Lagarde reconhece alterações na estrutura da economia europeia


A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, referiu que a economia da zona euro está a passar por uma mudança estrutural impulsionada pelo investimento em inteligência artificial, ao mesmo tempo que sublinhou que as decisões relativas às taxas de juro continuarão a depender totalmente dos dados, num contexto de incerteza persistentemente elevada.

Após a última reunião do ano do Conselho do BCE, que decidiu por unanimidade manter inalteradas as três taxas de juro diretoras, Lagarde afirmou que a política monetária está “numa boa posição”.

No entanto, deixou claro que esta avaliação não implica uma trajetória fixa ou previsível para as taxas.

Taxas de juro: sem orientações, todas as opções em aberto

Lagarde excluiu com firmeza a possibilidade de dar indicações sobre as taxas de juro, sublinhando repetidamente a abordagem do BCE, que se baseia numa abordagem “reunião a reunião”.

Os decisores políticos são unânimes em afirmar que “todas as opções devem permanecer em cima da mesa”.

Embora reconheça que as atuais definições de política económica são adequadas, Lagarde advertiu que “bom” não significa “estático”.

O Conselho do BCE está a acompanhar de perto o crescimento dos salários, a inflação dos serviços e a evolução do comércio mundial, que continuam a ser fontes de incerteza para as perspetivas de inflação. Essa prudência reflete-se nas últimas projeções dos especialistas do BCE.

O banco central espera agora um crescimento da área do euro de 1,4% em 2025, seguido de 1,2% em 2026 e de 1,4% em 2027 e 2028, com a procura interna a desempenhar um papel mais importante do que o anteriormente assumido.

As projeções para a inflação foram revistas ligeiramente em alta para 2026, refletindo uma descida mais lenta do que o previsto da inflação dos serviços. A inflação global deverá situar-se, em média, em 2,1% em 2025, abrandando abaixo do objetivo em 2026 e 2027, antes de regressar a 2,0% em 2028.

Lagarde sublinhou que a dinâmica salarial e os preços dos serviços continuarão a ser objeto de um exame atento, dada a sua importância para a persistência da inflação a médio prazo.

IA surge como um motor de crescimento fundamental

Uma das mensagens mais marcantes da conferência de imprensa diz respeito à composição do crescimento.

O investimento está a ser impulsionado pelas grandes empresas, bem como pelas pequenas e médias empresas, com a IA a desempenhar um papel central. As despesas têm-se centrado na capacidade de computação, nas redes de telecomunicações e nos ativos incorpóreos, como software e dados, em vez do tradicional capital físico.

Embora reconheça que a IA pode aumentar a produtividade ao longo do tempo, Lagarde alertou para o facto de não se poderem tirar conclusões prematuras sobre o seu impacto na chamada taxa de juro neutra.

Numa conjuntura marcada por choques geopolíticos, fragmentação do comércio e incerteza persistente, argumentou que esses parâmetros estruturais continuam a não ser observáveis e não foram discutidos pelo Conselho do BCE nesta reunião.

Euro digital e os ativos russos congelados

Relativamente ao euro digital, Lagarde afirmou que o BCE concluiu o seu trabalho técnico e preparatório, e que a responsabilidade cabe agora às instituições políticas.

O projeto, que visa a criação de um meio de pagamento digital público, está atualmente a ser analisado pelo Conselho Europeu e pelo Parlamento Europeu.

“A nossa ambição é garantir que, na era digital, exista uma moeda que funcione como uma âncora de estabilidade para o sistema financeiro”, afirmou Lagarde, enquadrando o euro digital como um instrumento de soberania monetária e não como uma inovação em si mesma.

Lagarde também abordou a questão sensível de saber se os ativos congelados do banco central russo devem ser utilizados para apoiar a reconstrução da Ucrânia.

Embora confiante de que os líderes europeus acabarão por encontrar uma solução, Lagarde traçou uma linha firme em torno do mandato do BCE.

Qualquer mecanismo que implique financiamento monetário, avisou, violaria os tratados da UE. As decisões sobre a utilização dos ativos congelados, na sua opinião, continuam a ser da responsabilidade dos líderes políticos e não dos banqueiros centrais.

Como reagiram os mercados e os especialistas?

Mohamed El-Erian, conselheiro económico principal da Allianz, elogiou o desempenho de Lagarde, descrevendo-o como uma “aula de mestre”.

El-Erian salientou a importância da capacidade de comunicação de Lagarde para estabilizar o sentimento do mercado durante períodos de grande incerteza económica.

Roman Ziruk, analista de mercado sénior da Ebury, afirmou que a atualização das projeções de crescimento do BCE e as mensagens cautelosas ajudaram a apoiar o euro face ao dólar, juntamente com dados de inflação dos EUA mais fracos do que o previsto.

“A política monetária continua a estar numa boa posição”, disse Ziruk, acrescentando que as persistentes pressões subjacentes sobre os preços reforçam os argumentos contra cortes nas taxas de juro a curto prazo.

O euro manteve-se estável após a conferência de imprensa de Christine Lagarde, sendo negociado em torno de 1,1730 dólares, enquanto os rendimentos do Bund alemão de 10 anos permaneceram praticamente inalterados em 2,85%.

Os mercados acionistas europeus avançaram na tarde de quinta-feira, impulsionados por um relatório de inflação dos EUA mais suave do que o esperado, o que alimentou o otimismo sobre a continuação da flexibilização monetária pela Reserva Federal.

Às 16:30 CET (horário da Europa Central), o Euro STOXX 50 estava a subir 0,8%, enquanto o índice DAX da Alemanha subiu cerca de 1%.

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Piras, gritos e luz: melhores álbuns de 2025


Chegou outra vez aquela altura do ano em que juntamos os favoritos e fazemos a contagem decrescente para o Melhor Álbum de 2025.

Foi um ano movimentado na música, com reuniões de Britpop, regressos falhados, a administração Trump em choque com Bad Bunny e Sabrina Carpenter, sem uma Canção do Verão evidente, e uma carrada de trambolhos que agrediam os ouvidos, cortesia de “artistas” gerados por IA como The Velvet Sundown, Xania Monet e Breaking Rust.

Houve também uma vaga de álbuns muito pirosos, com títulos igualmente medíocres, provando que o determinismo nominativo está bem vivo. Entre os principais culpados, contam-se o album profético de Morgan Wallen ‘I’m The Problem’; o profundamente embaraçoso ‘$ome $exy $ongs 4 U’, de Drake e PARTYNEXTDOOR; ‘You’ll Be Alright, Kid’, de Alex Warren (pode ser para ti, Alex, mas os ouvintes não ficam bem, seu monstro!); e o totalmente sem vida ‘Lost Americana’, de MJK.

Juntem-se uma proposta surpreendentemente insípida de Tame Impala e um 12.º esforço dececionante de Taylor Swift, que fica fora do nosso Top 20 pelo segundo ano consecutivo, e tudo compõe o retrato de um 2025 difícil.

Chega de negatividade. Estamos aqui para celebrar o melhor do ano, e houve muitos álbuns que conseguiram entusiasmar-nos e manter-nos (quase) sãos.

Sem mais demoras, aqui fica a contagem decrescente para o álbum preferido da Euronews Culture nos últimos 12 meses, começando por…

20) Olivia Dean – The Art of Loving

É um grande momento para as vocalistas britânicas, com Charli XCX, RAYE, PinkPantheress e outras a conquistarem espaço, mas Olivia Dean impôs-se como uma das vozes novas mais cativantes do ano. O seu segundo álbum de longa duração é uma exploração quente e virada ao retro do amor em todas as suas formas, dos relacionamentos românticos às amizades, à família e ao amor-próprio. Embora algumas faixas, como ‘Baby Steps’ e ‘Something in Between’, resvalem um pouco para o território da música de café (segura, agradável e talvez um pouco esquecível), os momentos de destaque do disco compensam largamente. A nostálgica e incrivelmente cativante ‘Nice to Each Other’, a brincalhona, guiada pelo piano, ‘Man I Need’, e o apelo fumado e íntimo de ‘A Couple Minutes’ revelam uma artista de 26 anos com um talento claro para melodias instantaneamente memoráveis e uma escrita aparentemente sem esforço. É um álbum que sinaliza uma trajetória ascendente. Esta nomeada a Melhor Artista Revelação nos Grammys está só a começar. TF

19) Ichiko Aoba – Luminescent Creatures

2025 foi um ano tumultuoso e implacável, marcado por conflito global, ansiedade em torno da IA, agitação política e uma crise ambiental cada vez pior. No meio deste caos, o novo álbum de Ichiko Aoba oferece uma raridade: quietude. Um refúgio suave longe do ruído. Em ‘Luminescent Creatures’, a cantautora japonesa convida a entrar num delicado mundo onírico de conto de fadas, tecido com vozes angelicais, melodias orquestrais encantadoras e sussurros da natureza. Inspirada pela vida marinha luminosa que descobriu ao mergulhar nas ilhas Ryukyu, no Japão, o seu oitavo álbum de estúdio explora a fronteira entre vida e morte, luz e escuridão. É um disco feito para sonhar, dormir, vaguear e desaparecer por um tempo. TF

18) Florence + The Machine – Everybody Scream

É o teu herói atormentado / De volta para a sexta temporada”, canta Florence Welch em ‘The Old Religion’, lembrando que passaram 16 anos desde a sua estreia e que sabe bem o peso de estar debaixo dos holofotes. É essa experiência dura que está no coração de ‘Everybody Scream’, um álbum aparentemente sobre paganismo, rituais e bruxaria, mas que, na verdade, explora trauma pessoal e resiliência profissional. As canções teatrais mostram a voz inimitável de sereia de Welch e abordam os sacrifícios exigidos para ser mulher num campo e num mundo dominados por homens. Soa a exorcismo, algo confirmado pela própria, quando revelou antes do lançamento que um catalisador da escrita foi uma gravidez ectópica que ameaçou a vida enquanto estava em digressão. ‘Everybody Scream’ é o seu acerto de contas, um álbum poderoso, cheio de refrões climáticos, que defende que, em tempos de turbulência emocional, não se deve ter vergonha de soltar um uivo. DM

17) DJ Haram – Beside Myself

Preparem-se, porque isto derrete a mente e expande-a. A DJ Haram, sediada em Brooklyn, assina um álbum de estreia ambicioso que funde batidas de clube, sons eletrónicos ásperos, percussão ao vivo e samples do Médio Oriente, impulsionados por uma energia inquieta que é contagiante e destabilizadora. As faixas cheias de convidados incluem hinos de pista (‘Loneliness Epidemic’), momentos rap (‘Fishnets’, ‘Stenography’), instantes de beleza ameaçadora (o piano em ‘Who Needs Enemies When These Are Your Allies?’), lamentos pungentes (ponto alto do álbum, ’Remaining’, com o trompete agourento de Aquiles Navarro e versos em árabe de Dakn), batidas electro glitch sobre tambores de darbuka (‘Sahel’) — tudo a tecer um rico tapete sonoro que revela recusa em conformar-se ou comprometer-se. ‘Beside Myself’ por vezes cede ao peso das muitas influências, e a sua indisciplina torna-o uma escuta desafiante. Mas, para quem quer saber como soa uma rave distópica, este é o álbum eclético e descaradamente atrevido que procura. DM

16) Freddie Gibbs And The Alchemist – Alfredo 2

Cinco anos após o primeiro triunfo colaborativo, Freddie Gibbs e The Alchemist voltam com ‘Alfredo 2’, uma sequela que troca a névoa nocturna de ‘Alfredo’ (2020) por uma visão ensolarada e leve da vida de rua. The Alchemist, verdadeiro feiticeiro das raridades, casa loops soul poeirentos e batidas boom-bap com floreados de jazz cinematográficos e excertos de cinema japonês fora de órbita, mantendo o álbum imprevisível do início ao fim. Gibbs, como sempre, domina: duro, afiado e tecnicamente sem esforço, tece histórias de sexo, drogas e sobrevivência com um humor negro. “Desde que mostraram a minha ecografia, cabra, estou condenado ao Inferno”, rosna em ‘Gas Station Sushi’. As colaborações, sobretudo Anderson .Paak em ‘Ensalada’ e JID em ‘Gold Feet’, casam na perfeição com a confiança descontraída do projeto. Tal como se esperaria do ramen na capa, ‘Alfredo 2’ chega a ferver, está no ponto e acerta em cheio. TF

15) Erika de Casier – Lifetime

Este ano, o minimalismo não soou melhor do que em ‘Lifetime’, o quarto álbum de estúdio de Erika de Casier. Lançado apenas um ano depois de ‘Still’, a cantautora dinamarquesa nascida em Portugal afrouxa a ligação ao R’n’B Y2K para abraçar melhor os sons do trip hop dos anos 90. Não é um exercício de nostalgia estagnado, trata-se de oferecer um conjunto depurado e íntimo de canções que mergulham o ouvinte num estado onírico. E, enquanto flutuas e te ligas às suas histórias sobre ansiedades do namoro moderno (sobretudo em ‘The Chase’ — “Deu meia-noite / Nem uma mensagem para me aquecer”), dás por ti a render-te à sensualidade que de Casier convoca, já que a atmosfera sedutora que permeia ‘Lifetime’ é viciante. Em lado nenhum é mais potente do que na lasciva ‘You Got It!’ e em ‘Moan’, um canto fúnebre nocturno sobre lidar com um coração pesado “vivendo de forma plena”. Prepara-te para ficares enfeitiçado por um LP que prova que, às vezes, menos é mesmo mais. DM

14) The Last Dinner Party – From The Pyre

Se o álbum de estreia de 2024, ‘Prelude to Ecstasy’, não te convenceu, The Last Dinner Party tratam de garantir que o segundo ato deixa toda a gente a venerar o seu altar. O título do segundo álbum remete para um símbolo de destruição e renascimento e, embora esta pira titular não assinale uma mudança radical de som para o quinteto britânico, confirma que o seu batismo de fogo não foi fogo de palha. Tão teatral quanto o anterior, mas mais rico do ponto de vista sonoro, a banda refinou o seu barroco pop-rock e afinou a arte do crescendo grandioso. ‘This Is The Killer Speaking’, uma balada de homicídio sobre ser “ghosted”, e ‘The Scythe’, com o seu refrão eufórico, podem ser os destaques imediatos, mas não há lastro em ‘From The Pyre’. As dez faixas sobre amor, perda e beber o pó de um inferno são energizantes e ricamente cinematográficas, uma indicação clara de que The Last Dinner Party vieram para ficar. DM

13) Cate Le Bon – Michelangelo Dying

“Talvez um dia rasteje de volta a casa, vencida, derrotada. Mas não enquanto conseguir transformar a minha mágoa em histórias, a beleza em tristeza.” Não sabemos se Cate Le Bon lê Sylvia Plath com afinco, mas as palavras da autora parecem adequadas ao seu sétimo álbum, composto na ressaca de um desgosto. Em ‘Michelangelo Dying’, a musicista galesa molda beleza a partir da dor, pondo à prova o seu pop de vanguarda ao tocar feridas abertas. Ou uma “amputação que não queres, mas sabes que te vai salvar”, como descreveu ao The Guardian — imagem que surge em ‘Pieces Of My Heart’, quando Le Bon canta “É assim que quebras uma perna / Deixas a sombra guiar a forma”. Poderia ter sido um convencional álbum de separação, cheio de lamúrias, mas Le Bon foge aos clichés e guia o ouvinte até à constatação de que o amor não vai a lado nenhum quando morre. Fica contigo, deixa uma cicatriz e, idealmente, o caos emocional leva a uma catarse que soa tão sublime como ‘About Time’ e ‘Heaven Is No Feeling’. E, talvez, com o tempo, o rescaldo de tanta dor se sinta tão misteriosamente edificante como ‘Michelangelo Dying’. DM

12) FKA twigs – EUSEXUA

‘EUSEXUA’, o terceiro álbum de FKA twigs, marca uma mudança significativa para a cantautora britânica, uma viagem vertiginosa, sensual e extática por pistas de dança, quartos e paisagens de sonho. Ao longo de 11 faixas, ela mistura com mestria experimentação eletrónica, sensibilidade pop, texturas influenciadas por Aphex Twin e ritmos prontos para a pista num disco que celebra intimidade, desejo sem filtros e a condição feminina. Momentos como ‘Perfect Stranger’ e ‘Girl Feels Good’ são eufóricos e brincalhões, enquanto faixas como ‘Keep It, Hold It’ e a derradeira ‘Wanderlust’ oferecem reflexão silenciosa, provando que twigs prospera nos dois extremos do som e da emoção. Parte viagem introspectiva, parte rave extática, ‘EUSEXUA’ é, sem dificuldade, um dos lançamentos mais ambiciosos e empolgantes do ano. TF

11) Lausse The Cat – The Mocking Stars

Sete anos após a estreia, inventiva e selvagem, ‘The Girl, the Cat & the Tree’, o anónimo rapper e produtor franco-britânico regressa de forma tão aguardada quanto inesperada com ‘The Mocking Stars’. Retomando onde tinha ficado, Lausse convida o seu paciente séquito de culto a regressar ao mundo do seu protagonista felino existencialista, que vagueia por um universo surreal em colapso à procura de sentido. Onde a estreia parecia uma fábula caprichosa de amadurecimento, este disco lança o gato numa odisseia psicadélica e cósmica, tropeçando por estrelas, luas e sóis, dançando com Chapeleiros Loucos em caóticas festas de chá e caindo por cenários oníricos inspirados em Alice no País das Maravilhas, antes de regressar lentamente à Terra. Instrumentais com toques de jazz, ritmos de bossa nova, metais ao vivo cintilantes e baterias do hip-hop britânico rodopiam sob a sua entrega suave e contida, oferecendo tanto brincadeira teatral como melancolia, enquanto enfrenta depressão, alienação, escapismo e romances fugazes. É, sem dúvida, um dos projetos mais imaginativos e conceptualmentes interessantes do ano. TF

10) Little Simz – Lotus

Em ‘Lotus’, o sexto álbum, Little Simz transforma turbulência legal e quedas pessoais em combustível criativo. Após uma amarga rutura com a parceria criativa de longa data com o amigo de infância Inflo, a quem processou por um alegado empréstimo não pago, junta-se ao produtor Miles Clinton James para criar um disco que desliza por humores e géneros com facilidade. Há a abertura envenenada ‘Thief’, apontada diretamente a Inflo, o porte afro-funk de ‘Lion’ e a bossa nova solta de ‘Only’. As participações de Sampha, Wretch 32, Yussef Dayes e Michael Kiwanuka enriquecem o som sem nunca desviar o foco. Ao longo de tudo, Simz mantém-se no comando, entregando versos certeiros e fluxos autoritários para contar uma história de perseverança, traição e autoempoderamento. É um álbum de declaração, controlado, feroz e a lembrar que Simz opera num nível completamente diferente da maioria. TF

9) Pulp – More

Muita gente perdeu a cabeça com a reunião dos Oasis este ano, mas o verdadeiro regresso dos anos 90 veio das mãos dos relutantes cabeças de cartaz do Britpop. A tempo do 30.º aniversário do seu álbum mais celebrado, ‘Different Class’ (1995), os Pulp regressaram após 24 anos… e valeu a pena esperar. ‘More’ não reinventa a roda nem converterá necessariamente quem não é já fã de Jarvis Cocker e companhia, mas é um excelente álbum para guardar. Com cordas luxuriantes e mergulhando nos temas do envelhecimento e da autoilusão com espírito e humor, os Pulp entregam um LP que é tudo o que se quer de um álbum dos Pulp. Mais do que isso, supera expectativas, mostrando que, mesmo agora já crescidos, continuam numa classe própria. Esperemos não ter de esperar outro quarto de século por mais. DM

8) Jane Remover – Revengeseekerz

Com apenas 22 anos, Jane Remover já se afirmou como produtora, compositora, multi-instrumentista e rapper, com uma habilidade notável para saltar entre géneros. Ao ouvir o trabalho de 2025, os álbuns anteriores ‘Frailty’ (2021) e ‘Census Designated’ (2023) até parecem ter sido feitos por um artista completamente diferente. Em ‘Revengeseekerz’, Remover atira o ouvinte de cabeça para uma mistura abrasiva de rap, emo, digicore e EDM, com sons glitch de videojogo — tudo com ganchos hyperpop potentes. É muito para digerir e soa frequentemente a caos, mas funciona. O que deveria provocar torcicolos reúne-se num pano coeso, ousado e viciante para uma noite verdadeiramente selvagem. Em poucas palavras: bate. Forte. DM

7) Bad Bunny – DeBÍ TiRAR MáS FOToS

A seguir ao estrondoso ‘Un Verano Sin Ti’, ‘DeBÍ TiRAR MáS FOToS’ é o projeto mais ambicioso de Bad Bunny até à data, um tributo amplo e vibrante ao seu património musical porto-riquenho e à diáspora mais vasta. Mantendo-se enraizado no reggaetón moderno que fez do artista de 31 anos uma estrela global, o álbum vai muito além do esperado, entrelaçando metais de salsa, melodias de bolero e camadas rítmicas da plena tradicional. O ponto mais emocionante desta fusão está em ‘BAILE INoLVIDABLE’, que abre com sintetizadores modernos elegantes antes de explodir em salsa ao vivo de corpo inteiro. ‘DtMF’, destaque já perto do fim, também exemplifica o espírito do disco. Contagiante, celebratório e irresistivelmente divertido, é um álbum para tocar alto, e não admira que Bad Bunny tenha reinado como o artista mais ouvido de 2025. TF

6) Geese – Getting Killed

Em ‘Getting Killed’, a banda excêntrica de Nova Iorque Geese pega no embalo do álbum a solo em voz baixa de Cameron Winter, ‘Heavy Metal’, e transforma-o no seu experimento mais ousado até agora. O álbum oscila entre a explosiva abertura ‘Trinidad’ e jams guiados pelo groove, cheios de golpes de metais, coros em loop e riffs serrados, todos enfiados pelas murmurações crípticas e tiradas surreais de Winter. A banda soa simultaneamente mais solta e mais afiada do que nunca, construindo canções que parecem clímax prolongados em vez de estruturas tradicionais. Caótico, inteligente, desavergonhadamente estranho e, de forma surpreendente, comovente, ‘Getting Killed’ cimenta os Geese como uma das poucas bandas de rock que ainda se empurram — e aos ouvintes — para lugares que soam genuinamente novos. TF

5) Wednesday – Bleeds

Depois de ‘Rat Saw God’ — um dos nossos álbuns preferidos de 2023 —, a formação da Carolina do Norte Wednesday regressou este ano com outra colagem de indie rock encardido sobre amor, decisões estúpidas de adolescência e ver The Human Centipede depois de um concerto dos Phish. E é o melhor que já lançaram. Tal como em ‘Rat Saw God’, a banda entrega uma mistura dinâmica de ganchos country e grunge ruidoso, vindo diretamente dos anos 90. E, como no anterior, é a escrita e a narrativa tragicómica que fazem este projeto subir. Seja a apontar “sinceridade de teso” na abertura ‘Reality TV Argument Bleeds’, a concluir que “mesmo o melhor champanhe ainda sabe a vinho de sabugueiro” no single ‘Elderberry Wine’, ou a perguntar como é que “os teus dentes se mantêm tão bonitos / quando a única coisa que bebes é Pepsi” no fecho ‘Gary’s II’, os instantâneos evocativos de Karly Hartzman parecem vividos e fazem querer voltar. DM

4) Viagra Boys – Viagr Aboys

Desde a estreia em 2018, os suecos Viagra Boys afirmaram-se como os cronistas absurdistas da desilusão do século XXI de que todos precisamos. Canalizando os Stooges, Dead Kennedys e DEVO, os pós-punkers têm ridicularizado na perfeição a contínua “enshittification” da sociedade, da masculinidade tóxica e da retórica da extrema-direita às teorias da conspiração alimentadas pelas redes sociais. Não se desviam do voo satírico estabelecido no quarto álbum, ‘Viagr Aboys’, mas afastam-se dos infernos sociopolíticos para se concentrarem mais nas tropelias do quotidiano. De referências a Matthew Perry (‘Man Made of Meat’) a sustos de saúde (‘Pyramid of Health’), passando por croutons encontrados debaixo de futons (‘Uno II’) e a arte perdida de estragar a conversa com factos históricos em festas (‘You N33d Me’), as letras em ‘Viagr Aboys’ são surreais, de fazer rir à gargalhada e, por vezes, surpreendentemente comoventes, sobretudo no romantismo contido do fecho ‘River King’. Sonoramente, pode soar mais polido do que os discos anteriores, mas a energia bruta mantém-se intacta. Além disso, Sebastian Murphy e a sua trupe conseguiram algo especial: destilar tudo o que os torna um deleite delirante e injetá-lo diretamente na veia. Obrigado pela dose, senhores. DM

3) Annahstasia – Tether

Foi a nossa escolha n.º 3 a meio de 2025 e por lá ficou, provando que o arrebatador ‘Tether’ de Annahstasia é, sem discussão, o melhor álbum de estreia do ano. Não foi fácil, já que a cantautora americana teve de lutar muito para conseguir lançar ‘Tether’. Executivos de discográficas quiseram desviá-la da folk-soul íntima que queria fazer, empurrando-a para caminhos mais mainstream e comercialmente viáveis. Como estavam enganados em duvidar e mantê-la em limbo, já que o seu primeiro disco, tardio, é uma coleção instantaneamente cativante de canções de beleza arrebatadora, sustentadas por instrumentais elegantes e um deslumbrante vibrato de mogno, algures entre Tracy Chapman e Nina Simone. “Consegues ser crente?”, canta no fecho ‘Believer’, “Em toda a minha possível possibilidade?”. É um “sim” redondo da nossa parte. DM

2) Kelela – In The Blue Light

‘In the Blue Light’ mostra a Kelela a afastar-se do seu universo de R&B futurista e a entrar na névoa acolhedora do Blue Note Jazz Club, em Nova Iorque, onde reinventa por completo o seu catálogo com um calor bluesy. O set mistura originais reimaginados com tributos a Joni Mitchell e Betty Carter, tudo entrelaçado com o zumbido da plateia, piadas em palco e anedotas ternas que colocam o ouvinte na sala. A paleta depurada — harpa, teclas, bateria e baixo aveludado — dá o centro do palco à sua voz celestial, revelando novos matizes emocionais em faixas como ‘Waitin’’, ‘Take Me Apart’ e uma reinvenção arrebatadora de ‘Better’. Tudo em função de uma atmosfera tão íntima que te faz sentir sentado à sua mesa. É um álbum plenamente digno de um lugar cimeiro entre os melhores do ano. TF

1) Rosalia – LUX

Se há algo de que não se pode acusar Rosalía, é de se acomodar. O seu primeiro álbum, ‘Los Ángeles’ (2017), apresentou ousadamente o flamenco ao século XXI; ‘El Mal Querer’ (2018) combinou sons andaluzes com pop e hip-hop; e ‘Motomami’ (2022) foi uma mistura sexy e transgressora de reggaetón, guitarras folk e batidas de dança. No quarto álbum, a artista espanhola de 33 anos faz a jogada mais ousada: uma viragem para o clássico.

Embora o cruzamento possa soar a manobra, o resultado deixa de boca aberta. Com a London Symphonic Orchestra e nomes como Björk, Yves Tumor e até Guy-Manuel de Homem-Christo, dos Daft Punk, o álbum é uma ópera barroca experimental, impulsionada por cordas elevadas, batidas eletrónicas e o soprano cristalino de Rosalía.

Estruturado em quatro movimentos, Rosalía canta em 13 línguas ao longo de ‘LUX’, incluindo o catalão e o espanhol (nas belíssimas ‘Divinize’ e ‘La Perla’, respetivamente), assim como alemão (‘Berghain’), árabe (‘La Yugular’), ucraniano (‘De Madruga’) e latim (‘Porcelana’). Fá-lo para explorar melhor temas sem fronteiras, como amor, sexo, espiritualidade e o feminino divino, mergulhando nas histórias de santas e místicas de todo o mundo e usando-as como inspiração para cada canção.

O efeito estabelece uma ligação divina, já que não é preciso entender todas as letras para apreciar a ressonância emocional. As 18 faixas transcendem a linguagem e existem num limbo sonoro onde imagética religiosa e ímpetos wagnerianos coexistem com relatos que incluem a cantora a entregar uma “medalha de ouro em ser um sacana”, a chamar à razão homens que querem mulheres obedientes, a servir-se de um copo bem merecido de Sauvignon Blanc e a dar tantas vezes o coração que se esquece que um dia foi seu (no destaque do álbum, ‘Relíquia’).

Pode soar a demasiado para digerir de uma só vez — e é; mas é uma experiência arrebatadora que só melhora com as escutas. E, se escolheres render-te a esta fusão épica do sagrado e do profano, encontrarás a honra ao que te pede.

Em termos de declarações artísticas ambiciosas, ‘LUX’ soa como o ‘Vespertine’ de Rosalía — o que não é elogio pequeno, já que continua a ser a obra-prima de Björk. Poucos álbuns se aproximaram da sua sinfonia etérea, que não só rasga convenções da pop contemporânea como contraria os picos rápidos de êxito inerentes a um consumo musical faminto de atenção e guiado por algoritmos. Rosalía mostrou a carta neste sentido, dizendo ao New York Times que “quanto mais estamos na era da dopamina, mais quero ser o oposto.” ‘LUX’ é esse oposto. Exige atenção total; impõe-na e recompensa-a. DM

É isto.

Faltou o teu álbum preferido do ano?

Talvez esteja nas nossas Menções honrosas do ano: Nourished By Time — ‘The Passionate Ones’; Swans — ‘Birthing’; Blood Orange — ‘Essex Honey’; Sudan Archives — ‘The BPM’; aya — ‘Hexed!’; Wet Leg — ‘Moisturizer’; Natalia La Fourcade — ‘Cancionera’; CMAT — ‘Euro-Country’; PinkPantheress — ‘Fancy That’; Oklou — ‘choke enough’.

Ou talvez esteja no nosso relatório a meio do ano, a lista dos Melhores Álbuns de 2025… até agora.

Se não, diz-nos. Ouvimos-te e, com sorte, corrigimos. Ou sugerimos, com respeito, que estás enganado.

Segue a Euronews Culture para mais Melhores de 2025, incluindo a próxima classificação dos Melhores Filmes de 2025

Gavdos: 545 migrantes resgatados após grande operação


Após uma grande operação de busca e salvamento, as autoridades gregas em cooperação com a Frontex e navios retidos resgataram 545 migrantes ao largo da costa de Gavdos.

O sinal de alerta chegou à Guarda Costeira grega na madrugada de sexta-feira, pouco depois das 3 horas. Três carros alegóricos da Guarda Costeira, três navios Frontex e três navios de flanqueamento foram imediatamente mobilizados.

Rapidamente localizaram um barco de pesca, onde centenas de migrantes estavam empilhados. Passadas várias horas, a operação de resgate foi concluída em segurança 16 milhas náuticas a sudeste de Gavdos.

Todos os migrantes estão de boa saúde, tendo sido transportados para o porto de Agia Galini.

Nos últimos dias, no entanto, os fluxos para Gavdos e Creta voltaram a aumentar, com a guarda costeira grega a realizar operações de resgate quase diárias.

Japão sobe juros: está iminente uma crise global das obrigações?


A histórica viragem do Banco do Japão (BoJ) em relação à política monetária ultra-expansionista está bem encaminhada e começam a surgir sinais de tensão nos mercados obrigacionistas globais.

Na reunião de dezembro, o BoJ aumentou a taxa diretora de curto prazo em 25 pontos base, para 0,75%, o nível mais alto desde 1995.

A decisão era amplamente esperada; o tom não.

O governador Kazuo Ueda aproximou-se de uma postura mais restritiva, sublinhando que a era das taxas de juro extremamente baixas no Japão está a chegar ao fim e que as implicações podem ir muito além de Tóquio.

Viragem restritiva no BoJ

Na sua declaração de política, o BoJ destacou que “as taxas de juro reais deverão manter-se significativamente negativas” e que condições financeiras acomodativas continuarão a sustentar a atividade económica.

Ao mesmo tempo, reafirmou que, se o cenário de crescimento e inflação delineado no Relatório de Perspetivas de outubro se materializar, o Banco “continuará a aumentar a taxa diretora e a ajustar o grau de acomodação monetária”.

Ueda reforçou a mensagem na conferência de imprensa, avisando que adiar o ajustamento da política poderá acabar por exigir subidas mais acentuadas. Assinalou que os aumentos anteriores ainda não produziram um efeito de aperto significativo e salientou que as taxas de juro de política continuam afastadas do limite inferior da estimativa do Banco para a taxa neutra.

Em conjunto, a mensagem foi inequívoca: o BoJ está claramente em ciclo de subidas.

“Bastante histórico”: analistas reagem

“O BoJ fez uma subida com postura restritiva”, disse Dariusz Kowalczyk, analista do BBVA, salientando o compromisso claro com a continuação da normalização.

“Sei que é apenas três quartos de ponto percentual, mas é bastante histórico”, disse Bart Wakabayashi, diretor de agência da State Street, em Tóquio. “Não estávamos neste nível há três décadas, por isso considero que é um movimento significativo.”

Akira Otani, economista-chefe para o Japão na Goldman Sachs, advertiu que este não é o ponto final do BoJ nas subidas de juros e que a decisão reforça uma tendência gradual, mas persistente, para novas subidas.

Porque é que isto importa tanto para lá do Japão?

A resposta está no peso desproporcionado do país nos mercados obrigacionistas globais.

O Japão continua a ser o maior credor líquido do mundo, com uma posição de investimento internacional líquida de cerca de 3,66 biliões de dólares (3,12 biliões de euros) em setembro de 2025.

Durante anos, as taxas de juro quase nulas do Japão incentivaram saídas de capital. Investidores institucionais japoneses, incluindo fundos de pensões e seguradoras, canalizaram biliões para mercados obrigacionistas estrangeiros, sobretudo obrigações do Tesouro dos EUA e dívida pública europeia.

Mas, à medida que os rendimentos das obrigações domésticas sobem, mesmo que marginalmente, esse incentivo diminui. O resultado pode ser uma redução nas compras de dívida estrangeira, fenómeno que muitos economistas designam por “repatriação” japonesa.

Com rendimentos domésticos baixos, os investidores institucionais japoneses tendem a procurar melhores retornos no exterior, frequentemente em obrigações do Tesouro dos EUA, dívida soberana europeia ou dívida de mercados emergentes.

Mas, com a subida dos rendimentos no Japão, esse incentivo enfraquece. Alterações modestas nas rentabilidades relativas podem mudar as alocações de carteira na margem, aumentando o risco de capitais serem repatriados para ativos japoneses.

Esta dinâmica já se vê na redução dos diferenciais de rendimentos.

O diferencial entre as obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos e os rendimentos das obrigações do governo japonês encolheu para 2,12 pontos percentuais, o nível mais baixo desde março de 2022.

O spread entre Bunds a 10 anos e JGBs desceu de forma semelhante para 0,85 pontos percentuais, o mínimo em mais de três anos.

Com a compressão desses spreads, os investidores japoneses podem começar a redirecionar capital para casa, deixando aos mercados obrigacionistas globais a tarefa de absorver a menor procura.

Rachas nos rendimentos globais

Os mercados de dívida já começaram a reagir. O rendimento da obrigação alemã a 30 anos disparou para 3,51% na sexta-feira seguinte à decisão do BoJ, o nível mais alto desde julho de 2011.

Uma movimentação destas na maior economia europeia, frequentemente vista como âncora fiscal do mundo, é um sinal de alerta.

O risco não se limita à Europa. A subida dos rendimentos no Japão ameaça perturbar os fluxos globais de investimento, sobretudo através do desmantelamento do carry trade em ienes.

Com taxas japonesas ultrabaixas a fornecer financiamento barato, os investidores há muito utilizam o iene para financiar apostas em ativos com maior rendimento no exterior. Essa estratégia, eficaz há décadas, está agora sob pressão.

À medida que as taxas japonesas sobem, a vantagem de se endividar em ienes torna-se menos apelativa para os investidores globais.

O resultado pode ser uma onda de desalavancagem nos mercados globais de crédito e ações, provocando uma subida desordenada dos rendimentos.

Embora o ritmo das subidas de juros deva manter-se gradual, a direção é clara. O BoJ deixou de ser o eterno acomodatício do mundo desenvolvido.

Para os investidores, a mensagem é simples e cada vez mais difícil de ignorar: o Japão voltou a contar.

Que países europeus mais utilizam dinheiro físico?


O uso de moedas e notas tem vindo a diminuir de forma constante na Europa, mas continua generalizado. Em muitos países da zona euro, o numerário permanece o meio de pagamento mais comum, tanto em número como em valor de transações.

Segundo um inquérito do Banco Central Europeu (BCE), o montante mediano de dinheiro físico que as pessoas transportavam na carteira na zona euro, em 2024, era de 59€. O valor varia muito, de 35€ nos Países Baixos a 82€ no Luxemburgo e Chipre.

Entre as quatro maiores economias da União Europeia, a Alemanha apresenta o montante mediano diário mais elevado, 69€, enquanto França regista o mais baixo, 50€. Itália está mais perto do limite inferior e Espanha fica ligeiramente acima da mediana da zona euro.

Em declarações à Euronews Business, o professor Jakub Górka, da Universidade de Varsóvia, sublinhou que o uso do numerário é fortemente influenciado pela cultura nacional.

“Os países do Sul da Europa, com clima mais ameno e hábitos de troca e comércio mais frequentes em interações presenciais, são naturalmente mais orientados para o numerário, enquanto os países do Norte, como a Escandinávia, tiveram historicamente maior propensão para migrar mais rapidamente para a banca eletrónica e pagamentos sem dinheiro”, explicou.

Uso de numerário continua a cair

A quota dos pagamentos em numerário no ponto de venda (POS) tem vindo a diminuir gradualmente na zona euro. O número de transações em numerário desceu 27 pontos percentuais, de 79% em 2016 para 52% em 2024.

No mesmo período, o valor dos pagamentos em numerário caiu 15 pontos, de 54% para 39%.

Mais de metade das transações em numerário

Em 2024, ligeiramente mais de metade das transações na zona euro (52%) foram pagas em numerário.

Em 14 dos 20 países da zona euro, o numerário manteve-se como o meio de pagamento mais usado. Representou entre 45% e 55% das transações em cerca de metade desses países. O uso de numerário variou amplamente, de apenas 22% nos Países Baixos até 67% em Malta. Está também acima de 60% na Eslovénia, Áustria e Itália.

“Em países com forte ligação histórica ao numerário, como Alemanha, Áustria e Itália, o dinheiro continua profundamente enraizado nas transações diárias devido à confiança duradoura na moeda física, à experiência histórica de crises bancárias, a preocupações com privacidade e à resistência à rastreabilidade digital”, disse Guillaume Lepecq, presidente da CashEssentials, à Euronews Business.

Em termos de valor, o numerário representa uma fatia menor dos pagamentos. Representa 39% de todas as transações na zona euro. As quotas nacionais variam de 17% nos Países Baixos a 59% na Lituânia.

Já os cartões representam 39% das transações e 45% do valor total dos pagamentos na zona euro. O uso de telemóveis e smartwatches para compras também está a aumentar.

Porque varia tanto o uso de numerário?

A professora de gestão Olive McCarthy, da University College Cork, referiu que há várias explicações para as diferenças entre países no uso do numerário, ligadas a fatores sociais, económicos e culturais.

“Algumas razões podem incluir diferentes níveis de aceitação de numerário, ritmo de adoção digital e preocupações com a privacidade dos pagamentos digitais, entre outras”, disse à Euronews Business.

Na zona euro, os Países Baixos e a Finlândia são os dois países com menores quotas de pagamentos em numerário e os montantes medianos mais baixos transportados. Usando-os como exemplo, McCarthy assinalou que os Países Baixos têm uma taxa de aceitação de numerário abaixo da média, com apenas 79% das empresas a aceitar dinheiro. Também registam a taxa mais baixa de aceitação de numerário em restaurantes e cafés, que desceu de 98% em 2021 para 85% em 2024.

Já a Finlândia tem a menor proporção de pequenas e médias empresas que preferem pagamentos em numerário, apenas 8%.

“E, sem surpresa, ambos os países estão entre os que têm taxas mais elevadas de adoção digital a nível mundial”, acrescentou.

NNPCL reduz preço do combustível em N80


A Nigerian National Petroleum Company Limited reduziu o preço da gasolina pela terceira vez em dezembro de 2025.

Um correspondente do DAILY POST que pesquisou postos de gasolina em Abuja observou na quinta-feira que a NNPCL reduziu o preço da gasolina para N835 por litro, abaixo do N915.

Isto significa que a empresa petrolífera estatal ajustou o preço do combustível em N80.

O desenvolvimento ocorre quando MRS, BOVAS e AA Rano revisaram anteriormente o preço da bomba de combustível para entre N739 e N865 por litro na capital do país.

O DAILY POST relata que os cortes de preços de NNPCL e de outros postos de gasolina ocorrem depois que a Refinaria Dangote e os proprietários de depósitos reduziram seu preço ex-depósito para entre N699 e N800.

Lembre-se do NNPCL; outros postos de abastecimento combustível reduzido em 4 e 10 de dezembro de 2025, respectivamente.

Búlgaros já não exigem apenas um novo governo: querem um sistema totalmente novo


De&nbspEuronews

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“Há 20 anos que temos os mesmos líderes. Estamos fartos. Precisamos de pessoas novas”, resumiu Nikolaj Nenkov, um dos manifestantes em Sófia, o essencial da série de protestos.

Na semana passada, o governo apresentou o seu projeto de orçamento para 2026, que teve de ser rapidamente retirado, porque estava repleto de aumentos de impostos e gastos excessivos. Perante a enorme resistência, o gabinete também se demitiu.

Assim, o presidente Rumen Radev terá de nomear novamente um governo provisório e convocar eleições intercalares… pela oitava vez desde 2021. Os manifestantes já não exigem apenas uma nova liderança, mas também um novo sistema eleitoral que impossibilite a manipulação, a compra de votos e a falsificação dos resultados.

“Mesmo durante as férias, continuaremos a protestar e ficaremos aqui o tempo que for necessário para que os mesmos políticos corruptos não voltem sempre ao poder”, disse outra manifestante, Antoaneta Quick.

A crise parece agravar-se apenas duas semanas antes de a Bulgária trocar a sua moeda nacional, o lev, pelo euro e se tornar o 21.º membro da zona euro a partir de 1 de janeiro.

Vídeo. Bulgária: continuam protestos contra corrupção e justiça parcial


Demitiu-se o Governo búlgaro a 12 de dezembro, mas manifestantes na capital e noutras cidades continuam nas ruas. Exigem uma justiça independente e o fim da corrupção generalizada.

O movimento ganhou força depois de o executivo tentar fazer aprovar um orçamento controverso com aumento de impostos. A sociedade exige agora mudanças políticas efetivas.

O calendário é difícil porque o país tenciona aderir à zona euro em janeiro. Sem um governo estável ou orçamento para o próximo ano, a transição está sob pressão. Presidente Radev deverá nomear um governo de gestão para organizar as próximas eleições antecipadas.

Muitos cidadãos dizem estar cansados da compra de votos e da influência dos oligarcas. Querem um sistema que funcione para todos, não apenas para alguns interesses privados.

Líder terrorista, cinegrafista e vários outros mortos enquanto exército frustra ataque a base militar


Um líder terrorista, o seu cinegrafista e vários outros insurgentes foram mortos pelas tropas da Operação HADIN KAI, OPHK, no estado de Borno.

Isto foi divulgado em um comunicado divulgado e disponibilizado aos repórteres na sexta-feira pelo Oficial de Informação à Mídia, Força-Tarefa Conjunta (Nordeste), Operação HADIN KAI, Tenente Coronel Sani Uba. Ele disse que a operação que levou ao assassinato dos terroristas ocorreu na quinta-feira.

Segundo o comunicado, os terroristas, operando a partir das Montanhas Mandara, tentaram infiltrar-se numa base militar em Bitta antes de as tropas desencadearem fogo defensivo coordenado.

A declaração diz:
“Por volta das 00h30 do dia 18 de dezembro de 2025, tropas, apoiadas por sistemas avançados de vigilância, detectaram o movimento de terroristas avançando em direção à área.

“Exercitando contenção tática e profissionalismo, as tropas permitiram que os terroristas se movessem para um alcance de combate eficaz antes de desencadearem fogos defensivos coordenados. O combate resultou na neutralização de vários insurgentes, incluindo um importante líder terrorista e o seu cinegrafista.

“À medida que os terroristas sobreviventes tentavam retirar-se, ataques de precisão subsequentes foram posteriormente conduzidos pela Componente Aérea da OPHK, dizimando ainda mais os elementos em retirada e perturbando as suas rotas de fuga.

“Após o combate, as tropas realizaram uma exploração completa da área, levando à recuperação de equipamento e logística terrorista significativo. Os itens recuperados incluem uma câmara de vídeo, espingardas AK-47, bandoleiras, rádios portáteis, 11 carregadores AK-47 com munições, sete telemóveis, metralhadoras PKT, vários cintos de munições ligadas a PKT e GPMG, bem como motociclos e bicicletas.

“A exploração adicional revelou múltiplos rastos de sangue e covas rasas, indicativos de vítimas adicionais sofridas pelos terroristas durante o encontro e subsequentes ataques aéreos.

“O moral das tropas e a eficiência do combate permanecem elevados, à medida que as operações continuam a negar a liberdade de ação aos terroristas e a garantir a segurança das comunidades dentro da área de responsabilidade.”

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