Durigan prepara novo texto da PEC do BC com Galípolo


O ministro da Fazenda, Dario Durigandisse à Folha que há um acordo com o presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolopara que um novo texto da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que trata da autonomia financeira da autarquia seja apresentado por ambos.

Sem entrar em detalhes, Durigan disse que a proposta será entregue em breve para corrigir pontos que ele considera problemáticos no texto atual.

Galípolo também informou a senadores que vai enviar nova proposta, segundo pessoas próximas às discussões.

A PEC do BC tramita no Senado desde 2023 e enfrenta resistência do PT e de integrantes do governo Lula. Na semana passada, o relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM), apresentou uma proposta que transformaria o BC em “entidade pública de natureza especial”, com autonomia orçamentária e financeira. O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), apresentou voto em separado propondo a rejeição da PEC. A votação foi paralisada por um pedido de vista coletivo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Auxiliares de Lula reclamam que a PEC dá autonomia excessiva ao BC —o governo resiste em abdicar do controle sobre o órgão que opera sob o regime de autarquia. Por isso, o novo texto resultante desse acordo entre Durigan e Galípolo não deverá trazer nenhuma menção às palavras autonomia e independência, ainda que estabeleça algum tipo de emancipação financeira do BC.

Para o PT, essa é uma questão relevante, uma espécie de “bandeira política” da qual o partido não abre mão.

Dario Durigan, ministro da Fazenda

Adriano Machado/REUTERS

Interlocutores afirmam que a ideia é dar liberdade ao BC para investir em projetos e em tecnologia, porém mantendo o controle estatal sobre concursos e salários de servidores.

Segundo o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), Galípolo e Durigan se reuniram nesta segunda-feira (25) para tratar do tema e superar diferenças, atendendo a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durigan também conversou com Otto sobre a votação da PEC.

O presidente da CCJ considera que o parecer apresentado por Plínio Valério (PSDB-AM) está “redondo” e será colocado em votação na CCJ em sessão presencial após o retorno do feriado de Corpus Christi (4). “Não tem mais o que fazer. Eu vou colocar para votar”, disse o senador baiano.

“Deve ter ser apresentada alguma solução ao relator e ao presidente da CCJ. Isso está sendo construído. Estamos arredondando mais”, disse o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), ao comentar a posição do senador Otto Alencar.

Wagner disse que não falaria sobre o mérito da nova proposta.

Procurado, o BC não respondeu ao pedido de informações até a publicação desta reportagem.

A PEC estende a independência operacional, obtida pelo regulador há cinco anos, a uma autonomia também administrativa, contábil, orçamentária e financeira. Além disso, altera a sua natureza jurídica para uma entidade pública de natureza especial. A proposta busca consolidar a autonomia plena do BC, segundo o relator.

Pelo parecer, o BC passaria a ter regime orçamentário próprio, custeado por receitas próprias, desvinculado do orçamento fiscal da União. A autonomia financeira seria consolidada com gestão independente, sem necessidade de dotações anuais, e com reserva de resultados para preservar o patrimônio.

“O governo não quer a PEC. Não quer nada. Não quer melhorar o país”, criticou o relator.

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Valério disse à Folha que aceita incluir no seu relatório ajustes que sejam para melhorar o texto e alertou que, se a proposta do governo for para alterar o trecho que trata a da natureza, “a PEC não existe”. “[Só mudo] Se for bom, para melhorar”, disse.

O relator defendeu a aprovação de seu substitutivo para resguardar a blindagem constitucional do Pix. Seu parecer garante a gestão do Pix pelo BC e a gratuidade desse sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Segundo Valério, o governo estava pressionando muito o comando da CCJ para não colocar em votação a PEC.

O governo Lula avalia que o problema do BC é orçamentário e que será preciso dar mais recursos ao órgão para custear o Pix e garantir mais eficiência à fiscalização para não acontecer o que ocorreu com o Banco Mestre.

A gestão Lula, no entanto, é contra mudar a contabilidade pública e fazer uma série de mudanças de governança do BC. Na avaliação do governo, alteração pode ser mais pontual, o que contrasta com a posição de integrantes do BC manifestada a senadores em defesa da PEC.

QUADRO DE CRISE

Na semana passada, o presidente do BC passou um duro recado aos senadores cobrando a responsabilidade deles em não aprovar com urgência a PEC, sob o risco de a falta de recursos asfixiar a atuação do órgão.

Durante audiência na CAE, Galípolo chegou a pedir “pelo amor de Deus” para o Congresso aprovar a autonomia para garantir mais recursos para a fiscalização do setor financeiro.

“Tinha uma voz corrente nessa cidade dizendo que existia um ao banco que foi injustiçado. Se existiu uma governança que liquidou aquele banco, que em seis meses entregou, foi a governança do BC. Agora, se o Senado realmente quer ajudar a governança do BC, pelo amor de Deus, ele aprova [a PEC]”, afirmou, sem citar diretamente o Banco Mestrede Daniel Vorcaro, liquidado em novembro.

Apresentando gráficos e tabelas, Galípolo traçou um retrato de redução do quadro de pessoal do BC com riscos para o funcionamento do sistema de pagamentos do país.

“O Banco Central da Nigéria tem, o do México tem, o da Inglaterra tem, o de Portugal tem. Todos esses bancos centrais têm recursos para poder competir com um sistema financeiro que tem muito recurso. O meu pessoal é isso aqui, ó”, disse Galípolo, mostrando um papel aos senadores com dados da evolução do número de servidores do BC, que caiu de 5.072, em 2006, para 3.300 neste ano.

O presidente do BC tem alertado para o risco de asfixia e perda de capacidade técnica da instituição caso a prefeitura não conquiste a autonomia. “Se ficar cobrando mais e não dar recurso, a gente está querendo mesmo que o Banco Central faça um processo de supervisão fiscal de duração menor”, criticou.

Com palavras fortes, ele disse que o BC não aceitará jogo político: “O meu receio é que o fato do BC não negociar o seu mandato faça o BC ser asfixiado porque não entra no jogo político”

Nessa segunda-feira (25), Galípolo falou de novo sobre a PEC em entrevista coletiva no BC e disse que o texto é resultado de negociação com a equipe econômica e consolidado pela AGU (Advocacia-Geral da União).

“A opção que foi colocada ali para ser tratada daquela maneira veio efetivamente da equipe econômica”, disse o chefe do órgão, numa sinalização de que o parecer já é fruto de negociações com a área fiscal do governo.

Na base do governo, no entanto, o texto é lido como um projeto do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro (PL-RJ).

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirma que não existe uma “oposição radical” do governo à proposta. O pedido de vista, segundo ele, foi negociado para discutir os pormenores do texto. A queixa de Galípolo, de que a autarquia vive um estrangulamento financeiro, é legítima, na sua opinião.

A preocupação do governo, diz Randolfe, é que a ampliação da autonomia não exponha o BC a pressões do mercado financeiro. “A gente acha pertinente questionar se tivesse essa autonomia toda era possível a intervenção que o Banco Central fez no Banco Master”, disse.

SERVIDORES

A queixa da base governista dialoga com o posicionamento de sindicatos como Sinal (Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central) e do Sindsef-DF (Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Distrito Federal), que veem no texto um risco de enfraquecimento institucional da autarquia. Os sindicatos também se queixam que o regime laboral deixaria de ser o do regime único da União e passaria a um serviço público regido pela CLT.

Edison Cardoni, diretor jurídico da Condsef (Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal) e servidor do BC aposentado, afirma que o BC não consegue explicar qual é o seu déficit de financiamento.

Quanto ao quadro de servidores, ouviram do BC que a prefeitura fez uma nova solicitação ao Ministério da Gestão, agora para chamar 560, que se somariam ao 250 recém-empossados.

Há ainda a preocupação com o impacto da medida sobre a dívida pública, que poderia crescer entre 15% e 20%, segundo o senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE, que é contrário à proposta.

Omar Aziz (PSD-AM) diz que os números apresentados por Galípolo em audiência na CAE tornam urgente melhorar a autonomia financeira da autoridade monetária. Um dos dados que o senador considerou sensível foi a de que cada servidor supervisiona hoje cerca de 20 instituições.

Para o senador Espiridião Amin (PL-SC), a atual versão do relatório corrige distorções e viabiliza a aprovação. Um trecho, disse, previa que caberia ao BC a elaboração da lei complementar que regularia suas atividades. O texto lido pelo relator Plínio Valério excluiu essa previsão.

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TCU julga atuação do Tesouro em empréstimo aos Correios e pode influenciar nova operação


Um julgamento do TCU (Tribunal de Contas da União) previsto para esta quarta-feira (27) é considerado decisivo para o futuro das negociações de um novo empréstimo para os Correiosque ainda procure mais R$ 7 bilhões para ganhar fôlego financeiro e executar seu plano de reestruturação.

O tribunal analisa a atuação do Ministério da Fazendaconcessão da garantia soberana ah primeira operação, de R$ 12 bilhõescontratada no fim do ano passado. O aval significa que a União honrará os pagamentos em caso de inadimplência.

No parecer técnico, os auditores apontaram irregularidades que levaram a União a “assumir risco fiscal relevante” e pedem a apuração de responsabilidades no âmbito do Tesouro Nacional, o que pode gerar punição a servidores envolvidos na solução. Em eventual processo, eles responderiam com o próprio CPF.

Fachada do TCU (Tribunal de Contas da União); corte julga atuação do Ministério da Fazenda em empréstimo aos Correios

Gabriela Biló – 14.abr.23/Folhapress

As recomendações dos auditores ainda serão submetidas ao plenário da corte de contas, mas acenderam um alerta no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do risco às futuras negociações. Dentro da empresa, o resultado do julgamento é visto como crítico para o sucesso da nova negociação.

Caso o tribunal ratifique a leitura da área técnica e aponte irregularidades na concessão da garantia, a decisão poderia prejudicar as chances de a estatal conseguir negociar um novo empréstimo com as instituições financeiras, já que a garantia da União é condição essencial para viabilizar a operação a um custo menor.

Por outro lado, se o TCU entender que não houve irregularidade ou apenas recomendar algum tipo de aprimoramento, esse sinal pode até facilitar as negociações do novo crédito diante da percepção de maior segurança jurídica.

Um segundo processo relacionado aos Correios também será julgado nesta quarta, nesse caso para analisar a robustez do plano de reestruturação em si. O documento elencou medidas de arrecadação (como venda de imóveis e novas parcerias) e redução de despesas (fechamento de agências, mudanças no plano de saúde e programa de demissão voluntária). Ambos são relatados pelo ministro Benjamin Zymler.

No processo que analisa a atuação da Fazenda, a área técnica do TCU apontou irregularidades na garantia concedida pelo Tesouro ao empréstimo dos Correios e propôs a instauração de um processo específico para apurar as responsabilidades. Procurado por meio de sua assessoria, o Tesouro não quis comentar.

De acordo com os auditores, há indícios de falhas no processo interno que analisou a capacidade de pagamento da empresa para a concessão da garantia, que foi determinante para o fechamento da operação. Além disso, eles avaliam se houve omissão do Tesouro na hora de analisar, de forma efetiva, a saúde financeira da empresa e eventuais riscos futuros de calote.

Ao elaborar a arquitetura legal que abriu caminho à operação de crédito, os técnicos do Tesouro buscaram se blindar mediante respaldo superior às decisões. Um dos principais exemplos disso foi o decreto que permitiu ao órgão considerar as projeções do plano de recuperação da empresa na decisão de conceder ou não a garantia.

Como mostrou a Folhaa elaboração do decreto foi um pedido formal da CGPar (Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União), colegiado formado pelos então ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Rui Costa (Casa Civil) e pela ministra Ester Dweck (Gestão e Inovação).

O decreto em si foi assinado pelo presidente Lula, Haddad e Dweck. Depois, uma portaria do Ministério da Fazenda estabeleceu critérios mínimos para que o Tesouro considerasse as medidas do plano na análise da garantia, autorizando inclusive a solicitação de documentos e informações complementares.

Para os auditores do TCU, o Tesouro falhou ao não fazer uma avaliação crítica do plano apresentado pelos Correios. Segundo eles, o documento não passou por validação externa nem no âmbito do Ministério das Comunicações, nem na CGPar. Ainda assim, afirmam, o Tesouro assumiu o risco de usá-lo como base para a concessão da garantia.

“E STN [Secretaria do Tesouro Nacional] não validou as premissas do plano de reequilíbrio, não examinou a factibilidade dos ajustes propostos, não analisou indicadores de solvência e não confrontou a deterioração estrutural da geração de caixa dos Correios, apesar da existência de evidências robustas de risco fiscal elevado, amplamente documentadas no Relatório de Fiscalização”, diz o pronunciamento da Diretoria de Fiscalização da Regularidade Orçamentária do tribunal.

“A análise restringiu-se à verificação da existência formal de fluxos de caixa projetados no plano, sem avaliação crítica de sua consistência, ainda que o próprio contexto revelasse deterioração expressiva do fluxo de caixa operacional, esgotamento do colchão de liquidez, rigidez de custos estruturais e dependência de financiamento para manutenção da operação.”

Outro ponto questionado pelos técnicos foi a rapidez da tramitação formal do plano. Segundo o TCU, o Tesouro recebeu o plano em 27 de novembro de 2025 e uma versão atualizada em 15 de dezembro, cinco dias após a aprovação na CGPar, ocorrida em 10 de dezembro. A garantia foi autorizada em 18 de dezembro, apenas três dias úteis após o órgão receber a versão final do plano.

Para os técnicos, esse intervalo reduzido reforça a conclusão de que houve apenas análise formal da documentação, sem aprofundamento compatível com a complexidade da operação e com os riscos envolvidos.

“Como consequência dessa atuação, a União assumiu risco fiscal relevante ao conceder garantia à empresa com desequilíbrio estrutural, sem lastro em análise substancial de solvência, ampliando a probabilidade de materialização futura da garantia, com impacto direto sobre o resultado fiscal e sobre a dívida pública”, diz o documento.

Segundo a área técnica, caso a baixa probabilidade de pagamento do empréstimo seja confirmada, a operação pode ter funcionado, na prática, como mecanismo de postergação de despesas primárias e de impacto sobre a dívida bruta do governo.

Equatorial e acionistas da Aegea entregam propostas para disputar privatização da Copasa


O posto de investidor de referência da Copasaestatal mineira de saneamentoserá disputado pela Equatorial e por um consórcio formado pela Aegea e seus acionistas: Equipav, GIC (fundo soberano de Singapura) e Itaúsa. A informação foi antecipada pelo jornal Valor Econômico e confirmada pela Folha.

As propostas foram entregues nesta segunda-feira (25) e incluem o valor por ação que cada grupo está disposto a pagar para arrematar 30% da companhia. O finalista —que o Governo de Minas Gerais deve anunciar nesta quarta (27)— será quem tiver oferecido o maior preço.

Após a divulgação, a gestão mineira também deve abrir a etapa de oferta ao mercado geral, no processo de “bookbuilding”, em que investidores indicam a quantidade de ações que querem comprar. Essa fase vai distribuir outros 15% da Copasa e será concluída na próxima terça-feira (2).

Estação de Tratamento de Esgoto da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais)

Caso o processo de bookbuilding seja finalizado com uma precificação maior do que a ofertada pelo candidato a acionista de referência, todos os 45% serão diluídos na Bolsa, e o sócio estratégico será desclassificado. Ou seja, se o mercado oferecer pagar mais por ação do que a Equatorial ou o consórcio da Aegea, a privatização da Copasa vai ser concluída no formato de corporation, sem um controlador definido.

Segundo pessoas a par do processo, a liquidação das ações está prevista para acontecer no dia 8 de junho.

Nesta terça, a Itaúsa anunciou que apresentou proposta na Copasa através de um veículo de investimentos. Cada acionista da Aegea (Equipav, Itaúsa e GIC) tem aproximadamente 33% nesse veículo, enquanto a Aegea tem 1%.

A Aegea já era apontada como uma das candidatas a participar da privatização. Um consórcio com os acionistas também era esperado, já que a companhia vem passando por um escrutínio do mercado após reapresentar seu balanço financeiro de 2024 com uma baixa contábil de R$ 5 bilhões.

Já a Equatorial era sondada para disputar o posto de acionista de referência em parceria com a Sabesp. No entanto, segundo pessoas a par do processo, a companhia de saneamento de São Paulo desistiu da operação.

A decisão veio pouco depois de o CEO da Sabesp, Carlos Piani, demonstrar insatisfação com o modelo da privatização da estatal mineira. Segundo ele, o timing estaria muito corrido, e os riscos envolvendo o projeto seriam maiores.

Em São Paulo, a Equatorial é o investidor de referência da Sabesp. A companhia —originalmente do setor de energia— arrematou 15% da Sabesp na privatização em julho de 2024 e assumiu a operação em conjunto com o Governo de São Paulo.

Folha Mercado

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“A iniciativa evidencia os objetivos de longo prazo da Aegea e o seu posicionamento como uma plataforma relevante no setor de saneamento, reforçando o pilar de disciplina financeira com foco em preservação de liquidez e estrutura de capital adequada”, escreveu a Aegea a investidores.

Em nota a Equatorial disse estar sempre atenta às oportunidades em suas áreas de atuação, mas que não comenta sobre possibilidades de negócios ou aquisições.

Já a Copasa disse que o Governo de Minas Gerais está em período de silêncio devido ao processo de oferta pública.

“Para assegurar o estrito cumprimento das diretrizes da Comissão de Valores Mobiliários e evitar interpretações que possam comprometer o rito legal da oferta, estamos momentaneamente impossibilitados de nos manifestar sobre temas relacionados à operação ou ao desempenho da companhia”, disse.

Na opinião de Christianne Dias, diretora-presidente da Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento), o interesse de dois participantes é um resultado positivo para o processo de privatização da Copasa.

“O pessoal costuma comentar a pouca concorrência no setor de saneamento, mas não vejo dessa maneira. Todos os leilões acabam tendo entrantes, mas, pela natureza do ativo, vão selecionando os grupos que têm apetite para determinado tipo de risco, volume de investimento”, diz.


RAIO-X | COPASA

  • Fundação: 1963
  • Lucro líquido 2025: R$ 1,42 bilhão
  • Funcionários: 9.400
  • Municípios atendidos: 636

Construtoras levam PPP inédita de aluguel social, no Recife, em leilão sem concorrentes


O Consórcio Habitação Social Recife, composto por CPM Construtora e Sanco Engenharia, arrematou a PPP (parceria público-privada) de locação social do Recife, batizada de Morar no Centro, em leilão realizado nesta terça-feira (26) na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. O certame teve somente um único participante.

As empresas vencedoras não ofereceram desconto sobre a contraprestação mensal máxima definida pelo poder público no edital, que é de R$ 2,45 milhões.

Vista do entardecer no centro do Recife

Antônio Guadério – 28.fev.14/Folhapress

Segundo o Ministério das Cidades, essa é a primeira PPP de locação social vinculada ao Minha Casa, Minha Vida e busca contemplar famílias de baixa renda em áreas bem localizadas.

Os moradores viverão nos imóveis pagando aluguel mais baixo. O valor total, considerando aluguel mais condomínio, deverá comprometer, no máximo, de 15% a 25% da renda familiar dos beneficiados, de acordo com a Prefeitura do Recife.

O contrato de concessão tem prazo de 25 anos e foi feito pelo modelo patrocinado, no qual a concessionária recebe recursos do ente público e também das tarifas cobradas ao usuário. A previsão de investimentos é de cerca de R$ 266 milhões.

A concessionária vencedora deverá implantar, manter e operar seis empreendimentos no centro do Recife, totalizando 1.128 unidades habitacionais, sendo 637 destinadas à locação social para famílias com renda entre 1 e 3,5 salários mínimos e 491 voltadas à venda para famílias enquadradas nas faixas 2 e 3 do Minha Casa, Minha Vida.

O projeto prevê também uso das fachadas ativas para atividade comercial, gestão condominial, gestão de carteira e trabalho técnico social com as comunidades.

Além da contraprestação paga pelo poder público, a concessionária receberá também receitas de alienação de unidades, pagamento de aluguéis pelas famílias e exploração comercial das fachadas ativas.

De acordo com o Ministério das Cidades, a empresa vencedora terá direito a garantias estruturadas por meio da conta vinculada com recursos do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Também terá compartilhamento de riscos de vacância e inadimplência com o poder público.

Ainda segundo a pasta, a expectativa do governo é de que a carteira federal de PPPs de locação social se expanda também para Campo Grande e Maceió. Esses projetos terão apoio do FEP (Fundo de Apoio à Estruturação de Projetos), com assessoria técnica da Caixa Econômica Federal e com coordenação do PPI.

A meta do governo federal é chegar a 12 projetos-piloto nessa primeira etapa, mirando especialmente áreas com infraestrutura, empregos e serviços.

Segundo Frederico Ribeiro, sócio da Radar PPP, a presença de um único licitante não necessariamente reduz a relevância do projeto.

“PPPs habitacionais ainda são um segmento relativamente novo no Brasil, com contratos assinados apenas no estado de São Paulo —tanto pelo município quanto pelo governo estadual. Trata-se de uma área que envolve desafios específicos de estruturação, financiamento e gestão operacional”, diz.

“Os centros urbanos ganharam novas possibilidades de investimento e é muito bom ver a iniciativa privada se alinhando ao poder público neste desafio inovador da política habitacional. Um desafio que contempla tanto as reformas de prédios abandonados, como a provisão de locação social para outros perfis da política habitacional”, afirma Mariana Chiesa, sócia da Manesco Advogados.

Relatório do PL dos combustíveis cria benefício de até R$ 600 mi para etanol e contempla aviação


A relatora do Projeto de Lei Complementar (PLP) que permite usar a receita extraordinária do petróleo para abater tributos dos combustíveis criou dispositivos para beneficiar o agronegócio, em especial o setor de etanol, e obrigar que a isenção seja repassada ao consumidor final, e incluiu o setor de aviação no escopo da proposta.

Por outro lado, ficou de fora da nova versão do texto, publicada nesta terça-feira (26), a previsão de que os produtores rurais pudessem utilizar parte dessa arrecadação extra para renegociar suas dívidas.

Bomba de combustível –
Alain Jocard – 9.mar.2026/AFP

Entre os pontos criados pela relatora, a deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), está um benefício fiscal de até R$ 600 milhões para produtores de etanol. O benefício permite que eles usem créditos da isenção de PIS e Cofins para abater dívidas tributárias com a Receita Federal.

O texto também amplia a isenção de insumos agropecuários criada pela Reforma Tributária e prevê que qualquer benefício concedido a combustível fóssil, como gasolina e diesel, deve ser igualmente aplicado para seu equivalente em biocombustível, mantendo ainda as vantagens competitivas das alternativas sustentáveis.

Integrantes da Câmara dos Deputados afirmam, sob reserva, que o texto foi elaborado após acordo com o Ministério da Fazenda —a relatora teve reuniões na pasta durante a tarde desta terça.

Desde EUA e Israel atacaram o Vaiem março, o estreito de Hormuz —por onde passa 80% do óleo mundial— foi fechado. Por isso, o barril do petróleo comercializado no mundo todo subiu para mais de US$ 100 —R$ 504,65, na cotação desta terça-feira (26)— o que por um lado aumentou o preço dos combustíveis, mas também a arrecadação com sua exportação.

O PLP 114/2026 foi protocolado no início de abril pelo líder do governo Lula (PT) na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), e cria uma exceção na Lei de Responsabilidade Fiscal para usar essa receita extraordinária como forma de combater a alta dos combustíveis.

Em especial, o objetivo era ampliar os benefícios já criados para o diesel (subvenção e isenção de PIS/Cofins, por exemplo) também para a gasolina, o que permitiria que a Petrobras aumentasse o preço deste segundo combustível sem impactar o valor comercializado nos postos —portanto, sem impacto ao consumidor final.

O Palácio do Planalto avalia que o preço da gasolina pode impactar negativamente a popularidade de Lula, o que pode ser prejudicial na corrida eleitoral deste ano contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Diante da demora da Câmara dos Deputados para avançar com a matéria, o Executivo editou uma medida provisória que também prevê o uso da arrecadação extraordinária do petróleo para criar uma subvenção aos combustíveis.

Nesta segunda-feira (25), inclusive, o Ministério da Fazenda estipulou esse benefício em R$ 0,44 por litro.

Na prática, isso já abre o caminho para que a Petrobras aumente o preço da gasolina vendida no Brasil, sem que isso tenha um impacto para o consumidor. A estatal não realiza um reajuste desde julho de 2024o que faz com que ela esteja acumulando prejuízo ou menos lucro uma vez que o preço do petróleo subiu com a guerra não irã.

A medida provisória, porém, tem vigência de quatro meses, o que faz com que, caso não seja aprovada pelo Congresso até lá, ela deixe de valer.

Já o Projeto de Lei Complementar tem como escopo todo o ano de 2026, enquanto durar o conflito no Médio Oriente.

A nova versão da proposta também obriga o pagamento da subvenção em 30 dias. Caso contrário, o Executivo é obrigado a pagar juros equivalentes à taxa Selic pelo atraso.

O PLP incluiu, dentro do rol sujeito a isenção de tributos, o querosene de aviação, que teve forte alta com a elevação do preço do petróleo no mundo todo e causou também um aumento no preço das passagens aéreas.

O relatório de Boldrin, porém, não incluiu um dispositivo, defendido pelo agronegócio, para que parte dessa arrecadação fosse usada para renegociar dívidas do setor —segundo integrantes da área, o governo Lula não aceitou a inclusão.

A expectativa é que esse mecanismo pudesse render até R$ 20 bilhões ao agro.

Paralelamente, o Senado debate um projeto de lei que prevê a destinação de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para renegociar dívidas de proprietários rurais.

O texto está sob relatoria de Renan Calheiros (MDB-AL) e o agronegócio calcula precisar de algo em torno de R$ 120 bilhões a R$ 180 bilhões para dar conta do endividamento do setor, mas ainda não houve consenso sobre a proposta.

Por outro lado, a deputada criou um dispositivo que permite a produtores uma isenção de até R$ 600 milhões para tributos “vencidos ou vincendos” (ou seja, que seja devido ou ainda a pagar) com a Receita Federal.

O relatório de Boldrin ampliou a isenção criada pela Reforma Tributária para insumos agropecuários, reduzindo de 50% para 30% o percentual mínimo de receita bruta de exportação para que o produtor rural esteja elegível ao benefício.

O novo texto também prevê que qualquer benefício concedido para os fósseis seja aplicado aos biocombustíveis, e mantendo suas vantagens competitivas.

Isso porque, por lei, biocombustíveis têm condições de mercado favoráveis com relação aos fósseis —a Reforma Tributária estabeleceu, por exemplo, um máximo de 90% de tributação para os tipos sustentáveis.

O objetivo da relatora é prever que diferenciais como este sejam mantidos no caso da isenção.

Ramaphosa tenta impedir o relatório Phala Phala e ameaça com uma liminar para suspender o processo de impeachment…

Ele afirma que o processo não pode prosseguir enquanto ele contesta a legalidade das conclusões do painel.
O presidente Cyril Ramaphosa pode ter cometido uma grave violação da Constituição, de acordo com as conclusões de um painel independente. Foto de arquivo: (Phando Jikelo)

O presidente Cyril Ramaphosa entrou com uma ação judicial buscando a revisão, declaração de ilegalidade e anulação do relatório do painel independente sobre o escândalo Phala Phala.

Moçambique debate acessibilidade nos transportes públicos em nova live sobre mobilidade inclusiva

A acessibilidade nos transportes públicos em Moçambique volta a estar no centro do debate público através de uma sessão online dedicada à mobilidade inclusiva e aos direitos das pessoas com deficiência. A iniciativa pretende levantar questões práticas sobre a capacidade real do sistema de transporte responder às necessidades de todos os cidadãos.

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Moçambique revê Lei de combate à violência baseada no género e abre consulta pública

O Governo de Moçambique, através do Ministério do Trabalho, Género e Acção Social (MTGAS), anunciou a abertura de uma consulta pública para a revisão da Lei N.º 29/2009, instrumento legal que regula o combate à violência baseada no género no país.

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Crise da Tok&Stok expõe problemas com gestão e juros altos no varejo brasileiro


Anunciado no dia 12 de maio, o pedido de recuperação judicial do grupo Tokycontrolador da Tok&Stok e da Mobly, expõe um cenário comum entre empresas que recorrem à mediação do Judiciário para evitar a falência. Especialistas apontam que a atual onda de dificuldades, principalmente no varejoresulta de uma combinação de gestão ineficiente, consumo enfraquecido, juros elevados e restrição no acesso ao crédito.

É nesse contexto que se insere a Tok&Stok, com dívidas que superam R$ 1,1 bilhão e dificuldade para renegociar passivos que vinham se acumulando desde 2024, quando a companhia entrou em recuperação extrajudicial.

Após não conseguir equacionar suas contas, a companhia voltou ao Judiciário para administrar uma dívida que dobrou em tamanho. Sem conseguir respiro na operação diária e sem condições de honrar seus compromissos, o grupo afirma que a recuperação é a única forma de manter suas atividades.

Unidade da Tok&Stok em São Paulo

Felipe Gabriel/Folhapress

Atualmente, mais de 5.931 empresas estão em alguma fase de recuperação judicial no país, segundo dados do Monitor RGF. Em 2025, o Brasil registrou, pelo segundo ano consecutivo, recorde no número de pedidos, com 977 empresas recorrendo ao Judiciário. Apenas no primeiro trimestre de 2026, foram deferidos 319 processos.

Especialista em reestruturação de empresas, Max Mustrangi, CEO da consultoria Excellance, avalia que o componente principal da crise começou no período que antecede a escassez do mercado de crédito, justamente quando as empresas alavancaram suas operações em um cenário de juros mais baixos.

Com o fim do governo Dilma e um ciclo de juros em queda, cujas mínimas históricas ocorreram entre 2020 e 2021, tomar empréstimos no mercado de crédito ficou barato. As empresas utilizaram esse dinheiro para promover expansões, montar novas unidades de negócio, melhorar tecnologia interna e realizar aquisições para, mais adiante, ter retorno.

Esse cenário foi drasticamente revertido com o aumento da inflação durante a pandemia da Covid-19, as mudanças na política fiscal e o ciclo de alta da taxa de juros no final de 2021.

Nesse meio tempo, o Brasil ainda lidou com escândalos como a crise das Lojas Americanasque fez com que os bancos mudassem de postura em relação a diversos setores —principalmente o varejista.

“O custo do capital fica muito caro, começa a cobrar sua conta através de juros, comendo mais fluxo de caixa. E como os negócios não dão resultados, são prejuízos acumulados, os novos pontos são deficitários e acabam tomando o lucro do que sobra”, afirma Mustrangi.

Ele critica empresas que fizeram expansões de mercado “comprando market share”, ou seja, apostando todas as fichas em publicidade e preços baixos para conquistar mercado sem obter lucratividade. Parte da crise de alavancagem das empresas em crise, avalia Mustrangi, decorre dessa tentativa de crescer sem criar valor de marca.

A TRÍADE DA CRISE

O advogado Bruno Tanus, do Andrade Maia Advogados, afirma que a nova fase da Tok&Stok, iniciada na fusão com a Moblyem 2024, já nasceu como uma tentativa de gerar ganhos operacionais e reequilibrar o endividamento da companhia. Segundo ele, a operação surgiu com um “viés de turnaround”, ou seja, voltada a conter a crise e reestruturar os negócios —o que acabou não ocorrendo.

na época, às TokStok obteve na Justiça aval para uma recuperação extrajudicialcom dívidas de R$ 641,6 milhões. Na extrajudicial, a empresa renegocia um acordo direto com credores e pede homologação do plano ao Judiciário.

A recuperação judicial neste momento do Brasil, afirma o advogado, acaba evidenciando problemas mais profundos do atual ciclo econômico, como o enfraquecimento do consumo, os juros elevados e a dificuldade de acesso ao crédito.

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“Essa tríade vem testando fortemente o mercado brasileiro nos últimos tempos e causando a avalanche de pedidos de recuperações judiciais que acompanhamos em diversos segmentos da economia. Com menos dinheiro circulando, o consumidor entra em modo de segurança. Sem geração de caixa e com dificuldade no acesso ao crédito e/ou na rolagem de dívidas, empresas que até podem ser operacionalmente saudáveis vem pedindo recuperação pelo estrangulamento da sua estrutura de capital”, diz Tanus.

Para o advogado Fábio Percegoni, do BVZ Advogados, a recuperação da Tok&Stok tem um peso simbólico “difícil de ignorar”, por se tratar de uma marca que representou o varejo de móveis aspiracional da classe média brasileira.

Em sua leitura, além dos problemas que decorrem das decisões da política monetária aplicada pelo Banco Centralo próprio comportamento do sistema financeiro acaba empurrando as empresas para o calabouço.

Com o aumento da inadimplênciaos bancos ficaram mais seletivos, elevando garantias, encurtando prazos e olhando com desconfiança sobre empresas que apresentam condições de estresse.

Percegoni observa que a reforma da Lei de Recuperações, em 2020, foi um avanço importante porque previu o financiamento de empresas em crise e atribuiu a quem aporta recursos uma posição privilegiada de recebimento —a chamada superprioridade.

No mundo real, diz o advogado, esse instrumento ainda não tem a mesma profundidade de jurisdições maduras. Faltam linhas estruturadas dos bancos de varejo, sobra insegurança jurídica, e falta a criação de um mercado de fundos especializados em ativos estressados.

“A consequência é que muitas empresas chegam à recuperação judicial apresentando um plano que, na prática, não tem como ser executado —porque executar uma reestruturação custa dinheiro, e esse dinheiro precisa vir de algum lugar. Quando não vem, a RJ acaba operando como antessala da falência, e perde-se o valor que o instituto foi desenhado para preservar: emprego, cadeia de fornecedores, recuperação maior aos credores do que numa liquidação.”

Sócia da Tahech Advogados, a advogada Laura Nogarolli diz que a recuperação servirá como um “escudo” para a companhia criar condições de negociar uma saída e implementar a solução adequada para honrar seus compromissos. O instrumento da recuperação judicial, explica ela, é o fôlego para que empresas economicamente viáveis superem crises de liquidez severas e evitem a falência.

“Diante dos fatos expostos pela Companhia e da situação do mercado atual, conclui-se que o ajuizamento da recuperação judicial pelo Grupo Toky é um instrumento jurídico não apenas adequado, mas imperativo frente ao exaurimento das vias negociais extrajudiciais e ao estrangulamento do caixa operacional.”

Filho suspeito de matar dono da Mango diz que acusação é infundada


Jonathan Andic, filho do fundador da Mango, classificou como “grave, injusta e infundada” a acusação de ser o responsável pela morte do paiIsak Andic, que caiu de uma montanha enquanto eles passeavam juntos em 2024.

“Há cerca de 17 meses perdi meu pai, em circunstâncias profundamente dolorosas para mim, para minha família e para as pessoas do nosso convívio próximo. A esse luto somou-se o fato de ter que conviver com a mais grave, injusta e infundada acusação que pode recair sobre uma pessoa”, afirmou em carta aberta publicada nesta terça-feira (26).

Jonathan Andic deixa cadeia na Espanha após pagar fiança

Lluis Gene/Reuters – 19.maio.26

Além disso, Jonathan anunciou que o seu afastamento temporário do cargo de vice-presidente que ocupava na loja de roupas criada pelo pai.

“Tomo esta decisão com tristeza, mas convicto de que é o melhor para a companhia e para mim. Enfrento este processo com serenidade e firmeza, e preciso concentrar toda a minha energia em demonstrar minha inocência”, afirmou na sua primeira manifestação pública desde que foi acusado pela justiça de envolvimento na morte.

Andic, de 45 anos, chegou a ser preso na última terça-feira (19), mas deixou a cadeia após pagar fiança de 1 milhão de euros (R$ 5,82 milhões) para evitar a prisão preventiva.

A juíza determinou medidas cautelares adicionais como “a retirada do passaporte, proibição de saída do território e comparecimentos semanais ao tribunal”, enquanto prossegue a investigação por suposto homicídio.

Jonathan Andic decidiu afastar-se temporariamente de suas atividades na Mango, mas manterá “seus vínculos com outros projetos familiares, empresariais e sociais”, indicou.

“Quero expressar, de coração, que amei e amo profundamente os meus e, de uma maneira muito especial, meu pai. Vivemos juntos muitos momentos felizes, marcantes e cheios de carinho. Como acontece em tantas famílias, também tivemos momentos difíceis e complexos, que superamos com grande esforço, generosidade e apoio”, disse.

INVESTIGADORES FALAM EM “RELAÇÃO RUIM”

Isak Andic despencou de uma montanha em 14 de dezembro de 2024 enquanto fazia uma trilha em um conhecido local para a prática da atividade, nos arredores de Barcelona.

Jonathan, o mais velho de seus três filhos, era o único que o acompanhava na caminhada.

A suporta “relação ruim” entre pai e filho esteve desde o início no foco dos investigadores, como foi apontado pela juíza que investiga o caso.

Entre os indícios enumerados, a magistrada fez referência à “obsessão (…) pelo dinheiro” de Jonathan e apontou para uma “possível motivação econômica” derivada da intenção de Isak Andic de modificar seu testamento para criar uma fundação filantrópica.

Isak Andic, fundador da Mango, morreu após cair de montanha próxima a Barcelona

Divulgação/AFP

Como elementos suspeitos, os investigadores também mencionaram as várias visitas que Jonathan Andic teria feito ao local do acidente nos dias anteriores, assim como à posição da queda do fundador da Mango.

“As lesões que constam na autópsia praticamente afastam que a queda tenha sido resultado de um escorregão ou tropeço”, assinalou a decisão judicial.

O suspeito de cometer o crime negou a versão divulgada. “Construiu-se um relato público com uma visão parcial, descontextualizada e deturpada, que gerou uma percepção de culpabilidade alheia à realidade. Sei que desmontá-lo exigirá tempo, esforço e uma dedicação intensa”, afirmou Jonathan Andic.

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INVESTIGADO TEM APOIO DA EMPRESA E FAMÍLIA

O apoio ao filho de Isak Andic, que possuía uma das maiores fortunas da Espanha, continua, no entanto, firme por parte do seu entorno.

O presidente e CEO da Mango, Toni Ruiz, transmitiu nesta terça-feira a Jonathan “seu máximo respeito, compreensão e apoio”, informou a companhia em um comunicado, no qual reiterou que a empresa, “com uma equipe de mais de 18 mil pessoas em nível global” e presença em mais de 120 países, “se encontra no melhor momento de sua história”. Suas palavras foram subscritas pelo Conselho de Administração.

No mesmo sentido, a família Andic expressou “seu absoluto e incondicional apoio à decisão tomada por Jonathan de afastar-se temporariamente de sua dedicação à Mango para concentrar-se em sua defesa” e reiterou “sua plena confiança” em sua inocência.

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