Equatorial e acionistas da Aegea entregam propostas para disputar privatização da Copasa


O posto de investidor de referência da Copasaestatal mineira de saneamentoserá disputado pela Equatorial e por um consórcio formado pela Aegea e seus acionistas: Equipav, GIC (fundo soberano de Singapura) e Itaúsa. A informação foi antecipada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pela Folha.

As propostas foram entregues nesta segunda-feira (25) e incluem o valor por ação que cada grupo está disposto a pagar para arrematar 30% da companhia. O finalista —que o Governo de Minas Gerais deve anunciar nesta quarta (27)— será quem tiver oferecido o maior preço.

Após a divulgação, a gestão mineira também deve abrir a etapa de oferta ao mercado geral, no processo de “bookbuilding”, em que investidores indicam a quantidade de ações que querem comprar. Essa fase vai distribuir outros 15% da Copasa e será concluída na próxima terça-feira (2).

Estação de Tratamento de Esgoto da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais)

Caso o processo de bookbuilding seja finalizado com uma precificação maior do que a ofertada pelo candidato a acionista de referência, todos os 45% serão diluídos na Bolsa, e o sócio estratégico será desclassificado. Ou seja, se o mercado oferecer pagar mais por ação do que a Equatorial ou o consórcio da Aegea, a privatização da Copasa vai ser concluída no formato de corporation, sem um controlador definido.

Segundo pessoas a par do processo, a liquidação das ações está prevista para acontecer no dia 8 de junho.

Nesta terça, a Itaúsa anunciou que apresentou proposta na Copasa através de um veículo de investimentos. Cada acionista da Aegea (Equipav, Itaúsa e GIC) tem aproximadamente 33% nesse veículo, enquanto a Aegea tem 1%.

A Aegea já era apontada como uma das candidatas a participar da privatização. Um consórcio com os acionistas também era esperado, já que a companhia vem passando por um escrutínio do mercado após reapresentar seu balanço financeiro de 2024 com uma baixa contábil de R$ 5 bilhões.

Já a Equatorial era sondada para disputar o posto de acionista de referência em parceria com a Sabesp. No entanto, segundo pessoas a par do processo, a companhia de saneamento de São Paulo desistiu da operação.

A decisão veio pouco depois de o CEO da Sabesp, Carlos Piani, demonstrar insatisfação com o modelo da privatização da estatal mineira. Segundo ele, o timing estaria muito corrido, e os riscos envolvendo o projeto seriam maiores.

Em São Paulo, a Equatorial é o investidor de referência da Sabesp. A companhia —originalmente do setor de energia— arrematou 15% da Sabesp na privatização em julho de 2024 e assumiu a operação em conjunto com o Governo de São Paulo.

Folha Mercado

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“A iniciativa evidencia os objetivos de longo prazo da Aegea e o seu posicionamento como uma plataforma relevante no setor de saneamento, reforçando o pilar de disciplina financeira com foco em preservação de liquidez e estrutura de capital adequada”, escreveu a Aegea a investidores.

Em nota a Equatorial disse estar sempre atenta às oportunidades em suas áreas de atuação, mas que não comenta sobre possibilidades de negócios ou aquisições.

Já a Copasa disse que o Governo de Minas Gerais está em período de silêncio devido ao processo de oferta pública.

“Para assegurar o estrito cumprimento das diretrizes da Comissão de Valores Mobiliários e evitar interpretações que possam comprometer o rito legal da oferta, estamos momentaneamente impossibilitados de nos manifestar sobre temas relacionados à operação ou ao desempenho da companhia”, disse.

Na opinião de Christianne Dias, diretora-presidente da Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento), o interesse de dois participantes é um resultado positivo para o processo de privatização da Copasa.

“O pessoal costuma comentar a pouca concorrência no setor de saneamento, mas não vejo dessa maneira. Todos os leilões acabam tendo entrantes, mas, pela natureza do ativo, vão selecionando os grupos que têm apetite para determinado tipo de risco, volume de investimento”, diz.


RAIO-X | COPASA

  • Fundação: 1963
  • Lucro líquido 2025: R$ 1,42 bilhão
  • Funcionários: 9.400
  • Municípios atendidos: 636

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Construtoras levam PPP inédita de aluguel social, no Recife, em leilão sem concorrentes


O Consórcio Habitação Social Recife, composto por CPM Construtora e Sanco Engenharia, arrematou a PPP (parceria público-privada) de locação social do Recife, batizada de Morar no Centro, em leilão realizado nesta terça-feira (26) na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. O certame teve somente um único participante.

As empresas vencedoras não ofereceram desconto sobre a contraprestação mensal máxima definida pelo poder público no edital, que é de R$ 2,45 milhões.

Vista do entardecer no centro do Recife

Antônio Guadério – 28.fev.14/Folhapress

Segundo o Ministério das Cidades, essa é a primeira PPP de locação social vinculada ao Minha Casa, Minha Vida e busca contemplar famílias de baixa renda em áreas bem localizadas.

Os moradores viverão nos imóveis pagando aluguel mais baixo. O valor total, considerando aluguel mais condomínio, deverá comprometer, no máximo, de 15% a 25% da renda familiar dos beneficiados, de acordo com a Prefeitura do Recife.

O contrato de concessão tem prazo de 25 anos e foi feito pelo modelo patrocinado, no qual a concessionária recebe recursos do ente público e também das tarifas cobradas ao usuário. A previsão de investimentos é de cerca de R$ 266 milhões.

A concessionária vencedora deverá implantar, manter e operar seis empreendimentos no centro do Recife, totalizando 1.128 unidades habitacionais, sendo 637 destinadas à locação social para famílias com renda entre 1 e 3,5 salários mínimos e 491 voltadas à venda para famílias enquadradas nas faixas 2 e 3 do Minha Casa, Minha Vida.

O projeto prevê também uso das fachadas ativas para atividade comercial, gestão condominial, gestão de carteira e trabalho técnico social com as comunidades.

Além da contraprestação paga pelo poder público, a concessionária receberá também receitas de alienação de unidades, pagamento de aluguéis pelas famílias e exploração comercial das fachadas ativas.

De acordo com o Ministério das Cidades, a empresa vencedora terá direito a garantias estruturadas por meio da conta vinculada com recursos do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Também terá compartilhamento de riscos de vacância e inadimplência com o poder público.

Ainda segundo a pasta, a expectativa do governo é de que a carteira federal de PPPs de locação social se expanda também para Campo Grande e Maceió. Esses projetos terão apoio do FEP (Fundo de Apoio à Estruturação de Projetos), com assessoria técnica da Caixa Econômica Federal e com coordenação do PPI.

A meta do governo federal é chegar a 12 projetos-piloto nessa primeira etapa, mirando especialmente áreas com infraestrutura, empregos e serviços.

Segundo Frederico Ribeiro, sócio da Radar PPP, a presença de um único licitante não necessariamente reduz a relevância do projeto.

“PPPs habitacionais ainda são um segmento relativamente novo no Brasil, com contratos assinados apenas no estado de São Paulo —tanto pelo município quanto pelo governo estadual. Trata-se de uma área que envolve desafios específicos de estruturação, financiamento e gestão operacional”, diz.

“Os centros urbanos ganharam novas possibilidades de investimento e é muito bom ver a iniciativa privada se alinhando ao poder público neste desafio inovador da política habitacional. Um desafio que contempla tanto as reformas de prédios abandonados, como a provisão de locação social para outros perfis da política habitacional”, afirma Mariana Chiesa, sócia da Manesco Advogados.

Relatório do PL dos combustíveis cria benefício de até R$ 600 mi para etanol e contempla aviação


A relatora do Projeto de Lei Complementar (PLP) que permite usar a receita extraordinária do petróleo para abater tributos dos combustíveis criou dispositivos para beneficiar o agronegócio, em especial o setor de etanol, e obrigar que a isenção seja repassada ao consumidor final, e incluiu o setor de aviação no escopo da proposta.

Por outro lado, ficou de fora da nova versão do texto, publicada nesta terça-feira (26), a previsão de que os produtores rurais pudessem utilizar parte dessa arrecadação extra para renegociar suas dívidas.

Bomba de combustível –
Alain Jocard – 9.mar.2026/AFP

Entre os pontos criados pela relatora, a deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), está um benefício fiscal de até R$ 600 milhões para produtores de etanol. O benefício permite que eles usem créditos da isenção de PIS e Cofins para abater dívidas tributárias com a Receita Federal.

O texto também amplia a isenção de insumos agropecuários criada pela Reforma Tributária e prevê que qualquer benefício concedido a combustível fóssil, como gasolina e diesel, deve ser igualmente aplicado para seu equivalente em biocombustível, mantendo ainda as vantagens competitivas das alternativas sustentáveis.

Integrantes da Câmara dos Deputados afirmam, sob reserva, que o texto foi elaborado após acordo com o Ministério da Fazenda —a relatora teve reuniões na pasta durante a tarde desta terça.

Desde EUA e Israel atacaram o Vaiem março, o estreito de Hormuz —por onde passa 80% do óleo mundial— foi fechado. Por isso, o barril do petróleo comercializado no mundo todo subiu para mais de US$ 100 —R$ 504,65, na cotação desta terça-feira (26)— o que por um lado aumentou o preço dos combustíveis, mas também a arrecadação com sua exportação.

O PLP 114/2026 foi protocolado no início de abril pelo líder do governo Lula (PT) na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), e cria uma exceção na Lei de Responsabilidade Fiscal para usar essa receita extraordinária como forma de combater a alta dos combustíveis.

Em especial, o objetivo era ampliar os benefícios já criados para o diesel (subvenção e isenção de PIS/Cofins, por exemplo) também para a gasolina, o que permitiria que a Petrobras aumentasse o preço deste segundo combustível sem impactar o valor comercializado nos postos —portanto, sem impacto ao consumidor final.

O Palácio do Planalto avalia que o preço da gasolina pode impactar negativamente a popularidade de Lula, o que pode ser prejudicial na corrida eleitoral deste ano contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Diante da demora da Câmara dos Deputados para avançar com a matéria, o Executivo editou uma medida provisória que também prevê o uso da arrecadação extraordinária do petróleo para criar uma subvenção aos combustíveis.

Nesta segunda-feira (25), inclusive, o Ministério da Fazenda estipulou esse benefício em R$ 0,44 por litro.

Na prática, isso já abre o caminho para que a Petrobras aumente o preço da gasolina vendida no Brasil, sem que isso tenha um impacto para o consumidor. A estatal não realiza um reajuste desde julho de 2024o que faz com que ela esteja acumulando prejuízo ou menos lucro uma vez que o preço do petróleo subiu com a guerra não irã.

A medida provisória, porém, tem vigência de quatro meses, o que faz com que, caso não seja aprovada pelo Congresso até lá, ela deixe de valer.

Já o Projeto de Lei Complementar tem como escopo todo o ano de 2026, enquanto durar o conflito no Médio Oriente.

A nova versão da proposta também obriga o pagamento da subvenção em 30 dias. Caso contrário, o Executivo é obrigado a pagar juros equivalentes à taxa Selic pelo atraso.

O PLP incluiu, dentro do rol sujeito a isenção de tributos, o querosene de aviação, que teve forte alta com a elevação do preço do petróleo no mundo todo e causou também um aumento no preço das passagens aéreas.

O relatório de Boldrin, porém, não incluiu um dispositivo, defendido pelo agronegócio, para que parte dessa arrecadação fosse usada para renegociar dívidas do setor —segundo integrantes da área, o governo Lula não aceitou a inclusão.

A expectativa é que esse mecanismo pudesse render até R$ 20 bilhões ao agro.

Paralelamente, o Senado debate um projeto de lei que prevê a destinação de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para renegociar dívidas de proprietários rurais.

O texto está sob relatoria de Renan Calheiros (MDB-AL) e o agronegócio calcula precisar de algo em torno de R$ 120 bilhões a R$ 180 bilhões para dar conta do endividamento do setor, mas ainda não houve consenso sobre a proposta.

Por outro lado, a deputada criou um dispositivo que permite a produtores uma isenção de até R$ 600 milhões para tributos “vencidos ou vincendos” (ou seja, que seja devido ou ainda a pagar) com a Receita Federal.

O relatório de Boldrin ampliou a isenção criada pela Reforma Tributária para insumos agropecuários, reduzindo de 50% para 30% o percentual mínimo de receita bruta de exportação para que o produtor rural esteja elegível ao benefício.

O novo texto também prevê que qualquer benefício concedido para os fósseis seja aplicado aos biocombustíveis, e mantendo suas vantagens competitivas.

Isso porque, por lei, biocombustíveis têm condições de mercado favoráveis com relação aos fósseis —a Reforma Tributária estabeleceu, por exemplo, um máximo de 90% de tributação para os tipos sustentáveis.

O objetivo da relatora é prever que diferenciais como este sejam mantidos no caso da isenção.

Ramaphosa tenta impedir o relatório Phala Phala e ameaça com uma liminar para suspender o processo de impeachment…

Ele afirma que o processo não pode prosseguir enquanto ele contesta a legalidade das conclusões do painel.
O presidente Cyril Ramaphosa pode ter cometido uma grave violação da Constituição, de acordo com as conclusões de um painel independente. Foto de arquivo: (Phando Jikelo)

O presidente Cyril Ramaphosa entrou com uma ação judicial buscando a revisão, declaração de ilegalidade e anulação do relatório do painel independente sobre o escândalo Phala Phala.

Moçambique debate acessibilidade nos transportes públicos em nova live sobre mobilidade inclusiva

A acessibilidade nos transportes públicos em Moçambique volta a estar no centro do debate público através de uma sessão online dedicada à mobilidade inclusiva e aos direitos das pessoas com deficiência. A iniciativa pretende levantar questões práticas sobre a capacidade real do sistema de transporte responder às necessidades de todos os cidadãos.

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Moçambique revê Lei de combate à violência baseada no género e abre consulta pública

O Governo de Moçambique, através do Ministério do Trabalho, Género e Acção Social (MTGAS), anunciou a abertura de uma consulta pública para a revisão da Lei N.º 29/2009, instrumento legal que regula o combate à violência baseada no género no país.

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Crise da Tok&Stok expõe problemas com gestão e juros altos no varejo brasileiro


Anunciado no dia 12 de maio, o pedido de recuperação judicial do grupo Tokycontrolador da Tok&Stok e da Mobly, expõe um cenário comum entre empresas que recorrem à mediação do Judiciário para evitar a falência. Especialistas apontam que a atual onda de dificuldades, principalmente no varejoresulta de uma combinação de gestão ineficiente, consumo enfraquecido, juros elevados e restrição no acesso ao crédito.

É nesse contexto que se insere a Tok&Stok, com dívidas que superam R$ 1,1 bilhão e dificuldade para renegociar passivos que vinham se acumulando desde 2024, quando a companhia entrou em recuperação extrajudicial.

Após não conseguir equacionar suas contas, a companhia voltou ao Judiciário para administrar uma dívida que dobrou em tamanho. Sem conseguir respiro na operação diária e sem condições de honrar seus compromissos, o grupo afirma que a recuperação é a única forma de manter suas atividades.

Unidade da Tok&Stok em São Paulo

Felipe Gabriel/Folhapress

Atualmente, mais de 5.931 empresas estão em alguma fase de recuperação judicial no país, segundo dados do Monitor RGF. Em 2025, o Brasil registrou, pelo segundo ano consecutivo, recorde no número de pedidos, com 977 empresas recorrendo ao Judiciário. Apenas no primeiro trimestre de 2026, foram deferidos 319 processos.

Especialista em reestruturação de empresas, Max Mustrangi, CEO da consultoria Excellance, avalia que o componente principal da crise começou no período que antecede a escassez do mercado de crédito, justamente quando as empresas alavancaram suas operações em um cenário de juros mais baixos.

Com o fim do governo Dilma e um ciclo de juros em queda, cujas mínimas históricas ocorreram entre 2020 e 2021, tomar empréstimos no mercado de crédito ficou barato. As empresas utilizaram esse dinheiro para promover expansões, montar novas unidades de negócio, melhorar tecnologia interna e realizar aquisições para, mais adiante, ter retorno.

Esse cenário foi drasticamente revertido com o aumento da inflação durante a pandemia da Covid-19, as mudanças na política fiscal e o ciclo de alta da taxa de juros no final de 2021.

Nesse meio tempo, o Brasil ainda lidou com escândalos como a crise das Lojas Americanasque fez com que os bancos mudassem de postura em relação a diversos setores —principalmente o varejista.

“O custo do capital fica muito caro, começa a cobrar sua conta através de juros, comendo mais fluxo de caixa. E como os negócios não dão resultados, são prejuízos acumulados, os novos pontos são deficitários e acabam tomando o lucro do que sobra”, afirma Mustrangi.

Ele critica empresas que fizeram expansões de mercado “comprando market share”, ou seja, apostando todas as fichas em publicidade e preços baixos para conquistar mercado sem obter lucratividade. Parte da crise de alavancagem das empresas em crise, avalia Mustrangi, decorre dessa tentativa de crescer sem criar valor de marca.

A TRÍADE DA CRISE

O advogado Bruno Tanus, do Andrade Maia Advogados, afirma que a nova fase da Tok&Stok, iniciada na fusão com a Moblyem 2024, já nasceu como uma tentativa de gerar ganhos operacionais e reequilibrar o endividamento da companhia. Segundo ele, a operação surgiu com um “viés de turnaround”, ou seja, voltada a conter a crise e reestruturar os negócios —o que acabou não ocorrendo.

na época, às TokStok obteve na Justiça aval para uma recuperação extrajudicialcom dívidas de R$ 641,6 milhões. Na extrajudicial, a empresa renegocia um acordo direto com credores e pede homologação do plano ao Judiciário.

A recuperação judicial neste momento do Brasil, afirma o advogado, acaba evidenciando problemas mais profundos do atual ciclo econômico, como o enfraquecimento do consumo, os juros elevados e a dificuldade de acesso ao crédito.

Folha Mercado

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“Essa tríade vem testando fortemente o mercado brasileiro nos últimos tempos e causando a avalanche de pedidos de recuperações judiciais que acompanhamos em diversos segmentos da economia. Com menos dinheiro circulando, o consumidor entra em modo de segurança. Sem geração de caixa e com dificuldade no acesso ao crédito e/ou na rolagem de dívidas, empresas que até podem ser operacionalmente saudáveis vem pedindo recuperação pelo estrangulamento da sua estrutura de capital”, diz Tanus.

Para o advogado Fábio Percegoni, do BVZ Advogados, a recuperação da Tok&Stok tem um peso simbólico “difícil de ignorar”, por se tratar de uma marca que representou o varejo de móveis aspiracional da classe média brasileira.

Em sua leitura, além dos problemas que decorrem das decisões da política monetária aplicada pelo Banco Centralo próprio comportamento do sistema financeiro acaba empurrando as empresas para o calabouço.

Com o aumento da inadimplênciaos bancos ficaram mais seletivos, elevando garantias, encurtando prazos e olhando com desconfiança sobre empresas que apresentam condições de estresse.

Percegoni observa que a reforma da Lei de Recuperações, em 2020, foi um avanço importante porque previu o financiamento de empresas em crise e atribuiu a quem aporta recursos uma posição privilegiada de recebimento —a chamada superprioridade.

No mundo real, diz o advogado, esse instrumento ainda não tem a mesma profundidade de jurisdições maduras. Faltam linhas estruturadas dos bancos de varejo, sobra insegurança jurídica, e falta a criação de um mercado de fundos especializados em ativos estressados.

“A consequência é que muitas empresas chegam à recuperação judicial apresentando um plano que, na prática, não tem como ser executado —porque executar uma reestruturação custa dinheiro, e esse dinheiro precisa vir de algum lugar. Quando não vem, a RJ acaba operando como antessala da falência, e perde-se o valor que o instituto foi desenhado para preservar: emprego, cadeia de fornecedores, recuperação maior aos credores do que numa liquidação.”

Sócia da Tahech Advogados, a advogada Laura Nogarolli diz que a recuperação servirá como um “escudo” para a companhia criar condições de negociar uma saída e implementar a solução adequada para honrar seus compromissos. O instrumento da recuperação judicial, explica ela, é o fôlego para que empresas economicamente viáveis superem crises de liquidez severas e evitem a falência.

“Diante dos fatos expostos pela Companhia e da situação do mercado atual, conclui-se que o ajuizamento da recuperação judicial pelo Grupo Toky é um instrumento jurídico não apenas adequado, mas imperativo frente ao exaurimento das vias negociais extrajudiciais e ao estrangulamento do caixa operacional.”

Filho suspeito de matar dono da Mango diz que acusação é infundada


Jonathan Andic, filho do fundador da Mango, classificou como “grave, injusta e infundada” a acusação de ser o responsável pela morte do paiIsak Andic, que caiu de uma montanha enquanto eles passeavam juntos em 2024.

“Há cerca de 17 meses perdi meu pai, em circunstâncias profundamente dolorosas para mim, para minha família e para as pessoas do nosso convívio próximo. A esse luto somou-se o fato de ter que conviver com a mais grave, injusta e infundada acusação que pode recair sobre uma pessoa”, afirmou em carta aberta publicada nesta terça-feira (26).

Jonathan Andic deixa cadeia na Espanha após pagar fiança

Lluis Gene/Reuters – 19.maio.26

Além disso, Jonathan anunciou que o seu afastamento temporário do cargo de vice-presidente que ocupava na loja de roupas criada pelo pai.

“Tomo esta decisão com tristeza, mas convicto de que é o melhor para a companhia e para mim. Enfrento este processo com serenidade e firmeza, e preciso concentrar toda a minha energia em demonstrar minha inocência”, afirmou na sua primeira manifestação pública desde que foi acusado pela justiça de envolvimento na morte.

Andic, de 45 anos, chegou a ser preso na última terça-feira (19), mas deixou a cadeia após pagar fiança de 1 milhão de euros (R$ 5,82 milhões) para evitar a prisão preventiva.

A juíza determinou medidas cautelares adicionais como “a retirada do passaporte, proibição de saída do território e comparecimentos semanais ao tribunal”, enquanto prossegue a investigação por suposto homicídio.

Jonathan Andic decidiu afastar-se temporariamente de suas atividades na Mango, mas manterá “seus vínculos com outros projetos familiares, empresariais e sociais”, indicou.

“Quero expressar, de coração, que amei e amo profundamente os meus e, de uma maneira muito especial, meu pai. Vivemos juntos muitos momentos felizes, marcantes e cheios de carinho. Como acontece em tantas famílias, também tivemos momentos difíceis e complexos, que superamos com grande esforço, generosidade e apoio”, disse.

INVESTIGADORES FALAM EM “RELAÇÃO RUIM”

Isak Andic despencou de uma montanha em 14 de dezembro de 2024 enquanto fazia uma trilha em um conhecido local para a prática da atividade, nos arredores de Barcelona.

Jonathan, o mais velho de seus três filhos, era o único que o acompanhava na caminhada.

A suporta “relação ruim” entre pai e filho esteve desde o início no foco dos investigadores, como foi apontado pela juíza que investiga o caso.

Entre os indícios enumerados, a magistrada fez referência à “obsessão (…) pelo dinheiro” de Jonathan e apontou para uma “possível motivação econômica” derivada da intenção de Isak Andic de modificar seu testamento para criar uma fundação filantrópica.

Isak Andic, fundador da Mango, morreu após cair de montanha próxima a Barcelona

Divulgação/AFP

Como elementos suspeitos, os investigadores também mencionaram as várias visitas que Jonathan Andic teria feito ao local do acidente nos dias anteriores, assim como à posição da queda do fundador da Mango.

“As lesões que constam na autópsia praticamente afastam que a queda tenha sido resultado de um escorregão ou tropeço”, assinalou a decisão judicial.

O suspeito de cometer o crime negou a versão divulgada. “Construiu-se um relato público com uma visão parcial, descontextualizada e deturpada, que gerou uma percepção de culpabilidade alheia à realidade. Sei que desmontá-lo exigirá tempo, esforço e uma dedicação intensa”, afirmou Jonathan Andic.

Folha Mercado

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INVESTIGADO TEM APOIO DA EMPRESA E FAMÍLIA

O apoio ao filho de Isak Andic, que possuía uma das maiores fortunas da Espanha, continua, no entanto, firme por parte do seu entorno.

O presidente e CEO da Mango, Toni Ruiz, transmitiu nesta terça-feira a Jonathan “seu máximo respeito, compreensão e apoio”, informou a companhia em um comunicado, no qual reiterou que a empresa, “com uma equipe de mais de 18 mil pessoas em nível global” e presença em mais de 120 países, “se encontra no melhor momento de sua história”. Suas palavras foram subscritas pelo Conselho de Administração.

No mesmo sentido, a família Andic expressou “seu absoluto e incondicional apoio à decisão tomada por Jonathan de afastar-se temporariamente de sua dedicação à Mango para concentrar-se em sua defesa” e reiterou “sua plena confiança” em sua inocência.

Chapo incentiva a ACLLN a permanecer vigilante…

Maputo, 26 Mai (AIM) – O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, falando na qualidade de Presidente do Partido Frelimo, no poder, encorajou o Comité Nacional da Associação dos Veteranos da Luta de Libertação Nacional (ACLLN) a permanecer vigilante contra o terrorismo, a violência e a desinformação.

Segundo Chapo, falando na quarta Sessão Ordinária da ACLLN, na cidade do sul da Matola, os veteranos da luta de libertação devem continuar a desempenhar um papel central na educação patriótica da juventude e na consolidação da estabilidade nacional.

“Devemos regressar às nossas províncias imbuídos do espírito de unidade, coesão e lealdade ao partido. Reiteramos também o nosso apelo a todos os moçambicanos para que redobrem esforços para aumentar a produção e a produtividade, especialmente a produção alimentar a nível familiar”, disse.

Segundo Chapo, a campanha “uma família, uma horta” deve tornar-se uma prática permanente para os agregados familiares moçambicanos, particularmente nas zonas urbanas e periurbanas.

Chapo alertou para os perigos da desinformação, “rumores e protestos violentos”, descrevendo-os como ameaças à estabilidade nacional.

A sessão, que reuniu 168 membros juntamente com líderes históricos e convidados, abordou também a situação de segurança na Província Norte de Cabo Delgado.

Os participantes, por seu lado, apelaram à melhoria das condições sociais dos veteranos da luta de libertação nacional, destacando a assistência médica e farmacêutica, o acesso prioritário aos serviços públicos, pensões e bolsas de estudo para os descendentes dos veteranos.

Os delegados também discutiram a preservação de locais históricos ligados à luta de libertação, incluindo antigas bases e centros de formação, que, segundo eles, são vitais para a educação patriótica das gerações mais jovens.

A sessão elegeu Xavier Nelson Agostinho Toniquiel como presidente do Conselho Fiscal Nacional da ACLLN e Lúcia Mustafa como vogal do mesmo órgão.

(MIRAR)

NL/ZT/Am/

Chapo apela à cooperação económica entre…

Maputo, 26 Mai (AIM) – O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, apela à unidade e ao reforço da cooperação económica entre os países africanos para alcançar a independência económica.

Segundo Chapo, que falava segunda-feira, em Maputo, na cerimónia que assinala o Dia de África, que se comemora a 25 de Maio, as fronteiras coloniais continuam a dificultar a plena integração dos povos africanos, apesar dos laços históricos, culturais e linguísticos partilhados entre muitos países.

“O segredo do desenvolvimento de África é a unidade. Muitas comunidades africanas partilham apelidos, línguas e costumes”, afirmou.

Chapo acredita que o progresso do continente depende do fortalecimento das organizações regionais e da remoção gradual das barreiras à circulação de pessoas e bens.

“A conectividade aérea é extremamente importante para o nosso continente. Portanto, os investimentos em corredores de desenvolvimento e infra-estruturas transfronteiriças são estratégicos para impulsionar o comércio intra-africano”, afirmou.

O presidente também invocou os líderes históricos africanos Kwame Nkrumah e Muammar Gaddafi, descrevendo-os como defensores da unidade pan-africana, cuja visão deve continuar a inspirar as gerações actuais.

Durante a cerimónia, que marcou também o lançamento dos eventos do 40º aniversário da morte do primeiro Presidente moçambicano, Samora Machel, a paz é extremamente importante para o desenvolvimento económico e social.

“O desenvolvimento só pode ser alcançado em contextos de estabilidade, reconciliação e responsabilidade colectiva”, disse ele.

Segundo Chapo Machel é uma figura indispensável para Moçambique, para a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e para o resto do continente.

Ele destacou o papel de Samora nas lutas de libertação em toda a África e na consolidação da independência regional.

O Presidente disse também que Moçambique continua a enfrentar desafios internos e externos, incluindo eventos climáticos extremos e pressões económicas internacionais, como o aumento dos preços dos combustíveis.

NL/ZT/Am/

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