Aneel nega habilitação de 9 termelétricas do leilão de capacidade


A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) negou a habilitação de nove projetos de usinas termelétricas detidos pela EPP, empresa que a holding J&F negocia a compra de 30% do capital, que venceram o leilão de capacidade realizado pelo governo federal em março, segundo documentos publicados nesta sexta-feira (29).

Os dois leilões destinados a aumentar a segurança energética do Brasil, que negociaram perto de 19 GW (gigawatts) e R$ 64,5 bilhões em investimentos, resultaram na maior contratação do setor elétrico nacional, tendo 100 usinas novas e existentes como vencedoras, de grandes empresas como Petrobras, Eneva, Axia e Copel.

Usina de Belo Monte, no Pará

Joédson Alves/Agência Brasil

A J&F, grande geradora termelétrica que também se sagrou vencedora, contestou posteriormente o certame e buscava anular parcialmente os resultados, após questões no cadastramento de suas usinas ter deixado a empresa fora de algumas disputas contratuais.

De acordo com portaria no DOU (Diário Oficial da União) nesta sexta-feira, foram inabilitados os projetos de usinas a gás natural Altos I, Teresina EPP, Amarração EPP, Portinho BEP, Sergipe V, Aracati, Porto Norte Fluminense II C, Porto Norte Fluminense I B e Santa Clara.

Os empreendimentos somam 1,7 GW de capacidade e haviam ganhado contratos para disponibilizar potência para o sistema elétrico brasileiro a partir de 2028 e 2029, com investimentos totais estimados em R$ 7,6 bilhões.

De acordo com a nota técnica da Aneel, as empresas que compõem os consórcios donos das usinaslideradas pela EPP, “não preenchem os requisitos de habilitação econômico-financeira, ao não apresentarem elementos…que possibilitariam a aferição de algumas subcontas dos respectivos balanços patrimoniais, além de se verificar que… está ocorrendo dupla contagem do mesmo patrimônio”.

Ainda segundo o documento, após o leilão, a EPP comunicou à Aneel a possível entrada da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, no quadro societário da empresa, com a compra de 30% do capital. Mas a Aneel vedou a apresentação pela EPP de novos balanços patrimoniais após a reestruturação societária ligada à J&F, com base no entendimento de que isso não poderia ocorrer após o certame.

Procurada, a J&F não comentou imediatamente.

O grupo EPP foi um dos vencedores do primeiro leilão de capacidade realizado pelo governo brasileiro, em 2021, e também vendeu projetos na época para a J&F.

As inabilitações dos empreendimentos da EPP também ocorre após alerta feito pelo TCU (Tribunal de Contas da União) de uma investigação sobre as chamadas “geradoras de papel”, empresas que ganham leilões de energia sem ter ativos em operação e capital próprio compatível com investimentos assumidos para, depois, vender projetos no mercado secundário.

Folha Mercado

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NOVAS HABILITAÇÕES

Ainda nesta sexta-feira, foram publicadas no DOU mais habilitações de vencedoras do leilão de capacidade, representando 2,3 GW de um total de 19 GW contratado.

Estão na lista de novas habilitações usinas da Eneva, da Delta Geração de Energia, da Faixa Preta Investimentos, do fundo de investimentos Natural Capital Infra II e a UTE Tacaimbó I.

Na semana passada, a Aneel confirmou os primeiros contratos de usinas termelétricas negociados no leilão, após a Justiça ter rejeitado pedidos de suspensão do resultado do certame.

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500 milhões de dólares garantidos para financiar…

Matola, 29 Mai (AIM) – Acubar Baptista, Secretário Permanente do Ministério da Agricultura, anunciou que o governo garantiu 500 milhões de dólares americanos para financiar actividades agrícolas e fortalecer a pecuária.

Segundo Baptista, falando à margem da Consulta Pública sobre o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrícola (PEDSA 2036) e o Programa de Desenvolvimento da Cadeia de Valor do Agronegócio (MozAgriBiz), os fundos serão desembolsados ​​pelo Banco Mundial em duas fases.

“A prioridade é apostar na produção de alimentos básicos, essencialmente arroz e milho, feijão e também batata. O objectivo é consolidar a diversificação alimentar da população e garantir a segurança alimentar”, afirmou.

O Secretário Permanente explicou que do lado das proteínas, o plano inclui o aumento da produção pecuária. “Queremos também abordar a pecuária, que é a componente proteica. Estamos a falar de galinhas e ovos, bem como da produção de soja, e da criação de bovinos e caprinos”, afirmou.

O evento – que teve como objectivo recolher contributos e recomendações para fortalecer o PEDSA 2036 e o ​​MozAgriBiz – teve também como foco a criação de estratégias para promover um sector agrícola mais produtivo, moderno, resiliente e competitivo, capaz de contribuir para a segurança alimentar, criação de emprego, geração de rendimento e desenvolvimento sustentável no país.

(MIRAR)

ZT/Am/

Acordo para salvar BRB prevê plano de reestruturação do banco estatal


Após o fechamento do acordo de socorro ao BRB (Banco de Brasília)o governo do Distrito Federal terá que apresentar um plano robusto de reestruturação do banco estatal para afastar o risco de o empréstimo do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) ter fôlego curto.

De acordo com técnicos do governo federal que participaram do desenho do resgate financeiro, a governadora do DF, Celina Leão (PP), precisará colocar “pele no jogo” para tirar o BRB da crise financeira.

Isso significa, na prática, vender mais ativos, fora os que já estão programados e anunciados pelo governo do DF, para injetar mais capital no BRB além do previsto. Em assembleia extraordinária, realizada em abril, o banco público já aprovou um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhõeso que pode não ser suficiente por muito tempo.

Ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Jorge Silva – 24.abr.2026/REUTERS

O ministro da Fazenda, Dario Duriganjá indicou o tamanho do buraco do BRB ao falar, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que uma eventual quebra do banco levaria a um rombo de R$ 17 bilhões ao FGC.

O BRB não publicou até agora o seu balanço de 2025, descumprindo prazos legais do Banco Central, e essa foi a primeira sinalização de uma autoridade econômica sobre o real tamanho das perdas após o banco estatal se envolver na compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Mestrede Daniel Vorcaro. O que se sabe até agora é que o BRB comprou cerca de R$ 21,9 bilhões em ativos do Master.

O acordo foi fechado nesta quinta-feira (28) entre o governo federal e o DF durante audiência de conciliação intermediada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux. A auxiliares, Fux disse que apenas homologou a proposta levada pelo Ministério da Fazenda.

O acordo também prevê a adoção de medidas de ajuste fiscal pelo governo de Celina Leão. O governo não poderá dar aumento salarial aos servidores, criar cargos ou realizar concursos. O objetivo é viabilizar um empréstimo de até R$ 6,5 bilhões do FGC para o BRB.

A articulação da saída para o BRB começou cerca de 10 dias antes de o governo do DF entrar com a ação no STF para suspender a regra que impedia o governo Lula de dar garantia ao empréstimo do FGC, de acordo com relatos obtidos pela reportagem com as partes envolvidas nas negociações.

A petição do governo do DF foi protocolada no STF no dia 20 de maio e mantida sob sigilo. Àquela altura, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, já tinha dado um sinal de abertura de diálogo em público, o que animou o time do presidente do BRB, Nelson Antônio de Sousa. Antes, o desânimo havia se instalado porque o presidente Lula tinha se negado a abrir uma agenda para receber Celina Leão, apesar do pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

No governo federal e até mesmo entre integrantes do BRB, havia o diagnóstico de inação da gestão Celina Leão. A articulação envolveu conversas de Durigan com o presidente Lula, que deu aval para que o ministro seguisse nos estudos em busca de uma saída para o banco de Brasília.

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Um técnico contou que o Ministério da Fazenda já imaginava que poderia haver um recurso do DF no STF, como já ocorreu no passado com outros Estados para flexibilizar regras. O temor era de que o Supremo, por exemplo, mandasse o Tesouro pagar empréstimo ou até mesmo federalizar o BRB.

A missão dada aos técnicos do Tesouro foi encontrar uma opção que não envolvesse resgate do banco com dinheiro público. Pesou na decisão o papel do BRB como operador de política pública no DF, com a gestão da folha de servidores, do sistema de bilhetagem de passagens de transporte urbano e pagamento de benefícios sociais. São funções que se assemelham às desempenhadas pela Dataprev e pelo Serpro, duas estatais do governo federal, de acordo com um auxiliar de Lula.

A visão que prevaleceu no governo foi a de que a intensificação da crise poderia respingar também no governo federal neste ano eleitoral.

Anthropic capta US$ 65 bi em nova rodada de financiamento e ultrapassa avaliação da OpenAI


UM Antrópico levantou US$ 65 bilhões (R$ 327 bi) em uma nova rodada de financiamento que quase triplicará a avaliação da startup e a fará ultrapassar a arquirrival OpenAI como o laboratório de IA (inteligência artificial) mais valioso.

A criadora do chatbot Claude foi avaliada em US$ 900 bilhões (R$ 4,5 tri), sem incluir o novo investimento, como parte da captação liderada por Altimeter Capital, Dragoneer, Greenoaks e Sequoia Capital.

A rodada ocorre apenas três meses depois de a Anthropic ter levantado US$ 30 bilhões (R$ 150,9 bi) em um acordo que a avaliou em US$ 350 bilhões, à medida que a popularidade de suas ferramentas para desenvolvedores de software e clientes corporativos impulsionou um crescimento extraordinário e lhe deu vantagem sobre a OpenAI, avaliada mais recentemente em US$ 852 bilhões (R$ 4,2 tri).

Logo da Antrópico –
Sébastien Bozon – 21.abr.26/AFP

“Os últimos avanços do Claude impulsionaram a adoção em larga escala entre as organizações mais exigentes do mundo. Esse impulso posiciona a Anthropic para liderar a próxima fase da inovação em IA”, disse Brad Gerstner, fundador e CEO da Altimeter Capital.

A receita anualizada da Anthropic, uma métrica preferida por startups que estima receitas anuais com base no desempenho de curto prazo, ultrapassou US$ 47 bilhões (R$ 236,5 bi) neste mês, informou a empresa. O aumento de mais de cinco vezes desde o início do ano é sem precedentes para uma startup de seu porte.

Os investidores buscam ampliar suas participações na Anthropic antes de um IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial) que pode ocorrer ainda este ano, enquanto OpenAI e SpaceX também correm em direção a aberturas de capital.

O financiamento coroa um período extraordinário para a Anthropic, liderada pelo CEO Dario Amodei, no qual o anúncio de suas novas ferramentas de IA abalou setores inteiros do mercado de ações, de gestores de patrimônio a grupos de segurança cibernética.

O poder de seu modelo Mythos, que foi disponibilizado a um grupo limitado de parceiros devido às suas capacidades avançadas, gerou preocupação de governos e reguladores financeiros ao redor do mundo.

Nesta quinta-feira (28), a empresa também lançou a versão mais recente de seu modelo Claude, o Opus 4.8, que segundo a companhia é mais “honesto” e “mais propenso a sinalizar incertezas sobre seu trabalho e menos propenso a fazer afirmações sem fundamento”.

O progresso financeiro da Anthropic foi pouco afetado por sua disputa com o Pentágono sobre os termos que regem o uso militar da IA.

O novo financiamento inclui investimentos dos três principais fabricantes de chips de memória: Micron, Samsung e SK Hynix. A Anthropic é cliente final desse tipo de hardware, que tem estado cada vez mais em falta devido à enorme demanda de data centers de IA.

A participação dessas empresas ocorre na esteira de outros acordos circulares tanto da OpenAI quanto da Anthropic com provedores de nuvem e outros fabricantes de chips, como a Nvidia.

Esses arranjos complexos entre clientes, fornecedores e investidores na indústria de IA aumentaram as preocupações sobre uma bolha no setor.

Folha Mercado

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O novo capital será destinado aos esforços da Anthropic para obter poder computacional suficiente para atender à crescente demanda por suas ferramentas. A empresa tem enfrentado problemas de capacidade nos últimos meses.

Recentemente, ela fechou um acordo multibilionário com a SpaceX de Elon Musk para usar um de seus data centersalém de acordos de longo prazo com Google, Broadcom e Amazon que podem totalizar centenas de bilhões de dólares.

“Este financiamento nos ajudará a atender à demanda histórica que estamos experimentando, permanecer na fronteira da pesquisa e levar o Claude a mais lugares onde o trabalho acontece”, disse Krishna Rao, diretor financeiro da Anthropic.

Outros fundos de capital de risco e gestores que investiram na empresa incluem Baillie Gifford, Blackstone e Brookfield, além de investidores estatais como a MGX de Abu Dhabi e a Temasek de Singapura.

Brasil abre 85 mil vagas de trabalho formal em abril, pior resultado desde 2020, diz Caged


A economia brasileira abriu 85,8 mil vagas de trabalho formal em abril, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta quinta-feira (28) pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). É o pior resultado para o mês desde 2020, ano do início da pandemia.

Em abril, o país tinha 2,2 milhões contratos e 2,1 milhões de demissões. O resultado está abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado, quando o saldo positivo foi de 227 mil. Em relação a abril de 2025, houve uma queda de 2,4% no total de admissões e um aumento de 4,6% no número de desligamentos.

No acumulado de janeiro até agora, 699 mil empregos formais foram criados, menos do que no mesmo período do ano passado, quando o saldo foi de 913 mil. Já no acumulado dos últimos doze meses, o saldo foi de mais 1 milhões de empregos, um aumento de 2,3% no período.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho

Evaristo Sá/AFP

Segundo Luiz Marinho, ministro do Trabalho, a queda no número de empregos neste mês é resultado do impacto da alta do juros e os efeitos da guerra no Irã. Hoje, a Selic está em 14,5% ao ano.

‘Nesse exato momento, o calendário está impactado também pelos efeitos da guerra. A conjunção desses fatores soma efeito negativo para economia. Não vejo motivo de desespero, é um crescimento contido. Me preocuparia muito se houvesse impacto negativo na indústria”, disse nesta quinta-feira.

O setor com maior número absoluto de novas vagas foi o de serviços, com 69 mil postos formais, seguido pelo setor de construçãocom mais 23 mil, e indústria, com 9.256.

No setor de serviços, com melhor resultado, houve alta no segmento de saúde humana, com mais 18 mil postos, seguido pelo de transporte, que teve aumento de 12 mil.

Já comércio e agropecuária registraram saldo negativo, com menos 8.114 e menos 8.378 postos formais de trabalho em abril, respectivamente. A queda no comércio ocorreu devido a uma redução de admissões nos ramos varejista e atacado. Já no agro, a baixa foi impulsionada pela diminuição dos cultivos de soja, maçã e laranja.

De acordo com Paula Montagner, subsecretária de estatísticas e estudos do Trabalho do MTE, o saldo negativo do comércio também tem relação com a alta de endividamento dos brasileiros. A alta de inadimplência levou o governo a lançar o Novo Desenrola, para renegociar dívidas.

“Temos conjunto grande de pessoas que está com endividamento. Não é a toa que o Desenrola foi absorvido tão rapidamente no processo”, afirmou.

Por estado, as maiores altas foram no Acre, onde houve aumento de 0,9% no total de empregos formais, seguido por Amapá e Distrito Federal, com 0,8% e 0,4%, respectivamente.

No acumulado de janeiro a abril, o setor de comércio foi o único que registrou saldo negativo, com menos 26 mil postos formais no período –puxado pela queda no ramo de vestuário e de calçados.

Neste período, as maiores variações foram para Goiás, com aumento de 2,8% no total de postos formais, seguido pelo Amapá, com alta de 2,6%, e de Santa Catarina, com 2,5%. Alagoas teve a maior queda também no acumulado, com menos 2,69% postos formais.

Peter Thiel, bilionário aliado de Trump, se muda para a Argentina e vê país como alternativa aos EUA


O torneio de sábado no clube de xadrez de Buenos Aires ele reuniu sua escalação habitual de jogadores, incluindo um contador, um universitário e crianças em idade escolar. Mas desta vez, curvado sobre as mesinhas de madeira do clube, estava um novo participante: Peter Thiel, bilionário de direita do setor de tecnologia e notório apoiador de Donald Trump.

Thiel —que, segundo um dos participantes, “não jogou mal” e ficou em terceiro lugar— havia recentemente deixado suas casas em Los Angeles e Miami para se estabelecer a milhares de quilômetros de distância, na capital da Argentina.

Nos últimos dois meses, Thiel se reuniu com o presidente argentino, Javier Mileye seus ministros; comprou uma mansão em um dos bairros mais exclusivos de Buenos Aires; e ofereceu um jantar a economistas locais onde discutiu o anticristo, um de seus temas favoritos, segundo autoridades argentinas e pessoas familiarizadas com as atividades do empresário.

Peter Thiel saindo de reunião com Javier Milei na Casa Rosada

Matias Baglietto – 23.abr.26/Reuters Mais

Thiel tem um histórico de ter países de reserva enquanto se protege dos EUA. Agora, ele considera fazer da Argentina outro plano B, segundo duas pessoas familiarizadas com suas ideias. Nascido na Alemanha e criado nos EUA, ele obteve cidadania na Nova Zelândia em 2011 e solicitou passaporte em Malta em 2022.

Suas novas raízes na Argentina são parcialmente motivadas por suas preocupações com os rumos dos EUA, dizem as pessoas a par de seus planos. A preocupação é particularmente com a Califórnia, onde uma iniciativa pode levar a um imposto significativo sobre bilionários.

A Argentina, uma nação relativamente isolada de potenciais conflitos, também se encaixa como uma possível rota de fuga de outros riscos sobre os quais Thiel alertou publicamente —como uma guerra nuclear e uma IA (inteligência artificial) descontrolada.

Thiel ficou energizado pelo que descobriu na Argentina, encontrando sintonia com o governo libertário de Milei e se encantando com a vibração de Buenos Aires, disseram as pessoas. Elas, e outras familiarizadas com as atividades do bilionário e discussões sobre o país, falaram sob condição de anonimato.

Thiel não respondeu a um pedido de comentário.

Reforçando sua crença no país, Thiel, 58, transferiu temporariamente sua família para a Argentina e matriculou seus filhos em uma escola local, disseram duas das pessoas. O governo argentino também explorou oferecer ao bilionário residência permanente ou até cidadania, disse outra pessoa familiarizada. Não está claro se ele aceitaria.

Um porta-voz de Milei negou que tal oferta tenha sido considerada. O governo argentino está trabalhando para estabelecer um programa de “passaporte dourado” que permitiria que pessoas que façam grandes investimentos no país obtenham cidadania.

“Todos os bilionários do mundo que queiram fugir de países cada vez mais regulados, com impostos mais altos e governos que perseguem seus cidadãos, são bem-vindos na república Argentina, a nova terra da liberdade”, disse Manuel Adorni, chefe de gabinete de Milei, no mês passado perante o Congresso, respondendo a uma pergunta sobre Thiel.

Adorni acrescentou que Thiel estava “interessado nas reformas profundas que estamos levando adiante”.

UM ALIADO IDEOLÓGICO

A Argentina pode ser um lugar improvável para um bilionário em busca de estabilidade. O país passou por quase um século de instabilidade, marcado por golpes militares e colapsos financeiros espetaculares exemplificados por inflação de três dígitos.

Mas em Milei, Thiel tem um aliado ideológico. Os dois compartilham uma aversão a impostos, ao socialismo e ao “wokeness” (“lacração”) —rótulo negativo que críticos usam para descrever políticas progressistas.

Desde que se tornou presidente em 2023, Milei buscou reformular a economia argentinapromovendo ampla desregulamentação e cortes nos gastos do governo. Ele tem procurado atrair investimento estrangeiro nos recursos naturais do país, incluindo petróleo, lítio e minerais de terras raras.

Thiel se opôs veementemente a impostos nos EUA. O interesse na Argentina aumentou depois que grupos políticos da Califórnia começaram a discutir uma iniciativa que aplicaria um imposto de 5% sobre os ativos dos bilionários do estado. No final do ano passado, Thiel estava considerando cortar laços com o estado e começou a explorar viver fora da Califórnia.

Thiel começou a considerar seriamente a Argentina como um lugar para morar, pelo menos temporariamente, há cerca de um ano e começou a procurar imóveis em Buenos Aires, disseram as duas pessoas familiarizadas com seu pensamento. Elas disseram que ele também contratou um marchand de arte local para mobiliar sua casa.

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Desde que chegou a Buenos Aires em abril, Thiel e seu marido, Matt Danzeisen, jantaram na casa do ministro da desregulamentação da Argentina, Federico Sturzenegger, disse uma pessoa familiarizada com o encontro. Thiel se encontrou separadamente com o ministro da Economia, Luis Caputo.

O bilionário e um associado de sua firma de capital de risco, Founders Fund, também passaram tempo com Milei no mês passado na casa presidencial. Em uma entrevista a um canal de streaming após essa reunião, Milei disse que o encontro foi de dois indivíduos com ideias semelhantes e que Thiel perguntou como ele garantiria que o libertarianismo perdure na Argentina além de sua presidência.

Foi um anarcocapitalista que conheceu outro anarcocapitalista que está colocando as coisas em prática”, disse Milei.

PLANO B

O interesse de Thiel na Argentina não se deve apenas ao seu alinhamento com as políticas de Milei.

Thiel também parece estar aproveitando a vida argentina. Ele assistiu ao jogo de futebol mais tradicional da Argentina —entre os rivais River Plate e Boca Juniors— e viajou para Bariloche, um destino de montanha à beira de um lago na Patagônia.

No mês passado, em um jantar à luz de velas na mansão de Thiel em Buenos Aires, economistas influentes e intelectuais argentinos se reuniram para discutir a história e a economia do país, antes de a conversa se voltar para o anticristo, segundo três pessoas familiarizadas com o encontro.

Alguns dos presentes não sabiam o que pensar das reflexões apocalípticas de seu anfitrião, mas ouviram atentamente.

Vista noturna de Puerto Madero, região boêmia de Buenos Aires –
Matias Baglietto – 28.set.25/Reuters

O torneio de xadrez deste mês no bairro de Almagro, na capital argentina, foi um evento mais animado. Thiel, que era o jogador com maior classificação na competição, posou para fotos usando sua medalha de terceiro lugar e ficou para jogar xadrez com uma criança, disse Rafael Jabie, terapeuta que ficou em segundo lugar.

Milei e seus apoiadores foram rápidos em abraçar o bilionário como um dos seus.

“Ele já é mais argentino” do que os esquerdistas, escreveu Juan Pablo Carreira, que dirige as comunicações digitais da presidência argentina, no X.

Daniel Parisini, um comentarista de direita próximo a Milei, postou uma imagem gerada por IA de Thiel sentado em frente a uma grill, ou tradicional churrasco argentino, enquanto outros online criaram imagens de Thiel comendo o bife à milanesa típico do país, em uma casa argentina.

Em uma nação polarizada, mudando rapidamente sob Milei, a presença de Thiel tem sido vista de forma radicalmente diferente ao longo do espectro político. Apoiadores do governo veem a presença do capitalista de risco como prova de que Milei está transformando com sucesso a Argentina em um refúgio para investidores estrangeiros. Os críticos de Milei veem isso como mais um exemplo do país sendo vendido ao capitalismo desenfreado.

“O que Peter Thiel está fazendo é terrível”, escreveu a política argentina Elisa Lilita Carrió no X, citando a Palantir, empresa que ele cofundou e agora preside. “Sua instalação na Argentina é ainda pior”, acrescentou.

Outros espalharam teorias de que ele estava vindo para interferir nas eleições presidenciais do próximo ano, construir grandes data centers ou se apoderar dos dados pessoais dos argentinos com a Palantir. A empresa tem relacionamentos profundos com o governo dos EUA.

O único investimento conhecido de Thiel foi em imóveis pessoais. Além da casa em Buenos Aires, do outro lado da rua da casa de uma das atrizes mais famosas da Argentina, Thiel também comprou um terreno no vizinho Uruguaidisse uma pessoa familiarizada com a compra.

A propriedade uruguaia fica em extensas pastagens pontilhadas de fazendas, perto de Punta del Este. O Local é um destino turístico glamoroso no Oceano Atlântico que as pessoas chamam de Hamptons da Ámérica do Sul. Alguns observadores especularam que o local poderia incluir um bunker para se abrigar de um apocalipse nuclear.

Ele não seria o primeiro membro da elite global a pensar na região como um lugar para se abrigar de um Armagedom nuclear. Martin Varsavsky, empreendedor de tecnologia espanhol próximo a Thiel, construiu uma fazenda na cidade argentina de Mendoza, que ele disse ver como um potencial abrigo em caso de Terceira Guerra Mundial.

Varsavsky levantou a hipótese de que a Argentina não seria afetada se o Hemisfério Norte fosse destruído por uma guerra nuclear.

“No momento em que a China tomar Taiwan ou a Rússia levar para Lituâniaestarei em Buenos Aires”, disse ele. “É bom ter um plano B para a civilização.”

Análise: Classificação de CV e PCC como terroristas traz risco econômico ao Brasil


UM designação fazer PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas EUA pode parecer, para alguns desavisados, apenas mais um gesto simbólico da guerra contra o crime. Não é. Trata-se de uma medida jurídica de alcance extraterritorial, com efeitos econômicos, financeiros e reputacionais para o Brasil.

Muitos dos brasileiros que defenderam essa designação talvez não tenham calculado suas consequências. Ou pior: imaginaram que o problema atingiria apenas traficantes em morros distantes. Mas não funciona assim.

Quando os EUA classificam uma organização como FTO (Foreign Terrorist Organizations, ou organização terrorista estrangeira), ativam o mecanismo previsto na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade (Immigration and Nationality Act).

Placa com pichação de facção criminosa na rodovia RR-205 no caminho que vai de Boa Vista até a Terra Indígena Boqueirão em Roraima. –
Lalo de Almeida – 9.fev.23/Folhapress

A consequência mais importante (18 U.S.C. § 2339B): torna-se crime federal prestar “suporte material” à organização designada. E suporte material é interpretado de forma amplíssima. Inclui financiamento, logística, treinamento, serviços, consultoria, transporte e qualquer apoio econômico direto ou indireto.

Na prática, isso aumenta imediatamente os riscos para negócios. Bancos, seguradoras, fundos de investimentoempresas de logística e multinacionais passam a tratar operações vinculadas ao país afetado como juridicamente arriscadas.

O temor é descobrir que financiaram uma operação que acabou conectada —ainda que indiretamente— a uma organização designada como terrorista pelo Departamento de Estado.

O precedente mexicano é eloquente. Após a designação dos grandes cartéis mexicanos como FTOs em fevereiro de 2025, empresas multinacionais passaram a rever cadeias produtivas inteiras. Setores como automotivo, agronegócio, logística e manufatura foram submetidos a auditorias exaustivas. Bancos endureceram procedimentos de compliance. Fundos passaram a exigir due diligence reforçada até para operações rotineiras. O investimento no nearshoring mexicano esfriou rapidamente.

No Brasil, os efeitos podem ser ainda mais perversos, porque o PCC e o CV não operam apenas em territórios marginais. O problema deixa de ser policial e passa a ser sistêmico.

Em caso de dúvida, o capital simplesmente vai embora. Há ampla literatura econômica mostrando esse efeito. Estudos clássicos de Todd Sandler e Walter Enders demonstraram que a presença persistente de terrorismo reduz significativamente o investimento estrangeiro direto.

Na Espanha e Grécia, o impacto chegou a reduzir o fluxo líquido de investimentos em mais de 10%. Outro estudo do FMI estimou perda de cerca de 1,4 ponto percentual no crescimento econômico. O investidor internacional pode suportar burocracia, carga tributária e até instabilidade cambial. O que ele não tolera é risco criminal (até 20 anos de reclusão) nos EUA.

E aqui a grande ironia brasileira. Alguns setores políticos celebraram a designação como se fosse um constrangimento ao governo. Vão perceber que os potenciais atingidos incluem exatamente setores que dependem desesperadamente de capital externo: infraestrutura, energia, logística, mineração, agronegócio e indústria exportadora.

Também afetado é o turismo. Designações de organizações terroristas levam a alertas consulares mais severos, aumento nos seguros, redução de viagens corporativas e piora da percepção internacional. Não é a melhor publicidade para um país que tentava vender ao mundo a imagem de liderança climática, estabilidade institucional e potência verde.

Mais grave: a medida fortalece a crescente securitização das relações econômicas internacionais. O comércio deixa de ser apenas comércio. Passa a ser extensão da política de segurança nacional norte-americana.

Os Estados Unidos dificilmente voltarão atrás, embora haja uma revisão futura por seu Congresso. O problema não é a decisão dos EUA. O problema é não se haver compreendido, ainda, o alcance econômico e estratégico dessa classificação. Em política internacional, slogans patrióticos costumam durar um ciclo de notícias. As consequências jurídicas e financeiras, não.

Escala com dois dias de folga é rara até em países com jornada menor, diz pesquisa


Uma exigência de pelo menos dois dias de folga durante a semanacomo foi aprovado na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27), é pouco comum no mundo, mesmo em países cuja jornada de trabalho máxima e menor que a do Brasil, aponta levantamento feito pelo economista Daniel Duque para o CLP (Centro de Liderança Pública).

A Câmara votou e aprovou a PEC (proposta de emenda à Constituição) que termina com um escala 6×1 —seis dias de trabalho com um dia de folga— e uma diminuição da carga total de 44 horas para 40 horas. Agora, o texto será analisado pelo Senado.

Se a proposta tiver ao menos 49 votos favoráveis em dois turnos, será enviada ao presidente Lula (PT) para promulgação e publicação.

O foco da pesquisa do CLP não é a soma do tempo trabalhado em uma semana (no caso do Brasil, de 44 horas para 40 horas caso a PEC seja promulgada), mas a obrigatoriedade de dois dias de descanso.

Comissão Especial durante discussão e votação da proposta que acaba com a escala 6×1

Pedro Ladeira/Folhapress

Duque, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), levantou as regras de outros 21 países e afirma que não há evidências das consequências de uma semana em que dois dias, obrigatoriamente, são de descanso.

As regras mais comuns são de folga obrigatória de um dia ou 1,5 dia (36 horas seguidas de descanso). Nas palavras dele, o Brasil vai navegar em águas desconhecidas.

O exemplo mais próximo de 5×2 é a Argentinaque tem uma obrigação de tempo consecutivo que dificulta a escala 6×1, mas, ainda assim, lá é possível uma semana com apenas um dia sem trabalho.

Nem mesmo em países onde o tempo obrigatório de trabalho é significativamente mais baixo do que no Brasil o regime é obrigatoriamente de 5×2.

Françapor exemplo, a carga legal é de 35 horas, mas essa duração pode ser distribuída em seis dias. Outros exemplos de países que adotam esse limite de 36 horas são Espanha, Holanda e África do Sul.

Duque afirma que há perdas e ganhos na adoção de uma escala 5×2: o trabalhador ganha um dia a mais de folga, mas perde, por exemplo, a possibilidade de fazer uma jornada diária mais curta.

Com 40 horas distribuídas por 5 dias, a média é de 8 horas diárias. Se fossem espalhadas por 6 dias, a média seria de 6 horas e 40 minutos.

O economista nega que a regra que será avaliada no Senado seja um desastre ou que vá haver uma “quebradeira” no país, mas afirma que haverá impactos sobre a produção e sobre o mercado de trabalho.

“As pessoas têm rotinas diferentes, nem todo mundo prefere jornadas de trabalho mais longas e mais dias de folga. Boa parte das mães precisa pegar o filho na escola, e a escala 6×1 [com 40 horas semanais] seria uma oportunidade para sair mais cedo do trabalho para fazer isso”, disse.

Ele também afirma que outros países que mudaram suas escalas fizeram isso em um período de transição mais longo. Ele cita os casos da Colômbia e do Méxicoque colocaram prazos de 2 a 5 anos para adaptação.

Opinião – Econometria Fácil: Luciano Huck não está tão errado sobre o Bolsa Família; veja vídeo


A ideia de que o Bolsa Família prende famílias “para sempre” não conversa bem com a evidência. Muita gente sai do programamas em última análise depende de algo central: oportunidades económicas, escola, saúde, mercado de trabalho e gestão pública funcionando.

Estudante segura novo cartão do Bolsa Família

Comunicação/MDS

Entretanto, o Bolsa Família não tira ninguém da pobreza no vácuo. Ele reduz restrições imediatas, mantém crianças mais próximas da escola e da saúde, e funciona melhor quando existe uma rede pública capaz de transformar proteção em mobilidade social. Então, a discussão certa não é se o programa “acomoda” famílias, mas é se o Estado cria caminhos reais para elas poderem sair com segurança.

Referências:

Rangel, Vitor. Nota de política pública: O que sabemos sobre Transferências Condicionadas de Renda e Bolsa Família.

Fassarella, Eloah et al. Programas de Mobilidade Social e CCT: O Programa Bolsa Família no Brasil. Perspectivas de Desenvolvimento Mundial, 2024.

Prado, Thaline; Firpo, Sergio. Propostas infralegais para integridade e correção de benefícios de proteção social: eficiência do gasto e recomposição da capacidade fiscal. Insper, 2026.

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Itália investirá 100 milhões de euros em verde…

Maputo, 28 Mai (AIM) – As empresas italianas pretendem investir 100 milhões de euros (116,2 milhões de dólares ao câmbio actual) no desenvolvimento de cidades verdes em Moçambique.

Segundo Gabriele Annis, embaixador de Itália em Moçambique, falando quarta-feira aos jornalistas, os acordos para este investimento serão assinados no Fórum Empresarial entre Moçambique e Itália, que terá lugar nos dias 8 e 9 de Junho.

“Assinaremos uma carta de intenções sobre o projecto Cidades Verdes, que faz parte do Plano Mattei, o plano do governo italiano que redefine um novo paradigma para as relações da Itália com os países africanos”, disse.

O projecto abrangerá a cidade central de Chimoio e a província nortenha de Cabo Delgado. “O investimento incidirá em projetos de abastecimento de água potável e de regeneração de parques de uso público. Irá também financiar um projeto de reciclagem”, disse.

No âmbito do Plano Mattei, o governo italiano, através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), desembolsou 100 milhões de dólares para financiar a implementação do projecto “Digital Flagship for Africa”, que visa apoiar a transformação digital de Moçambique.

Segundo Annis, o acordo será assinado por empresas para permitir o avanço do projecto Cidades Verdes, que envolve um total de dez cidades em cinco países africanos, incluindo duas em Moçambique.

“O memorando de entendimento entre as autoridades dos dois países permitirá que o financiamento venha directamente do Ministério italiano do Ambiente para projectos em Moçambique. Será um instrumento que abre portas a novos projectos e novos financiamentos de interesse mútuo”, afirmou.

A Itália pretende aprofundar a cooperação com a delegação moçambicana no desenvolvimento de corredores logísticos e projectos energéticos.

Sou/

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