia para denunciar agressões, são desencorajadas de formalizar a queixa ou instruídas a resolver os conflitos em família. “Quando uma vítima apresenta uma queixa, muitas vezes a polícia pergunta se ela realmente deseja que o agressor seja preso, como se fosse um problema privado. Isso mostra que a sociedade ainda não entende que a violência doméstica é crime público e que todos temos um papel na prevençãoâ€, explicou.

Um exemplo recente ocorreu na província de Gaza, onde uma mulher vítima de dois anos de conflitos conjugais tentou alertar vizinhos, pedindo ajuda imediata, mas não obteve qualquer socorro. “Este caso demonstra que a violência doméstica é, muitas vezes, normalizada pela sociedade e que ainda persiste um sentimento de posse do homem sobre a mulher, que o leva a acreditar que pode agir impunementeâ€, acrescentou a socióloga.

Fumo alerta que a violência doméstica raramente ocorre de forma súbita. “O agressor mata emocionalmente, financeiramente e psicologicamente, até que a violência física culmina em tragédia. Se a vizinhança perceber sinais precoces e accionar as autoridades, muitos casos poderiam ser evitadosâ€, disse.

Segundo a especialista, a raiz deste problema está na forma como homens e mulheres são educados na sociedade moçambicana. “Desde cedo, os meninos são educados para assumir determinados papéis sociais e de autoridade, enquanto as meninas são condicionadas a aceitar subordinação. Essa socialização desigual alimenta comportamentos abusivos e fortalece a ideia de que a mulher é propriedade do homemâ€, explicou.

A violência baseada no género não é um fenómeno exclusivo de Moçambique. Dados internacionais e relatos de redes sociais mostram que casos similares ocorrem em países como o Brasil, evidenciando que a desigualdade de género e o feminicídio são problemas globais. Apesar disso, a socióloga ressalta que movimentos feministas têm desempenhado papel crucial na denúncia e visibilização desses casos, sendo instrumentos fundamentais na luta por igualdade de direitos e protecção das mulheres.

De acordo com relatórios recentes de organizações nacionais, mais de 300 mulheres são vítimas de feminicídio por ano em Moçambique, muitas delas em contexto de violência doméstica. Estes números reflectem, não apenas a gravidade do problema, mas também a necessidade urgente de uma actuação efectiva das autoridades policiais e judiciais.

A legislação moçambicana prevê instrumentos específicos para combater a violência baseada no género. A Lei n.º 29/2009, sobre prevenção e combate à violência doméstica, estabelece que qualquer acto de violência contra a mulher é crime público, podendo qualquer pessoa denunciar situações de abuso, mesmo sem que a vítima apresente queixa formal. No entanto, a aplicação da lei ainda enfrenta desafios, como a resistência cultural e o desconhecimento por parte de algumas autoridades locais.

Karen Fumo sublinha que é fundamental que a sociedade compreenda que a violência doméstica não é um problema privado, mas um reflexo da forma como homens e mulheres são socializados e da tolerância social à agressão. “Se a vizinhança não intervier e as autoridades não cumprirem o seu papel, as mulheres continuarão a ser vítimas de violência, e casos de feminicídio seguirão crescendoâ€, alertou.

A socióloga também deixou recomendações directas às mulheres: “Observem sinais de relacionamentos abusivos, como controlo excessivo, agressividade, ciúmes patológicos ou restrição da liberdade. Ao menor sinal de perigo, denunciem ou saiam do relacionamento. Não fiquem caladas. Denunciar é um acto de protecção e não de vergonhaâ€.

Para a sociedade, em geral, Fumo enfatiza que todos têm responsabilidade na prevenção da violência: filhos, irmãos, pais e vizinhos devem estar atentos aos sinais de abuso e agir em conjunto para proteger as vítimas. “Quando uma mulher é violentada, toda a sociedade falha. Precisamos de reflectir sobre nosso papel para garantir que as mulheres vivam com dignidade e segurançaâ€, concluiu.

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