As projeções de inflação podem chegar a dois dígitos…

Maputo, 26 Mai (AIM) – O Banco de Moçambique, no seu papel de regulador do sistema financeiro nacional, anunciou que as projecções de inflação do país poderão continuar a piorar, atingindo os dois dígitos no curto e médio prazo se o conflito no Médio Oriente continuar.

Segundo Zandamela, que falava aos jornalistas segunda-feira, em Maputo, após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), espera-se uma aceleração da inflação em função da duração do conflito no Médio Oriente.

Explicou que as projeções de inflação também são influenciadas pelos “efeitos diretos e indiretos dos ajustes nos preços domésticos dos combustíveis líquidos, bem como pelas interrupções na oferta e na inflação importada”.

O governador lembrou que a inflação anual situou-se em 4,4 por cento em Abril, depois de 3,4 por cento em Março. “É evidente que os riscos e incertezas associados às projeções de inflação continuam a agravar-se. A nível interno, os riscos e incertezas dizem respeito, em primeiro lugar, à escala dos efeitos indiretos do aumento dos preços dos combustíveis na cadeia logística e no fornecimento de bens”, afirmou.

Zandamela explicou ainda que o pagamento antecipado e integral pelo governo da dívida pendente de 515,04 milhões de Direitos de Saque Especiais (equivalente a cerca de 700 milhões de dólares norte-americanos) ao Fundo Monetário Internacional (FMI) não afectou as contas do banco central.

“Continuamos a ter um nível de reservas extremamente confortável. Hoje estão praticamente em cinco meses de cobertura de importações, o que é muito elevado, então isso não nos fragilizou. Quando a decisão foi tomada, estávamos numa posição extremamente confortável, e continuamos assim”, afirmou.

“Hoje estamos seguros, dados alguns riscos que iam surgindo. A decisão de pagar a dívida ao FMI em nada enfraqueceu o balanço do Banco de Moçambique”, acrescentou.

As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) do país caíram 18 por cento em Março, para o seu nível mais baixo em mais de um ano, de 3,486 mil milhões de dólares, depois de o governo as ter utilizado para liquidar a dívida com o FMI.

A dívida pendente do país ao FMI caiu para zero no final de Março. Moçambique é o único país nesta situação entre 85 países listados.

Sou/

Falta de combustível relacionada à falência de…

Maputo, 26 Mai (AIM) – O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, confirmou que a recente escassez de combustíveis, que provocou longas filas de veículos nos postos de abastecimento de Maputo e outras cidades, também esteve relacionada com a falência dos distribuidores de combustíveis e a escassez de divisas, nomeadamente dólares americanos.

Segundo Zandamela, que falava aos jornalistas segunda-feira, em Maputo, após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), os bancos comerciais do país têm financiado a importação de combustíveis mas as “entidades que deveriam ter acesso a essas garantias, nomeadamente ao crédito, não estão em condições de o fazer. [gas stations] estão quebrados, falidos, não têm meticais, entre outras questões.”

Em circunstâncias normais, os distribuidores de combustíveis utilizam garantias bancárias, denominadas em dólares norte-americanos, para pagar o combustível que encomendam nos portos. Alguns distribuidores não conseguem adquirir estas garantias dos bancos comerciais.

A crise de combustíveis do país, influenciada pela guerra de agressão EUA-Israel ao Irão e pelo encerramento do Estreito de Ormuz – que é responsável pelo fluxo diário de quase 20 por cento das vendas mundiais de petróleo – obrigou o governo a aumentar, no início deste mês de Maio, os preços dos principais combustíveis líquidos em até 45,5 por cento.

Cerca de 80 por cento das importações de combustíveis de Moçambique passam por rotas ligadas ao Estreito de Ormuz, o que significa que o impacto da guerra no Médio Oriente é potencialmente desastroso para a economia do país.

Contudo, segundo o governador, o papel dos bancos no processo de importação, incluindo a emissão de garantias para compras no exterior, está a ser cumprido.

“Observamos que os bancos estão a fazer todo o possível para apoiar. Estão sim a apoiar, os dados mostram isso, estão empenhados e demonstram que estão a apoiar e a dar prioridade à conta dos combustíveis nas suas decisões relativamente à atribuição de fundos cambiais”, disse.

“Os bancos comerciais também estão a dar prioridade à emissão de garantias para estas importações, embora a sua concessão dependa da situação financeira dos distribuidores de combustíveis”, acrescentou.

Zandamela garantiu que “não temos problemas em emitir garantias aos mutuários que tenham perfil e capacidade de crédito adequados”.

“Garantia é crédito. Se não tiveres capacidade para obter esse crédito, mesmo sendo retalhista de combustíveis, o banco não dá garantias. Então, temos situações em que algumas instituições, nomeadamente retalhistas de combustíveis, ficam excluídas das garantias”, explicou.

Segundo o governador, a utilização das garantias disponíveis pelos retalhistas de combustíveis está muito abaixo dos limites, pelo que “o processo de atribuição de fundos para a importação de combustíveis está a ser monitorizado directamente pelo governo”.

Sou/

Banco de Moçambique mantém taxa de juro em…

Maputo, 26 Mai (AIM) – O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique (CPMO), reunido segunda-feira em Maputo, decidiu manter a sua taxa de juro de referência, conhecida como taxa MIMO, em 9,25 por cento.

Um comunicado do CPMO afirma que a medida visa consolidar a inflação em um dígito, num contexto marcado por riscos fiscais e incertezas económicas.

O documento diz ainda que a decisão foi tomada considerando a evolução favorável da inflação nos últimos meses. “O CPMO considera que a manutenção da taxa MIMO é consistente com a consolidação da inflação num dígito no médio prazo”, lê-se na nota.

A inflação anual, diz o documento, desacelerou para 3,99 por cento em Abril deste ano, face aos 4,77 por cento registados em Março, reflectindo sobretudo a redução dos preços dos alimentos e dos combustíveis.

Apesar da desaceleração da inflação, existem riscos que poderão pressionar os preços nos próximos meses.

“Persistem os riscos e incertezas associados às perspectivas de inflação, nomeadamente o agravamento da situação fiscal, os choques climáticos e a instabilidade militar em algumas regiões do país”, lê-se no documento.

“As perspectivas de recuperação económica continuam positivas, suportadas pelo desempenho dos serviços, da agricultura e das indústrias extractivas”, acrescenta a nota.

Na mesma reunião, o CPMO também decidiu manter as facilidades permanentes de concessão e absorção de liquidez em 12,25 por cento e 6,25 por cento, respectivamente.

Os rácios de reservas obrigatórias para responsabilidades em moeda nacional e estrangeira mantêm-se em 39 por cento e 39,50 por cento, respectivamente.

(MIRAR)

Sou/

Se governo não agisse nos combustíveis, BC poderia elevar juros, diz secretária da Fazenda


Primeira mulher a comandar a SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Fazendaa economista Débora Freire afirma para Folha que as medidas adotadas pelo governo Lula (PT) para evitar a alta dois combustíveis têm sido decisivos para um inflação ficar dentro da meta este ano.

“São medidas importantes para buscar suavizar esse choque nas famílias [renda]. É importante o governo fazer isso, inclusive para ajudar o Banco Central”, afirma. Segundo ela, sem essas ações, o BC muito provavelmente teria que aumentar a taxa de juros.

A secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire.

Pedro Ladeira/Folhapress

A SPE subiu de 3,7% para 4,5% a estimativa do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para este ano, no teto da meta de inflação, cujo alvo central é 3%, mas com margem de 1,5 ponto para mais ou menos. A projeção já considera as medidas adotadas, exceto o subsídio à gasolina recentemente anunciado.

Juntas, elas contribuíram para reduzir o resultado em 0,3 ponto percentual —ou seja, sem as ações, a inflação estouraria a meta.

“Dado que o Brasil está numa posição muito restritiva da taxa de juros, a gente ainda tem algum espaço aí para continuar o processo de cortes”, disse.

A SPE elevou de 3,7% para 4,5% a projeção de inflação deste ano. Essa alta tem influência das medidas de estímulo à economia adotadas pelo governo?

A gente estava com cenário benigno de inflação, convergindo para a meta. Depois do choque do petróleovemos não apenas o desvio nas projeções, mas também o [índice] realizado vindo com alguma pressão. Na nossa leitura, o IPCA tem viés de alta esse ano e em 2027 pela inércia, mas a inflação fica dentro da banda superior da meta.

A nossa projeção está um pouco mais baixa do que a da Focus [pesquisa em que o BC coleta estimativas do mercado]. Mas os nossos modelos têm apontado que, embora tenha esse choque, observamos vetores baixistas nesse novo cenário: câmbio mais apreciado, taxa Selic terminal maior do que estava se esperando antes do choque, e as medidas de mitigação que temos adotado.

Qual é a estimativa do governo para o impacto das medidas?

Nossa última estimativa é de 0,3 ponto percentual para baixo na inflação, não considerando a medida da gasolina [subvenção] ainda.

E com a medida da gasolina?

Ainda não temos.

As medidas para controlar os preços dos combustíveis estão sendo decisivas para a inflação ficar dentro da meta?

Sim, com certeza. São medidas importantes para buscar suavizar esse choque nas famílias [renda]. É importante o governo fazer isso, inclusive para ajudar o BC.

Em um choque de oferta, a taxa de juros não é um instrumento que tem grande efetividade. Nesse caso, o que estamos fazendo, dentro da neutralidade fiscal e do espaço que a gente tem, é auxiliar para que não precise reverter o ciclo de taxa de juros.

Qual é o risco? É o BC parar de cortar?

Parar ou voltar a aumentar. Estamos num cenário muito incerto, ainda não sabemos o quanto esse choque vai durar, o quanto esse conflito vai durar, qual o aprofundamento. O cenário é ainda muito dependente de dados. O BC está tomando essa posição de observar o cenário.

Mas até o momento, dado que o Brasil está numa posição muito restritiva da taxa de juros, a gente ainda tem algum espaço aí para continuar o processo de cortes. A discussão é qual o ritmo. Mais acelerado? Menos acelerado? E aí essa decisão é do BC.

Mas as medidas mitigadoras, a sra. acha que elas…

Elas tendem a ajudar [a fazer] com que a gente consiga manter um ritmo de corte, mas a velocidade disso é decisão do BC.

Entendemos que esse é um choque conjuntural, que pode trazer inclusive impactos estruturais. Tem que mitigar, porque a inflação é muito nociva, principalmente para as famílias mais pobres. Primeiro, porque traz prejuízo ao bem-estar. Segundo, se a gente não adota medidas mitigadoras, muito provavelmente acaba tendendo a um cenário em que o BC tem que aumentar a taxa de juros.

Para o fiscal, também é muito ruim, porque é um impacto direto de aumento na dívida. A gente entende que não é interesse do BC que o governo não use o espaço que ele tem dentro da política fiscal, com neutralidade fiscal, para auxiliar neste momento em que a taxa de juros não é o instrumento mais efetivo para mitigar o efeito desse choque.

O Brasil importa uma quantia de diesel significativa, mas na gasolina é diferente, o país importa pouco. Por que então o governo viu necessidade de também intervir nos preços?

Para conseguir mitigar esse processo de aumento de preços. É uma questão de suavização do ciclo, principalmente para proteger as famílias. Se a gente deixa a inflação [ficar] muito alta, tende a ter um efeito estrutural muito relevante. Você está mexendo na renda real das famílias. Por exemplo, elas podem ter que se endividar mais para fazer frente a esse cenário mais adverso. E isso prejudica estruturalmente o país.

Se o governo não tivesse adotado as medidas mitigadoras, o BC já poderia ter colocado o pé no freio?

A decisão é do BC. Ele que tem a prerrogativa de definir a taxa de juros. Mas, sim, a gente entende as medidas como um vetor baixista para a inflação.

Quais evidências o governo tem de que os impactos das medidas estão chegando na ponta e não estão sendo absorvidos pelos intermediários dessa cadeia?

No próprio cenário realizado. Esse choque inicial teria sido muito maior. Mas é óbvio que as medidas também vão fazer efeito ao longo do tempo. A gente vai ter que acompanhar. O número de 0,3 pontos percentuais é para o ano.

Folha Mercado

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O excesso de arrecadação com alta do petróleo não poderia ser usado para melhorar as contas públicas?

Depende do quanto você vai ter de receita extra. Retorno com a pergunta: se você não atua para mitigar os preços, qual é o instrumento que o BC tem para atuar? A taxa de juros. A inação do governo pode custar uma taxa de juros mais alta. E uma taxa de juros maior pode prejudicar o fiscal em uma extensão muito maior do que, de fato, alguma poupança de superávit com receita extraordinária.

O governo está adotando medidas de liberação de crédito bastante criticadas.

Elas têm o objetivo de atuar em questões específicas e pontuais de setores e também questões sociais. Por exemplo, a medida de [linhas para renovação da frota] caminhões. É um setor que estava numa crise tremenda desde o final do ano passado e é importante em termos de encadeamento produtivo, de geração de emprego e renda.

Se a gente deixasse esse setor da forma que estava, ia gerar uma espiral de efeitos deletérios econômicos e também sociais. É uma medida circunscrita ao setor. Óbvio que também combinando com o Plano de Transformação Ecológica, de trazer mais sustentabilidade.

A medida dos apps [linha para motoristas de aplicativo comprarem carro] também é uma medida de crédito. Aqui, o olhar é para essa classe de trabalhadores que tem crescido de forma muito intensa no Brasil. Grande parte dos motoristas de aplicativos não tem carro próprio. Eles alugam o carro a custos muito elevados, trabalham horas a fio e acabam tendo a sua renda muito tolhida pelo custo expressivo do aluguel. Ela também tem um foco importante nas motoristas.

Elas vão ter taxas mais baixas?

Vão ter taxa mais baixa. O último dado é que 16% dos motoristas de aplicativos são mulheres. É importante aumentar essa participação, porque existe um nicho de mercado crescente de mulheres que demandam motoristas mulheres, por questões de segurança.

O outro ponto é que a atividade tem um pouco mais de flexibilidade de horário, é um colchão importante de absorção na volta das mulheres ao mercado de trabalho.

O governo terá que fazer um aporte no FGI (Fundo Garantidor de Investimento) para bancar a linha de R$ 30 bilhoões para os motoristas de aplicativos?

Essa questão ainda vai ser definida. Existe a possibilidade de [a linha] ser garantida pelo FGI, mas não necessariamente toda. É só autorizativo.

Mas tem um subsídio na táxons?

Sim.

Qual é o impacto de todas as linhas de crédito lançadas nas últimas semanas? Muitas vêm sendo alvo de críticas. O governo tem batido na tecla de que não impacta no arcabouço, mas impacta na dívida.

Não consigo dar estimativa, porque existem efeitos diretos, que é o subsídio implícito, mas existem efeitos indiretos, que é o quanto que essas medidas contribuem para o crescimento. Não temos aqui hoje uma estimativa disso.

A secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire

Pedro Ladeira/Folhapress

Se por um lado as medidas de combustível jogam a inflação para baixo, as de crédito podem fazer o inverso…

Até o momento, nossa posição no ciclo é de desaceleração do crescimento frente aos anos anteriores. Em 2023 e 2024, crescemos de forma mais acelerada, acima de 3%. Em 2025, crescemos 2,3%. Para 2026, estamos esperando também um crescimento de 2,3%. É fruto da questão global, mas também da política monetária, que tem seus efeitos defasados.

Com essa taxa de crescimento que desacelerou, entendemos que estamos em linha com o PIB potencial do país, estimado entre 2,3% e 2,5%. Dado esse cenário, a gente entende que essas medidas não trazem preocupação em relação à inflação.

São medidas eleitoreiras?

Não vejo. São medidas circunscritas a mitigar questões estruturais, setoriais ou até mesmo questões conjunturais e também sociais. Como é, por exemplo, o caso dos aplicativos.

Qual a postura da SPE em relação à renegociação das dívidas rurais?

Nossa atuação é no sentido de apresentar uma proposta alternativa. O ministro [Dario Durigan] se reuniu com senadores e pediu que a gente trabalhe numa medida alternativa, ajustando alguns parâmetros em relação à carência de pagamento, ao prazo dessa renegociação.

E a posição em relação à pressão para o aumento do teto do MEI e do Simples. Preocupa?

Não é uma discussão que a gente esteja fazendo.


RAIO-X | DÉBORA FREIRE, 40

Doutora em economia pela UFMG, onde atua desde 2017 como professora adjunta do Departamento de Ciências Econômicas. É especialista em política fiscal, macroeconomia e distribuição de renda, modelagem econômica e análise de impacto de políticas públicas.

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Leilão da Rota dos Sertões recebe 3 propostas, com interesse de Novonor e gestora de Paulo Guedes


A Rota dos Sertões (BR-116/324/BA/PE), trecho de rodovias que liga Feira de Santana (BA) a Salgueiro (PE), recebeu três propostas para o leilão que ocorre nesta quinta-feira (28) na B3a Bolsa de Valores de São Paulo.

Segundo a Folha apurou com pessoa envolvida na organização do certame, uma das proponentes é um consórcio formado pela companhia portuguesa Mota Engil, que venceu a PPP (parceria público-privada) de construção do túnel imerso entre Santos (SP) e Guarujá (SP)a gestora de investimentos Galapagos Capital e a Neo Invest.

Martelo usado em leilão de rodovia na B3, em São Paulo

Danilo Verpa/31.out.24/Folhapress

A Neo Invest é uma companhia controlada pela holding Novonor e faz parte da Nova Infra Invest, unidade de negócio do grupo formado com o propósito de investir e gerir concessões na América Latina. O grupo Novonor também controla a construtora Odebrecht.

O segundo proponente é formado pelo grupo DMDL, que ficou responsável pela infraestrutura da zona azul da COP30e a empresa de engenharia Aspen.

Também entregou proposta um terceiro consórcio formado por um fundo da Yvy Captial, gestora do ex-ministro da Economia Paulo Guedese o grupo Houer.

A reportagem procurou as empresas que fazem parte dos três consórcios que entregaram propostas para o leilão.

A Nova Infra Invest, da Novonor, disse que não irá comentar. As outras empresas e gestoras não enviaram resposta até a conclusão deste texto.

A Rota dos Sertões tem, no total, 502 quilômetros de extensão. Segundo o Ministério dos Transportes, a concessão é fundamental para a integração regional e o fortalecimento da logística na região Nordeste.

A pasta prevê R$ 4,13 bilhões de investimentos em obras (Capex) e R$ 4,4 bilhões em custos de operação (Opex). O contrato terá duração de 30 anos.

Folha Mercado

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Entre as obras previstas no edital da concessão estão a duplicação de mais de 94 km de estradas e a implantação de cinco praças de pedágio. Hoje não há nenhum pedágio no trecho.

As cinco praças de pedágio ficarão localizadas em Feira de Santana (BA), Teofilândia (BA), Quijingue (BA), Chorrochó (BA) e Cabrobó (PE). O edital considera tarifas de R$ 0,09505 por km rodado para pista simples e de R$ 0,12356 por km para pista dupla —sem descontos.

Vencerá o leilão a proponente que oferecer o maior deságio sobre a tarifa básica de pedágio.

A duplicação prevista abrange trechos contínuos e descontínuos da BR-116/BA, com início no município de Serrinha e término em Tucano. O cronograma estabelece a conclusão dessas obras até o sexto ano da concessão.

Folha e UOL assinam acordo inédito no Brasil com OpenAI para alimentar o ChatGPT


UM Folha e o UOL fecharam o primeiro acordo comercial entre empresas de mídia brasileiras e a OpenAIdona do Bate-papoGPT.

A nova parceria viabiliza o fornecimento de conteúdo jornalístico de qualidade para o ecossistema de inteligência artificial da empresa de tecnologia, elevando a confiabilidade das respostas entregues pelo chatbot.

Homem utiliza ChatGPT em seu computador para trabalhar e estudar

Lucas Seixas/Folhapress

A aliança trava ação judicial movida em 2025 pela Folha contra a startup, em que requeria o fim da coleta e uso, sem autorização e pagamento, do conteúdo do site.

O acordo, agora, prevê que a Folha e o UOL compartilhem notícias em tempo real para alimentar a ferramenta. Na prática, isso significa que os cerca de 900 milhões de usuários do ChatGPT poderão receber informações mais recentes e embasadas em dados apurados pelo jornal.

O Brasil é atualmente um dos maiores mercados para o ChatGPT no mundo, com mais de 50 milhões de usuários ativos mensais e cerca de 140 milhões de mensagens trocadas por dia, segundo a plataforma.

Varun Shetty, vice-presidente de Parcerias de Mídia da OpenAI, diz que Folha e UOL estão entre as fontes mais importantes de reportagem original do Brasil.

“Ao tornar o jornalismo feito por eles acessível no ChatGPT, nosso objetivo é ajudar os usuários a obter respostas mais úteis, oportunas e localmente relevantes. Ao mesmo tempo em que apoiamos o relacionamento direto dos publishers com um público global”, afirma.

Para Sérgio Dávila, diretor de Redação do jornal, “o interesse de uma gigante da inteligência artificial como a OpenAI pelo conteúdo da Folha e UOL só reforça a importância do jornalismo profissional”.

Carlos Ponce de Leon, diretor-geral da Folhadiz que a IA vai definir a próxima era da indústria jornalística e que o veículo quer ajudar a moldar esse futuro. “Ao firmar parceria com a OpenAI, estamos colocando a Folha na vanguarda dessa transformação e criando novas maneiras de expandir o alcance, a relevância e o impacto do jornalismo de qualidade.”

Jornalistas na Redação da Folha de S.Paulo em maio de 2026

Eduardo Knapp/Folhapress

Pelo combinado, os veículos também garantem acesso ao plano empresarial do ChatGPT, à API (interface de programação) e também ao Codex, modelo voltado ao desenvolvimento de software. O objetivo é explorar o potencial da IA no apoio ao jornalismo, seja na criação de recursos e produtos para os leitores, seja na otimização dos fluxos internos de trabalho das redações.

Paulo Samia, CEO do UOL, afirma que “as plataformas de IA precisam de fontes confiáveis. É natural que remunerem os autores de conteúdo qualificado por isso.”

Para Murilo Garavello, diretor de conteúdo do portal, “é importante que nosso jornalismo esteja em todos os ambientes que o brasileiro frequenta. E que informações verdadeiras sejam difundidas o máximo possível.”

Desde 2023 a OpenAI já anunciou parcerias com diversas companhias de mídia pelo mundo, como Financial Times, Condé Nast, Le Monde, Time e Axel Springer, entre outras.

Em 2025, a Folha também firmou colaboração com o Googlepelo qual dará acesso a parte de seu acervo de notícias e a um feed de textos em tempo real, ajudando a melhorar os resultados do Gemini.

PADRONIZAÇÃO

Além de acordos particulares entre empresas e disputas judiciais por uso indevido de conteúdo, coalizões jornalísticas surgem como estratégia para tentar diminuir atritos no licenciamento e estabelecer regras na relação entre veículos de imprensa e desenvolvedoras de IA.

Um exemplo recente nessa linha é o projeto Spur (acrônimo em inglês para padrões para direitos de uso de publicações), assinado pelos CEOs de BBC, Financial Times, The Guardian, Sky News e Telegraph.

O objetivo, segundo a iniciativa, é criar padrões técnicos e licenças que permitam às IAs usarem jornalismo de qualidade de forma responsável, garantindo remuneração justa e controle de conteúdo para os publishers.

No Brasil, entidades de mídia já manifestaram intenção de fazer acordos nesse contexto em comunicado divulgado em fevereiro. ANJ (Associação Nacional de Jornais), Abramus (Associação Brasileira de Música e Artes) e Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) enviaram documento a empresas de tecnologia defendendo o uso remunerado do conteúdo de seus membros no treinamento de modelos de IA.

Aéreas de baixo custo dos EUA correm para expandir operações após fim da Spirit Airlines


Com o O bloqueio das operações da Spirit Airlines não começará este mêsdiversas companhias aéreas de baixo custo dos EUA estão rapidamente assumindo rotas deixadas pela antiga ultra low-cost, que atuava em mercados sensíveis a preços e destinos turísticos.

Entre as principais empresas que estão expandindo seus serviços para atender a demanda antes atendida pela Spirit estão JetBlue, Breeze Airways, Frontier Airlines e Allegiant Air.

Essas companhias miram rotas, passageiros e slots aeroportuários liberados pela saída da Spirit, ajustando suas operações diante da ausência de uma das maiores do setor.

Avião da JetBlue decolando à frente de aviões da Spirit Airlines no aeroporto de Fort Lauderdale

Joe Raedle – 2.mai.26/Getty Images via AFP

A JetBlue anunciou a inclusão de 11 destinos partindo do Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood, uma das principais bases da Spirit. Entre as novas rotas estão Baltimore, Charlotte, Nashville, Detroit, Houston, Chicago, Columbus, Indianapolis, Barranquilla, Cali e Ponce.

A empresa também ofereceu igualar o nível de fidelidade de membros silver e gold do programa Free Spirit da Spirit, além de tarifas promocionais de US$ 99 (R$ 496,69)para clientes afetados pelo fechamento da concorrente.

A Breeze Airways também está aproveitando o vácuo, iniciando voos a partir do Aeroporto Internacional de Atlantic City, em Nova Jersey, para destinos na Flórida, como Orlando, Fort Lauderdale e Tampa. A Spirit dominava cerca de 75% do tráfego desse aeroporto antes do encerramento.

A Frontier retomou serviços em rotas anteriormente operadas pela Spirit, como Las Vegas-Kansas City e Orlando-Memphis, e aumentou a capacidade em 13 rotas anuais da Spirit, incluindo oito que servem Orlando.

Apesar da corrida para preencher o espaço da Spirit, o setor de companhias low-cost enfrenta desafios semelhantes aos que contribuíram para o colapso da companhiacomo aumento do preço do combustível, inflação e concorrência com grandes empresas aéreas.

A Associação de Companhias Low-Cost solicitou US$ 2,5 bilhões (R$ 12,5 bi) em auxílio federal para compensar custos de combustível, mas o pedido foi negado pelo Departamento de Transportes.

Além disso, a saída da Spirit reduziu a concorrência em vários mercados, com 17 rotas ficando sem nenhum serviço aéreo e o Aeroporto Regional Arnold Palmer, em Latrobe, no estado da Pensilvânia, perdendo sua única linha aérea. O número de rotas com monopólio subiu de oito para 63 após o fechamento da Spirit.

Outro impacto importante é a disputa pelos valiosos slots aeroportuários deixados pela Spirit, especialmente no Aeroporto LaGuardia, em Nova York, onde alguns horários podem valer até US$ 87 milhões (R$ 436,5 mi), segundo o Wall Street Journal.

Novo crédito para motoristas de apps reduz parcelas do financiamento; veja simulações


UM nova linha de financiamento criada pelo governo federal para motoristas de aplicativo e taxistas pode reduzir em até R$ 1.025,56 o valor da parcela na comparação com taxas médias praticadas pelo mercado. Em um financiamento de 72 meses e sem entrada (condições oferecidas pelo programa), a diferença pode chegar a R$ 73,8 mil, segundo simulações feitas pela calculadora da empresa SuperRico.

Foi considerada taxa média de mercado próxima de 26,6% ao ano para os valores das parcelas em financiamentos fora do programa do governo. Os valores podem variar conforme o perfil de crédito do motoristaanálise da instituição financeira, prazo escolhido, valor dado na entrada e custos adicionais da operação.

Os cálculos consideram valores de referência dos carros já confirmados como elegíveis ao Move Brasilmas os preços de cada concessionária podem variar com a região, o ponto de venda e quaisquer descontos ou promoções oferecidos pelas montadoras.

O governo reservou até R$ 30 bilhões para operações de crédito por meio do BNDES. A liberação do crédito começa efetivamente a partir do dia 19 de junho. O CMN (Conselho Monetário Nacional) ainda deve detalhar regras operacionais da linha, como participação dos bancos e critérios finais de contratação.

Presidente Lula durante lançamento do programa Move Aplicativos, na Casa de Portugal, na Liberdade, São Paulo (SP) –
Bruno Santos – 19.mai.26/Folhapress

Outros cálculos feitos com o simulador consideram uma entrada de 50% do valor do carro e pagamento em 48 vezes. No Volkswagen Polo Track, vendido por R$ 87.987,90, a parcela cairia de R$ 1.429,90 no financiamento tradicional para R$ 1.156,93 no Move Brasil para homens e R$ 1.135,66 para mulheres. A diferença mensal chegaria a R$ 273 para homens e R$ 294 para mulheres.

Ao fim de 48 meses de contrato, o valor total pago passaria de R$ 112,6 mil no crédito convencional para R$ 99.526,70 entre motoristas homens e R$ 98.505,52 entre mulheres —economia de até R$ 14 mil no período.

Em um modelo mais caro, como o Volkswagen T‑Cross 200 TSI, vendido por R$ 142.111 aos motoristas de app e taxistas, a diferença seria ainda maior. O veículo teria parcela mensal de R$ 2.309,46 no financiamento tradicional; R$ 1.868,58 para homens; e R$ 1.834,22 para mulheres. Os juros no financiamento cairiam até R$ 22,8 mil.

Já para o Honda City LX 1.5, a um preço de R$ 110.963 pela tabela Fipe de São Paulo, a parcela mensal sairia de R$ 1.803,27 no financiamento tradicional para R$ 1.459,03 para homens e R$ 1.432,20 para mulheres no programa subsidiado.

Ao fim do contrato, o custo total cairia de R$ 142 mil para R$ 125,5 mil entre homens e R$ 124 mil entre mulheres. A economia acumulada para motoristas mulheres ultrapassaria R$ 17,8 mil em quatro anos nessa simulação.

Pelas regras divulgadaspoderão acessar a linha taxistas e motoristas de plataformas como Uber e 99 que comprovem ao menos cem corridas realizadas em um ano. O financiamento vale para veículos novos de até R$ 150 mil, incluindo modelos flex, híbridos e elétricos.

Levantamento do aplicativo GigU, por meio da sua base de 125 mil motoristas e motociclistas cadastrados nas plataformas Uber, 99 e InDrive, aponta que 74,6% têm carro próprio e 25,4% alugado. Segundo a GigU, seus usuários rodam em média 4.546 quilômetros por mês, ou 54,5 mil ao ano.

Folha Mercado

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Dexco, dono da Deca, fecha fábrica de revestimentos cerâmicos em SC


A Dexco, dono da Deca, anunciou o encerramento das atividades industriais da unidade de Urussanga (SC), segundo comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A empresa decidiu concentrar suas operações industriais no segmento de revestimentos cerâmicos nas unidades de Criciúma (SC) e Botucatu (SP) a partir desta segunda-feira (25).

Cerâmica usada em reforma de cozinha

Divulgação

“A medida faz parte da estratégia de assegurar a continuidade e a sustentabilidade de longo prazo do negócio, por meio da melhor utilização da capacidade instalada, ganhos de produtividade e maior eficiência operacional, mantendo inalterados o portfólio da divisão, a atuação das marcas Portinari e Ceusa e o compromisso da companhia com o atendimento aos seus clientes”, disse a Dexco.

A empresa, que também é detentora da marca Hydra, destacou que não haverá impacto relevante nos resultados relacionado ao fechamento da planta, e seus efeitos serão classificados como não recorrentes.

Petróleo desaba quase 6%, fica abaixo de US$ 100 e tem menor preço em um mês com possível acordo entre EUA e Irã


O preço do petróleo desabou quase 6% e atingiu o seu menor valor em mais de um mês ao ser cotado a US$ 94,22, às 8h45 (horário de Brasília) desta segunda-feira (25).

O barril Brent, referência mundial, foi negociado pela quantia mais baixa desde 22 de abril, quando alcançou foi vendido a US$ 91,42. Na sexta-feira (22), o preço estava em US$ 100,21, mas ele despencou para US$ 95 logo na abertura da sessão, às 19h de domingo (24).

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, chegou a cair a US$ 90,34 nesta segunda e estava a US$ 90,83, queda de 5,97%, às 9h15.

Navios aguardam no estreito de Hormuz

Majid-Asgaripour – 22.mai.26/Reuters

Os investidores repercutiram um possível acordo entre o Irã e os Estados Unidos para o fim da guerra. No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o bloqueio americano no estreito de Hormuz continuaria em vigor enquanto um acordo com o Irã não fosse “alcançado, certificado e assinado”.

Horas depois, na manhã desta segunda, Trump voltou a subir o tom ao estipular limites para a negociação no Oriente Médio. “O acordo com o Irã será grande e significativo, ou não haverá acordo”, escreveu na sua rede social Truth Social.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que há uma possibilidade de o acerto ser anunciado ainda nesta segunda. “Temos uma proposta bastante consistente [para abrir o estreito de Hormuz]”, declarou em Nova Déli.

“[A proposta] conta com muito apoio no golfo…Todos os países com quem temos debatido entendem que não é só uma proposta muito razoável como também é o correto para o mundo”, indicou o secretário.

Porém o otimismo mostrado pelos EUA não era o mesmo entre os negociadores do Irã. “É verdade que chegamos a uma conclusão em grande parte dos temas em discussão…mas afirmar que a assinatura de um acordo é iminente é algo que ninguém pode sustentar”, comentou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.

Ele reiterou que o país não abre mão de manter o controle sobre o tráfego no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, com a cobrança de taxas, o que é rechaçado pelos norte-americanos.

“Os serviços prestados, ou seja, os serviços de navegação, assim como as medidas necessárias para proteger o meio ambiente do estreito de Hormuz, do golfo Pérsico e do mar de Omã exigem a cobrança de certas taxas”, disse o porta-voz.

Além de Hormuz, outro ponto de discordância entre as partes é a manutenção do programa nuclear de Teerã. As autoridades iranianas afirmaram que este tema será debatido em um outro momento, após um evento acordo inicial, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou no domingo que ele e Trump concordaram que qualquer acordo final com o Irã deve incluir a “exigência” de “desmantelar o programa nuclear do Irã e retirar todo o urânio enriquecido do território iraniano”.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que é responsável por intermediar as negociações de paz, afirmou em visita ao líder da China, Xi Jinping, que houve um avanço nas conversas entre EUA e Irã, mas evitou fazer previsões sobre o acordo.

Segundo a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, um possível acordo para o fim da guerra levaria o número de navios autorizados a transitar pelo estreito de Hormuz a normalizar em 30 dias.

Folha Mercado

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O bloqueio naval deve ser completamente suspenso em 30 dias, de acordo com um memorando de entendimento, disse a Tasnim, acrescentando que parte dos fundos congelados do Irã deve ser liberada na primeira fase.

O analista da MST Marquee Saul Kavonic disse que, apesar de todas as ressalvas e riscos que ainda cercam o acordo de paz, agora há alguma luz no fim do túnel, o que deve trazer um alívio de curto prazo para os preços do petróleo.

No entanto, analistas esperam que sejam necessários meses para que os fluxos de petróleo pelo estreito voltem ao normal e para que instalações danificadas sejam reparadas.

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