Pelo menos 313 mortos devido a ciclones na época chuvosa em Moçambique

Segundo Daniel Chapo, os três ciclones deixaram um “rastro de destruição humana e material” ao afetar um total de 1.838.235 pessoas, além de destruir total e parcialmente 414 mil casas e inundar outras 12.853.

“Tivemos 207 hospitais, 1.822 escolas e 5.969 salas de aulas danificadas”, acrescentou o chefe de Estado, no parlamento, apontando também para mais de 1,2 milhões de hectares agrícolas afetados, com a perda total de 97.083 hectares, o que prejudicou um total de 381.249 agricultores em todo o país.

Daniel Chapo avançou ainda que 8.914 quilómetros de estradas, 23 pontes e 78 aquedutos foram destruídos, além de 29 sistemas de abastecimento de água inutilizados pelos ciclones.

Os três ciclones atingiram Moçambique na última época das chuvas, tendo sido o ciclone Chido o primeiro e mais grave, ocorrido no final de 2024.

“Em suma, herdamos um país simultaneamente fustigado pelos ciclones, assolado pelo terrorismo em algumas zonas dos distritos da zona norte de província de CD, profundamente fragilizado por manifestações violentas, ilegais e criminosas, e por uma economia em recessão”, lamentou Chapo.

O Presidente de Moçambique assinalou também “fissuras profundas” devido aos eventos registados antes da sua tomada de posse e que exigiam intervenções “urgentes e corajosas”.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

Os eventos extremos provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

O Presidente moçambicano está a apresentar hoje, no parlamento, em Maputo, a sua primeira informação sobre o estado da nação, conforme prevê a Constituição da República.

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Moçambique trava importação de 16 produtos incluindo cerveja, carne e água

“O Governo de Moçambique aprovou a adoção de restrições temporárias à importação de determinados produtos, com o objetivo de reforçar a capacidade produtiva nacional, responder ao crescimento da produção interna, apoiar o desenvolvimento de indústrias emergentes e promover o aumento do consumo de bens produzidos no país”, lê-se no aviso do Ministério da Economia, com a lista de produtos de importação suspensa “até nova comunicação”.

“Recomendando-se igualmente aos cidadãos e agentes económicos que privilegiem o consumo de produtos nacionais”, refere a mesma nota.

Na tabela de produtos cuja importação fica limitada – em moldes e quantidades não clarificadas – estão incluídas carnes e miudezas comestíveis de aves, arroz e açúcar não acondicionados para venda a retalho, óleo de palma alimentar refinado, água engarrafada e bebidas gaseificadas, massas alimentícias, sal e cloreto de sódio, cimento portland, tijoleira, farinha de milho, cerveja, mobiliário de madeira e metálico, produtos de papel e papelão, bebidas não alcoólicas e refrigerantes, trigo e milho em grão.

O Governo anunciou em 16 de dezembro que Moçambique vai passar a limitar a quantidade de importação de água mineral engarrafada, massas, farinha ou sal, entre outros produtos, para poupar divisas e estimular a indústria nacional.

Segundo anúncio feito então após a reunião semanal do Conselho de Ministros, realizada em Maputo, o Governo aprovou naquele órgão o decreto com as regras sobre os produtos sujeitos a “restrições quantitativas temporárias à importação”.

A medida, segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, visa “salvaguardar a posição externa de Moçambique e assegurar a alocação prioritária de divisas à importação de bens e serviços essenciais, bem como tornar mais competitiva a indústria emergente moçambicana”.

No final da reunião, embora sem detalhar o período destas limitações, quantidades ou quando entram em vigor, o porta-voz acrescentou que as “restrições à importação incluem produtos como água mineral engarrafada, massas alimentares, cimento ‘portland’, farinha de milho, tijoleira e sal”.

“Esta decisão visa ainda favorecer a dinamização da produção nacional e incentivar a produção nacional para a substituição de importações não essenciais”, defendeu ainda, acrescentando que o Governo espera, com esta medida, “contribuir para salvaguardar a estabilidade macroeconómica de Moçambique, assegurar o uso mais eficiente das divisas internacionais e proteger o interesse no acesso a bens e serviços essenciais”.

Vai igualmente “estimular a produção nacional e reforçar a base produtiva doméstica, produção da substituição competitiva de importações e aumento da produção e consumo do produto nacional”.

A medida, disse ainda o porta-voz do Governo, atende a uma “política económica compatível com os princípios da proporcionalidade, temporalidade e não discriminação previstos nas obrigações multilaterais”.

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PDP ataca Aiyedatiwa por suposto assassinato de adolescente em comboio


O Partido Democrático Popular (PDP) no estado de Ondo criticou o governador Lucky Aiyedatiwa pela morte de um jovem supostamente atropelado pelo comboio do governador.

De acordo com o PDP, o falecido, Good Emiju, foi atropelado pelo comboio do governador em Oka-Akoko, sede do Governo Local do Sudoeste de Akoko, durante a visita de agradecimento de Aiyedatiwa às comunidades do conselho.

Ao criticar o governador pelo seu silêncio sobre o incidente, o partido da oposição, num comunicado emitido pelo seu Director de Mídia e Comunicações Públicas, Wande Ajayi, expressou preocupação com o enterro apressado do falecido.

O PDP exige uma explicação transparente do governo do estado, com Wande Ajayi afirmando que o silêncio continuado é inaceitável, insensível e desrespeitoso com a memória do falecido e da sua família.

“De acordo com relatos credíveis, a vítima foi primeiro levada às pressas para o Hospital Geral em Oka-Akoko, onde o pessoal médico não conseguiu gerir adequadamente a situação devido ao estado deplorável das instalações. Posteriormente, foi transferido para o Centro Médico Federal, Owo, onde foi declarado morto. Surpreendentemente, o jovem já foi enterrado.

“Até à data, não foi emitida nenhuma declaração oficial para informar o público em geral, esclarecer os factos que rodearam o incidente ou explicar as circunstâncias em que um cidadão perdeu a vida em ligação com um comboio governamental.”

No entanto, o governador Aiyedatiwa distanciou-se do incidente, sublinhando que o seu comboio não esteve envolvido na morte.

Numa declaração através do seu Conselheiro Especial de Comunicação e Estratégia, Allen Sowore, o governador disse: “É pertinente e necessário esclarecer categoricamente que o comboio do Governador não foi responsável nem esteve envolvido em qualquer acidente naquele dia, ou em qualquer dia desde o início da Viagem de Agradecimento pelos 18 LGAs do Estado”.

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Reparação de danos das manifestações ainda perdura em Moçambique

“A reparação dos danos das manifestações violentas ainda não está terminada, prevalecem centenas de infraestruturas por reabilitar e ainda há milhares de moçambicanos que precisam de recuperar os seus empregos perdidos”, disse Daniel Chapo, no parlamento, na apresentação do estado da nação.

O Presidente moçambicano disse que foram destruídos pelo menos 1.733 estabelecimentos comerciais, incluindo armazéns de medicamentos, fábricas, farmácias, armazéns de ajuda humanitária, 339 edifícios públicos, 176 postes de energia e 59 torres de comunicação, 25 bombas de combustíveis do setor privado, cinco básculas e 16 portagens.

“Foram seis meses de destruição no nosso país, que deixaram marcas profundas estas manifestações violentas no tecido económico e social do país. Os atos de vandalização, a destruição, resultaram em danos avultados em todo o nosso país”, disse o chefe do Estado moçambicano.

Chapo classificou o período de protestos como de “profunda dor” para os moçambicanos, vivido por “milhares” de pessoas que viram seus bens vandalizados e destruídos e a segurança “ameaçada”.

“As manifestações forçaram o encerramento definitivo ou temporário de empresas, resultando na perda de mais de 50 mil postos de trabalho”, disse, apontando para a redução de arrecadação de receitas para o Estado face às vandalizações.

“Esta sabotagem, promovida por forças que atuam contra a ordem pública, tem profundas consequências humanas, psicológicas e materiais avaliadas em cerca de 27,4 bilhões de meticais (359,8 milhões de euros)”, acrescentou o Chefe do Estado moçambicano, criticando a “redução a escombros” a bens privados e públicos.

Moçambique viveu a sua pior crise eleitoral, com manifestações convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que rejeita os resultados das eleições de outubro de 2024 que deram a vitória a Daniel Chapo como quinto Presidente de Moçambique.

Pelo menos 2.790 pessoas continuam detidas, de um total de 7.200, um ano após o início desses protestos, que provocaram 411 mortos, segundo dados da plataforma Decide, divulgados em outubro.

Os agentes das Forças de Defesa e Segurança representam 4,2% do total dos 411 mortos (17), enquanto as crianças são 5% dos mortos (20), acrescenta-se no levantamento da Decide.

A violência em Moçambique cessou após um primeiro encontro, em março, entre o Presidente da República, Daniel Chapo, e ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que nunca reconheceu os resultados eleitorais, estando em curso um processo de pacificação que prevê o compromisso governamental de realizar várias reformas, incluindo na Constituição e leis eleitorais.

Chapo promulgou em abril a lei relativa ao Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo, aprovada dias antes no Parlamento, com base no acordo com os partidos políticos, assinado em 05 de março, para ultrapassar a violência e agitação social que se seguiu às eleições gerais de 09 de outubro.

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Azerbaijão começa a exportar combustível para a Arménia por via ferroviária pela primeira vez em décadas


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O Azerbaijão enviou produtos petrolíferos por via ferroviária para a Arménia na quinta-feira, marcando a primeira exportação deste tipo em décadas e um avanço tangível nos esforços para normalizar as relações entre os dois países, disseram as autoridades.

A entrega de quinta-feira incluiu 22 vagões-cisterna transportando 1.210 toneladas de gasolina AI-95 produzida pela companhia petrolífera estatal do Azerbaijão, SOCAR, que partiu para a Arménia via Geórgia, informou a agência internacional AnewZ, com sede em Baku.

As autoridades de ambas as partes afirmaram que a exportação representa um passo significativo para além das declarações políticas e demonstra os benefícios económicos práticos da paz.

O carregamento de combustível surge na sequência de um acordo alcançado em 28 de novembro em Gabala, no noroeste do Azerbaijão, onde o vice-primeiro-ministro do Azerbaijão, Shahin Mustafayev, se reuniu com o seu homólogo arménio, Mher Grigoryan.

De acordo com a AnewZ, as duas partes discutiram medidas para reforçar a confiança e restabelecer os laços económicos cortados por décadas de conflito e fronteiras fechadas, permitindo um comércio benéfico e contribuindo para a segurança energética e a estabilidade económica.

Ambos os governos salientaram a importância simbólica do restabelecimento de uma ligação ferroviária, suspensa durante anos devido às hostilidades, como base para o restabelecimento de uma conetividade regional mais alargada.

Atualmente, a Arménia importa mais de 60% do seu combustível da Rússia – 230 000 toneladas de gasolina e 175 000 toneladas de gasóleo em 2024, enquanto o restante provém do Irão, Roménia, Malta e Turquia.

Segundo os analistas, ao reabrir as rotas comerciais e estabelecer laços comerciais fiáveis, o acordo poderá abrir caminho à expansão do comércio em todo o Cáucaso Meridional, ligando a Arménia, o Azerbaijão e os Estados vizinhos através de corredores de transporte e de energia renovados.

A AI-95 é uma gasolina premium sem chumbo, também conhecida como super ou regular, consoante o mercado.

Repórteres sem Fronteiras descobriram software espião utilizado pela Bielorrússia


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A ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) afirma ter descoberto, em colaboração com a organização da Europa de Leste RESIDENT.NGO, “um instrumento de vigilância até agora desconhecido, utilizado pelo Comité de Segurança do Estado da Bielorrússia (KGB) contra, entre outros, profissionais da comunicação social”.

Este spyware, inicialmente identificado como ‘ResidentBat’, tem como alvo os smartphones Android e “permite o acesso a dados extremamente sensíveis”, explica a RSF.

A ONG salienta ainda que “ao contrário do conhecido spyware utilizado contra jornalistas, como o Pegasus, o ResidentBat não explora vulnerabilidades digitais. É instalado depois de as forças de segurança terem obtido acesso físico ao dispositivo. Uma vez instalado, o ResidentBat permite o acesso a registos de chamadas, gravações de microfone, capturas de ecrã, mensagens SMS, mensagens de aplicações de mensagens encriptadas, bem como ficheiros armazenados localmente”.

Como é que o spyware foi detetado?

No comunicado de imprensa, a RSF conta como o ResidentBat foi detetado no smartphone de um jornalista que tinha sido interrogado pelo KGB.

“Antes de ser interrogado nas instalações do KGB, o jornalista foi convidado a deixar o seu telemóvel num cacifo. Durante o interrogatório, teve de mostrar o conteúdo do aparelho e desbloqueou o telemóvel na presença de um agente. Posteriormente, o aparelho foi novamente colocado no cacifo”.

O jornalista e a RSF acreditam que as forças de segurança “observaram a introdução do código PIN, recuperaram o telemóvel durante o interrogatório e instalaram o software espião”.

“Alguns dias mais tarde, o software antivírus assinalou a presença de componentes suspeitos no aparelho. O jornalista contactou então a RESIDENT.NGO, que conduziu uma investigação digital em colaboração com o Laboratório de Segurança Digital da RSF”, continua o comunicado.

Repressão dos jornalistas na Bielorrússia

A RSF recorda que o jornalismo independente é fortemente reprimido na Bielorrússia. “Os jornalistas enfrentam a censura, a intimidação, a violência e a detenção arbitrária”, denuncia a ONG.

“Até à data, 32 jornalistas estão presos e os relatos de tortura multiplicam-se. Muitos fugiram do país desde 2020 e trabalham a partir do exílio. Aqueles que continuam a reportar dentro da Bielorrússia fazem-no frequentemente de forma anónima e com grande risco para a sua segurança. A utilização de spyware é parte integrante desta repressão sistemática. A Bielorrússia ocupa atualmente o 166º lugar entre 180 países e territórios no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa 2025 da RSF”, acrescenta.

Vídeo. Agricultores levam tratores a Bruxelas para contestar acordo comercial UE-Mercosul


Agricultores conduziram tratores até Bruxelas, esta quinta-feira de madrugada, retomando os protestos contra os planos da União Europeia para um acordo comercial com o Mercosul. A polícia previa cerca de 10 mil manifestantes junto ao Conselho Europeu, onde os líderes da UE deverão reunir-se numa cimeira.

O acordo proposto eliminaria, de forma faseada, ao longo de 15 anos, os direitos aduaneiros sobre a maioria dos bens transacionados entre a UE e os países do Mercosul.

Os apoiantes dizem que abriria mercados, ligando a Europa ao Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Muitos agricultores receiam maior concorrência e menor proteção para os produtores locais.

Do gás ao alumínio: vastas riquezas da Venezuela na mira de Trump


A “maldição dos recursos” está a assombrar a Venezuela, tal como assombrouo Iraque em 2003 e continua a assombrar. A retórica de Donald Trump contrasta fortemente com a filosofia de “soft power” que os seus antecessores – tanto republicanos como democratas – têm vindo a construir cuidadosamente há décadas.

Depois de esgotar a retórica de denúncia do narcotráfico e de acusar Nicolás Maduro de ser um presidente ilegítimo após uma eleição controversa e questionável, o líder republicano – influenciado pela sua longa experiência no mundo dos negócios – parece ter ido ao cerne da questão, acusando Caracas de desviar recursos, terras e bens dos Estados Unidos e anunciando um bloqueio naval destinado a recuperar à força esses recursos**. Mas por que é que Trump considera que as riquezas da Venezuela são suas?**

Décadas de tensão

Até meados da década de 1930, a Venezuela dependia do café para as suas exportações, mas a descoberta de petróleo – que começou no início do século XX e mais tarde atingiu o seu pico – mudou a direção económica do país.

Entretanto, os Estados Unidos fabricavam e exportavam automóveis e as suas necessidades de combustível aumentaram, encontrando no país vizinho um mercado pronto e em crescimento.

As companhias petrolíferas americanas, como a Shell, a Gulf Oil e a Standard Oil, entraram rapidamente em força em Caracas. Em 1929, os Estados Unidos produziam cerca de 60% do petróleo do país latino, controlando a perfuração e a exploração e consolidando a sua influência política, de tal forma que, durante a Segunda Guerra Mundial, a Venezuela se tornou o maior exportador de petróleo do mundo e uma tábua de salvação financeira para os Aliados.

O esquerdista Chávez

No entanto, a situação alterou-se com a chegada ao poder do antigo presidente Hugo Chávez, em 1999, através da chamada Revolução Bolivariana, que ergueu o slogan do “anti-imperialismo” e estabeleceu relações de amizade com regimes hostis a Washington, como Cuba, Iraque e Líbia.

Chávez nacionalizou grandes setores económicos, desde o petróleo e a agricultura até às indústrias e à terra, e criou a PDVSA, que representa cerca de 50% das receitas do Estado e 80% das exportações do país, o que afetou negativamente os interesses de várias empresas norte-americanas e contribuiu para criar hostilidade, ao ponto de o então Secretário da Defesa dos Estados Unidos (EUA), Donald Rumsfeld, o ter comparado a “Adolf Hitler”.

Após a morte de Chávez, Nicolás Maduro chegou ao poder em Caracas em 2013 e enfrentou uma mudança radical na política de Washington em relação ao seu país.

Enquanto as administrações de Obama e Biden seguiram uma política de espera e pressão gradual, Trump, desde o seu primeiro mandato, optou por ir na direção oposta, adotando uma política de confronto direto, passando Washington da “espera” para uma pressão abrangente e um confronto aberto com o objetivo de derrubar o regime de Maduro.

Em 2019, a primeira administração Trump reconheceu oficialmente o líder da oposição Juan Guaidó como o legítimo presidente interino da Venezuela, descrevendo Maduro como um “usurpador do poder”, no meio de uma oposição interna que o acusa de totalitarismo e populismo.

Acabar com a maré rosa dos governos de esquerda

Durante décadas, a relação entre os EUA e a Venezuela foi um caso especial digno de estudo político e económico. Acredita-se que Washington tem vindo a tratar Caracas como uma porta de entrada para acabar com a “maré rosa” de governos de esquerda na América Latina.

Como os golpes de Estado ou as sanções não conseguiram atingir os seus objetivos, a Casa Branca recorreu a pressões diretas para forçar a queda desses governos, o que alguns descrevem como um “castigo” para qualquer regime político que não abra a sua economia ao capital internacional, segundo Gregory Wilbert, um académico americano especializado em assuntos venezuelanos.

2025: o ano da escalada

Em janeiro de 2025, Maduro foi empossado para um terceiro mandato, numa eleição cuja integridade foi contestada, e Trump regressou à Casa Branca para um segundo mandato. Este último não esperou muito tempo para terminar o que começou, acusando Maduro de fraude eleitoral, cancelando depois o Estatuto de Proteção Temporária (TPS) que protegia da deportação cerca de 600.000 venezuelanos residentes nos EUA.

A administração Trump designou então o gangue venezuelano Tren de Aragua como uma “organização terrorista estrangeira”. Trump alegou, sem qualquer prova dos serviços secretos, que o gangue era uma fachada para Maduro, depois decidiu cancelar as concessões petrolíferas da Venezuela feitas pela administração Biden e impôs uma tarifa de 25% aos países que compram petróleo a Caracas.

Em agosto, Trump ofereceu uma recompensa de até 50 milhões de dólares pela prisão de Maduro e rotulou-o de “líder terrorista global” do Cartel de los Soles. Seguiu-se uma campanha naval “antinarcóticos” nas Caraíbas e no Pacífico, antes da ameaça de uma intervenção militar que poderia ir do mar para terra, numa referência que faz lembrar a invasão do Iraque em 2003.

As riquezas da Venezuela

A Venezuela possui as maiores reservas petrolíferas comprovadas do mundo, que em 2014 rondavam os 298 mil milhões de barris. O petróleo é a espinha dorsal da economia de Caracas, contribuindo com quase 90% das receitas totais e gerando um excedente comercial constante.

Para além da riqueza petrolífera, o país possui enormes reservas de gás natural, minério de ferro e bauxite, que é o material de base da indústria do alumínio.

Hidroeletricidade: a hidroeletricidade cobre cerca de 25% das necessidades de eletricidade do país, sendo o excedente exportado para os vizinhos Colômbia e Brasil. No rio Karuni são construídas grandes barragens, sendo a barragem de Guri (que entrou em funcionamento em 1978) uma das maiores barragens do mundo em termos de capacidade de produção.

Ferro e alumínio:

  • Minério de ferro: concentrado nas terras altas da Guiana, é extraído pela empresa estatal CVG Ferrominera Orinoco e convertido internamente em ferro e aço.
  • Bauxite: segundo minério mais importante do país, é extraído para a produção de alumínio, o que coloca a Venezuela entre os maiores fornecedores mundiais deste metal.
  • As indústrias locais do ferro e do alumínio beneficiam de energia hidroelétrica barata, o que aumenta a sua competitividade.

Outros recursos: a Venezuela possui uma riqueza diversificada de outros metais e minerais, incluindo ouro, prata, urânio, níquel, fósforo, carvão, chumbo, zinco, cobre, titânio e diamantes.

No entanto, as exportações destes recursos representam apenas uma pequena percentagem do mercado mundial, em comparação com o petróleo e outros recursos fundamentais.

Porque é que a China está interessada nas Caraíbas?

À medida que as tensões aumentam nas Caraíbas, surgem dúvidas sobre se as ameaças de Trump se traduzirão em ações militares reais ou se são apenas uma forma de pressionar Maduro a abandonar o poder. Mas há um ator internacional que está a assistir silenciosamente ao desenrolar de tudo isto: a China.

No dia 3 de dezembro, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, afirmou que o encerramento do espaço aéreo venezuelano viola as normas internacionais e ofende a soberania nacional, acrescentando que o seu país rejeita a interferência nos assuntos internos da Venezuela “sob qualquer pretexto” e pedindo a todas as partes para manterem a América Latina como uma “zona de paz”.

Pequim tem desenvolvido fortes laços com vários países latino-americanos, incluindo a Venezuela, como parte de uma estratégia para expandir a sua presença em regiões há muito dominadas pelos Estados Unidos.

Desde a era de Chávez, que defendia um sistema internacional multipolar, a China tornou-se o principal destino do petróleo venezuelano, comprando 268 mil barris por dia em 2024.

Os observadores acreditam que qualquer ação militar dos EUA na Venezuela é suscetível de aumentar as preocupações regionais, mas é improvável que o gigante asiático intervenha militarmente para proteger os países latino-americanos, uma vez que a estratégia da China se centra na utilização da influência do desenvolvimento para atingir objetivos políticos, sem se comprometer a defender os seus parceiros.

A Venezuela compra uma variedade de meios de combate, desde equipamento de controlo de motins a mísseis e, possivelmente, no futuro, caças, e Pequim vendeu equipamento militar à Argentina, Bolívia e Equador.

Israel ataca no sul e leste do Líbano na última violação da trégua

O contínuo bombardeamento israelita suscitou duras críticas por parte da ONU, que registou dezenas de mortes de civis.

Os militares israelitas levaram a cabo uma onda de ataques aéreos em áreas no sul e leste do Líbano, na mais recente violação quase diária de um cessar-fogo com mais de um ano de existência.

Um correspondente da Al Jazeera no terreno disse que os ataques tiveram como alvo al-Jabour, al-Qatrani e al-Rayhan no sul do país, bem como as regiões de Buday e Hermel no Vale de Bekaa, no leste do Líbano.

Outro ataque teve como alvo Wadi Al-Qusayr, na cidade de Deir Siryan, no sul.

Israel afirma que tem como alvo agentes do Hezbollah e locais de armas, para pressionar o grupo armado libanês a desarmar-se.

O Hezbollah recusou-se veementemente a renunciar ao seu arsenal enquanto Israel bombardear e ocupar partes do Líbano.

As tensões aumentaram ainda mais semanas atrás quando Israel bombardeou os subúrbios ao sul de Beirute matando o principal comandante militar do Hezbollah Tyy em Talma. O grupo ainda não respondeu, mas disse que o fará no momento certo.

O contínuo bombardeamento israelita suscitou duras críticas das Nações Unidas, que relataram em Novembro que pelo menos 127 civis, incluindo crianças, foram mortos no Líbano desde que o cessar-fogo entrou em vigor no final de 2024. Funcionários da ONU alertaram que os ataques equivalem a “crimes de guerra”.

Os ataques ocorrem no momento em que o Líbano e Israel enviaram recentemente enviados civis para um comité que monitoriza o seu cessar-fogo pela primeira vez em décadas, uma medida que visa expandir o envolvimento diplomático.

No entanto, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, criticou a decisão do Líbano de enviar o antigo embaixador Simon Karam às conversações, chamando-a de uma “concessão gratuita” a Israel.

As autoridades libanesas expressaram frustração com os ataques quase diários de Israel.

Manter-se hidratado no inverno é mais importante do que pensa



 De&nbspTheo Farrant&nbsp&&nbspAP

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Manter-se hidratado pode ser surpreendentemente difícil durante os meses de inverno, mas os especialistas em saúde dizem que é tão importante – se não mais – do que no verão.

Yadira Santiago Banuelos, professora assistente clínica e enfermeira de família praticante na Escola de Enfermagem da Universidade de Purdue, afirma que a hidratação desempenha um papel fundamental em tudo, desde a saúde da pele à imunidade, quando as temperaturas descem.

“Quando estamos bem hidratados por dentro, também estamos melhor hidratados por fora, ajudando com a pele seca”, disse Banuelos. “Também ajuda a lubrificar as nossas articulações, o que é definitivamente desejável quando estamos a limpar a neve.”

A hidratação também apoia o sistema imunitário durante a época alta de gripes e constipações. “Ajuda a fornecer uma espécie de camada de membrana mucosa húmida que ajuda a prevenir vírus, bactérias e coisas do género durante o inverno”, acrescentou.

Porque é que a desidratação no inverno pode passar despercebida

Banuelos diz que as pessoas subestimam frequentemente o risco de desidratação nos meses mais frios.

“Normalmente, durante o inverno, não associamos tanto esses meses à desidratação”, afirma. “Por isso, não pensamos ativamente em beber água suficiente durante esses meses.”

Ao mesmo tempo, a resposta do corpo à sede torna-se mais fraca. “Os nossos recetores da sede diminuem cerca de 40%”, explicou Banuelos, o que significa que as pessoas podem já estar desidratadas quando sentem sede.

O tempo frio também contribui de formas menos óbvias. O ar seco retira a humidade da pele, as pessoas urinam com mais frequência no inverno e o suor continua a aparecer, mesmo que seja menos visível.

“Continuamos a suar, mas muitas vezes não damos tanto por isso, porque o frio tende a evaporar-se muito mais rapidamente”, afirmou.

Quais são os riscos da desidratação para a saúde?

De acordo com Banuelos, a desidratação pode causar uma grande variedade de sintomas, dependendo da sua gravidade, incluindo tonturas, pele seca, lábios gretados, sensação de desmaio, nevoeiro cerebral e fadiga.

Uma desidratação mais prolongada pode ser muito mais grave. “Pode definitivamente aumentar os efeitos secundários mais graves, incluindo problemas nos rins, como insuficiência renal, aumento do risco de pedras nos rins”.

De quanta água precisa realmente?

O conselho comum de beber oito copos de água por dia pode não ser suficiente para todos.

“Os homens normalmente precisam de aproximadamente mais, como 13 copos (cerca de 3 litros) de água por dia”, disse Banuelos. “E as mulheres precisam de uma média de cerca de nove copos (cerca de 2 litros) de água por dia.”

As necessidades podem aumentar durante a gravidez ou a amamentação, quando as mulheres podem necessitar de níveis de ingestão semelhantes aos dos homens.

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