A alta do petróleo provoca uma ocorrência em cadeia: encarece os insumos que são usados para fabricar os produtos que as pessoas compram.
Guerra diretamente entre setores da indústria que usam derivados de petróleo como matéria-prima
A guerra no Oriente Médio afeta diretamente setores da indústria brasileira que usam petróleo como matéria prima.
A viagem que já era longa ficou ainda mais demorada. Do petróleo vem a parafina, que é uma fábrica de velas importada da China. Mas, antes, o óleo bruto tem que chegar lá para ser refinado – e é aí que a guerra no Irã provoca atrasos e desabastecimento.
“Os navios chegaram em uma quantidade muito menor. Então, por exemplo, a gente comprou 15 toneladas. Agora, eu consigo comprar e não sei quando terei a possibilidade de comprar outras cinco toneladas”, conta Claudia Callé, dona de fábrica de velas.
É por isso que o depósito tem espaço de sobra, e a parafina que tem custou caro. Os donos da fábrica contam que o aumento foi de 40% em março.
“Gera um aumento do produto para o consumidor final. E sem a matéria-prima, a gente tem um problema com a demanda de produção. A incerteza do que vai ser e segurar toda uma empresa, todo um quadro de funcionários”, diz Claudia Callé.
A parafina é um derivado direto do petróleo e, por isso, o preço subiu junto com a cotação do barril. Esse aumento também chega a outras derivadas do petróleo que entram na fabricação dos plásticos que embalam alimentos, dos canos usados na construção civil, das autopeças e até dos silos que armazenam os grãos do agronegócio. A alta do petróleo provoca uma ocorrência em cadeia: encarece os insumos que são usados para fabricar os produtos que as pessoas compram.
Guerra no Oriente Médio afeta setores diretamente da indústria brasileira que usam derivados de petróleo como matéria prima — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
É assim também com a indústria têxtil, que utiliza muita fibra sintética, como o poliéster e o náilon. O estoque é de uma malharia em São Paulo. A fábrica não quis correr o risco de ficar sem matéria-prima e fez uma reserva bem grande. Comprou fios para quatro meses de produção. O diretor da fábrica diz que escapou da falta de material, mas não do aumento no preço.
“Uma parte a gente absorveu, infelizmente. Outra parte, a gente teve que repassar para os clientes”, afirma Renato Bitter, diretor de fábrica.
E mesmo com uma nova tabela de preços, as encomendas feitas pelas confeções aumentadas nas últimas semanas – empresas que importavam tecidos e estão com problemas para receber.
“Me parece que os fretes aumentados, também eles têm dificuldade de encontrar, estão faltando. Então, eles sabem que aqui eles vão receber. Inclusive por outras situações que já existem, pandemia e tal, sabem que aqui nunca falta”, diz Renato Amargo.
Depois do fracasso nas negociações de paz com o Irã, o presidente dos Estados Unidos decidiu atacar, publicamente, o Papa. Donald Trump o chamou de fraco e péssimo em política externa. Leão XIV reagiu. Respondeu que não tem medo do governo Trump; disse que não vai recuar e afirmou que a missão da Igreja é defender a paz.
Eram 3h, no horário de Roma, quando o presidente dos Estados Unidos atacou publicamente. O alvo era o Papa Leão XIV, americano de Chicago. Donald Trump chamou o Papa de fraco e disse que ele é péssimo em política externa. Críticas suas posições sobre guerra, segurança e armas nucleares:
“Não quero um Papa que ache terrível que os Estados Unidos tenham atacado a Venezuela”.
Donald Trump disse que a Venezuela envia drogas e liberta criminosos:
“Eu não quero um Papa que critique o presidente dos Estados Unidos porque estou fazendo exatamente aquilo para o qual foi eleito” – uma referência à operação militar que capturou o ditador Nicolás Maduro, em janeiro de 2026.
Afirmou que, sem ele na Casa Branca, Leão XIV não estaria no Vaticano, e que o Papa foi escolhido por ser americano.
Uma segunda postagem trouxe uma imagem gerada por inteligência artificial em que o presidente aparecia como Jesus Cristo, curando um doente. Horas mais tarde, Trump apagou a imagem. Por volta das 14h, disse que era uma referência ao trabalho da Cruz Vermelha:
“Eu estava como um médico, ajudando as pessoas. O Papa é contrário à posição americana no Irã e os Estados Unidos não podem aceitar um Irã com armas nucleares. Não tenho o que me desculpar”, disse Trump.
A resposta do Papa veio durante o voo para a África:
“Não tenho medo do governo Trump nem de falar abertamente sobre a mensagem do Evangelho”.
Trump chama Leão XIV de ‘fraco’ e ‘péssimo’; Papa reage e diz que vai seguir firme contra a guerra no Oriente Médio — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O Papa disse que não vai recuar e que a missão da Igreja é defender a paz:
“A mensagem do Evangelho – bem-aventurados os pacificadores – é o que o mundo precisa ouvir hoje. E continuarei a me manifestar veementemente contra a guerra, buscando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados para encontrar soluções justas para os problemas”.
O Papa também foi questionado sobre o fato de Donald Trump ter feito os ataques por meio de uma rede social criada pelo presidente em 2022: a Verdade Social. “Verdade” quer dizer “verdade”:
“É irônico, o próprio nome da plataforma. Não preciso dizer mais nada”, completou o Papa.
A tensão entre Trump e o Papa já vem aumentando nas últimas semanas, em meio à guerra no Oriente Médio. Na terça-feira (7), Donald Trump escreveu que ou o Irã aceitaria um cessar-fogo ou uma civilização inteira morreria naquela noite. O Papa se posicionou:
“Essa ameaça contra o povo do Irã é realmente inaceitável”, disse Leão XIV.
Os ataques de Trump, especialmente os desta segunda-feira (13), repercutiram em várias partes do mundo. Nos Estados Unidos, os bispos católicos defenderam o Papa e classificaram a guerra como injusta. Na Europa, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, chamou as declarações de Trump de “inaceitáveis”. Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez disse que, enquanto algumas guerras espalham, o Papa promove a paz. No Oriente Médio, o presidente do Irã falou que a profanação da imagem de Jesus não é aceitável para nenhuma pessoa livre. No Brasil, a CNBB também manifestou apoio e defendeu uma mensagem de paz e diálogo.
Leão XIV chegou nesta segunda-feira (13) a Argel, primeira parada de uma viagem por quatro países africanos, e manteve o tom:
“Hoje isso é mais urgente do que nunca, diante das visíveis do direito internacional e das tendências neocoloniais”.
O episódio reforça o carisma do Papa Leão XIV em um momento de grande tensão internacional, enquanto busca reduzir o conflito no Oriente Médio e garantir a segurança no Estreito de Ormuz. Nesse cenário, o Vaticano volta a ocupar um papel central na defesa da diplomacia e da paz.
A edição recordista é a dos 100 anos do jornal, publicada em 27 de julho de 2025. Foram 526 páginas e 14 cadernos especiaisou que rendeu à Globo o certificado de maior número de páginas em uma única edição comercial de jornal da história.
“É mais amplo que o jornalismo. A gente ganha muitos prêmios jornalísticos, mas ali, claro, o jornalismo é a nossa razão de existir. Aquilo representa literalmente o trabalho da empresa inteira. Só consegui construir essa edição por uma coesão e uma cumplicidade de muitas áreas, cujo resultado é esse marco que vamos carregar pelos próximos 100 anos”, afirmou Frederic Kachar, diretor-geral da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio.
Certificado do Guinness entregue ao jornal O Globo pela edição histórica de 100 anos — Foto: Reprodução/TV Globo
Mais de 350 jornalistas participou da produção do material especial. Foram dois anos de trabalho e um mês dedicado exclusivamente à edição.
“A redação é muito orgulhosa do prêmio. A gente coroou esse ano com o que faz no dia a dia: conteúdo de alta qualidade”, disse Alan Gripp, diretor de redação de O Globo. “É uma gratificação, a coroação de um trabalho que levou anos. A edição foi o ápice disso, o momento em que reunimos todo o legado de 100 anos em um produto feito com o máximo de cuidado.”
Depois da publicação da edição — considerada incomum até pelo tamanho —, a equipe iniciou uma nova etapa: descobrir aquela era, de fato, o maior jornal já produzido na história.
“No primeiro momento, fizemos uma investigação no Arquivo Nacional para ver se já havia circulado no Brasil algum jornal desse tamanho. Constatamos que não. Era o maior já produzido aqui”, afirmou Kachar. “Mas a ambição falou mais alto e resolvemos verificar se, internacionalmente, aquilo também era uma marca.”
Edição de 100 anos de O Globo, a maior da história dos jornais, segundo o Guinness Book — Foto: Reprodução/TV Globo
Segundo a organização do Guinness World Records, foi necessário criar uma categoria específica para considerar o feito.
“O que fizemos foi criar um novo título com base no material recebido, a partir de uma investigação em nível mundial”, explicou Natalia Ramirez, juíza do Guinness.
(CORREÇÃO: Ao publicar esta reportagem, o g1 errou ao informar que Sushi Vaz e Yayá Comidaria Pop Brasileira, no Rio; e Bar da Dona Onça, Grotta Cucina, Kureiji, Makoto San e Simone, em São Paulo, também ganhou estrelas. Na verdade, esses estabelecimentos entraram para a lista de novos recomendados do Guia Michelin. A informação foi atualizada às 20h56).
O anúncio foi feito durante evento de gala no hotel, na Zona Sul do Rio. O prefeito Eduardo Cavaliere foi convidado ao palco e brincou que a cerimônia poderá ser sempre na cidade, além de parabenizar a culinária carioca.
Com os prêmios, o Brasil é o primeiro país da América Latina com dois restaurantes três estrelas. Ambos os estabelecimentos, tanto o Evvai como o Tuju, tinham duas estrelas e agora foram promovidos.
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Os vencedores ficaram emocionados com a distinção inédita no continente. “Eu achei que tinha perdido alguma estrela, fiquei desesperado quando fui chamado. Comecei a rezar ali. Eu tô realmente sem palavras. Poucas vezes na vida eu fiquei sem palavras”, disse Luiz Filipe Souza, chef do Evvai.
Mantiveram duas estrelas no Rio: Lasai e Oro. Manteve duas estrelas em São Paulo: DOM
Mantiveram uma estrela no Rio: Casa 201, Mee, Oteque, Oseille e San Omakase.
Em São Paulo, permaneceram uma estrela: Fame Osteria, Jun Sakamoto, Kan Suke, Kanoe, Kazuo, Kinoshita, Kuro, Maní, Murakami, Oizumi Sushi, Pichi, Ryo Gastronomia e Tangará Jean-Georges.
Foram listados como novos restaurantes recomendados:
No Rio: Sushi Vaz e Yayá Comidaria Pop Brasileira. Em São Paulo: Bar da Dona Onça, Grotta Cucina, Kureiji, Makoto San e SIMONE.
Além das estrelas Michelin tradicionais, foram anunciados os estabelecimentos reconhecidos com a categoria Bib Gourmand nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Essa distinção foi criada em 1997 para considerar restaurantes que oferecem culinária de qualidade a preços acessíveis — ou seja, a melhor relação custo-benefício da gastronomia.
Venceram o prêmio pela primeira vez um restaurante no Rio, o Koral, e outros cinco em São Paulo: Jiquitaia, Manioca JK, Ping Yang Thai, Tabōa Cozinha Artesanal e Tanit). Essas inclusões subiram para 44 o número total de estabelecimentos nesta categoria.
O chef Raphael Zanon, da Casa 201, foi ganhador da categoria Michelin de serviço.
No que diz respeito ao compromisso com a gastronomia do futuro, três estabelecimentos mantiveram a distinção estrela verde, todos eles localizados em São Paulo: A Casa do Porco, Corrutela e Tuju.
Vencedores do Guia Michelin 2026 — Foto: Divulgação Guia MICHELIN
Segundo assessoria do presidente da Câmara, o encontro será após a posse do novo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), no Palácio do Planalto.
Nesta segunda-feira (13), o presidente Lula confirmou que enviará o projeto para análise dos deputados nesta semana.
“A questão da jornada de trabalho, não tem mais sentido com o avanço tecnológico que o mundo teve a gente ainda só tem um dia para descansar no final de semana”, disse Lula durante um evento no Planalto.
Lula confirma envio de projeto sobre fim de escala 6×1 ao Congresso
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), um dos articuladores do tema dentro do governo, afirmou que o texto é pronto e só depende da conversa entre Lula e Motta para ser enviado ao Congresso.
“Tema está pacificado no governo. Tem a decisão do presidente. Os ministros podem ter sua opinião, líder de governo pode ter sua opinião. Há uma definição, quem teve voto para isso é o presidente. O presidente Lula tomou e anunciou a decisão de que vai mandar o projeto de lei com regime de urgência”, disse Boulos.
O projeto de lei do governo deve ser enviado em regime de urgência, o que obriga a Câmara e o Senado Federal a analisar a proposta. Caso contrário, a pauta de votação fica trancada até o texto em urgência ser analisado.
Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, trocaram elogios durante encontro com deputados nesta quarta (4) — Foto: Mateus Bonomi/Agif/Estadão Conteúdo
🔎 Projetos com urgência de autoria do presidente da República trancam a pauta do Congresso caso não seja confirmado em até 45 dias pela Câmara e, posteriormente, em até 45 dias pelo Senado.
Motta defende votar uma PEC que tramita na Câmara. No começo do ano, ele determinou que sejam apresentadas juntas uma proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) que acaba com a escala 6×1 e outra apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
Segundo Motta, a PEC deverá ser votada nesta semana na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e até o fim de maio em plenário.
A possibilidade de Lula vetar pontos do projeto de lei que não agradem também é levada em consideração. A PEC não passa pelo crivo do presidente após ser aprovada pelos parlamentares e é promulgada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).
O juiz Darrin P. Gayles, do Tribunal Distrital dos EUA em Miami, afirmou que Trump não conseguiu demonstrar que a reportagem foi publicada com intenção maliciosa, mas autorizou o presidente a apresentar uma versão revisada da ação até 27 de abril.
Segundo ele, Trump não chegou nem perto de cumprir o padrão de “dolo específico” exigido em casos de difusão envolvendo figuras públicas. Esse pedido exige prova não apenas que uma declaração é falsa, mas também que foi feita com conhecimento de sua falsidade.
“Esta permissão não chega nem perto desse padrão”, escreveu Gayles, segundo a Reuters. “Muito pelo contrário.”
Mensagens revelam detalhes da relação entre Trump e Jeffrey Epstein, acusado de exploração sexual — Foto: Reprodução/TV Globo
O juiz também afirmou que o Wall Street Journal entrou em contato com Trump para obter um comentário e publicou sua negação, segundo a Reuters.
Isso permitiu que os leitores decidissem por si mesmos a que as conclusões chegariam contrariando a alegação de Trump de que o jornal agiu com dolo, segundo o juiz.
O juiz, contudo, não comentou sobre a veracidade dos fatos.
“Se o presidente Trump foi o autor da carta ou amigo de Epstein são questões de fato que não podem ser determinadas neste estágio do processo”, afirmou, de acordo com a agência de notícias Associated Press.
Em uma publicação na rede social Truth Social, nesta segunda-feira (13), algumas horas após a decisão, Trump afirmou que a medida “não é um encerramento”mas sim uma “sugestão de reapresentação” do seu “caso poderoso”, o que, segundo ele, será feito “até 27 de abril”.
Um porta-voz da Dow Jones, empresa controladora do Wall Street Journal, afirmou em comunicado, segundo a Reuters:
“Estamos satisfeitos com a decisão do juiz de rejeitar esta queixa. Mantemos nossa posição quanto à confiabilidade, no rigor e na precisão das reportagens do Wall Street Journal.”
A reportagem publicada em setembro de 2025 afirma que Trump invejou a carta para Epstein em 2003.
O jornal diz que as correspondências fizeram parte de um álbum comemorativo produzido por Ghislaine Maxwell, parceira de Epstein, para comemorar os 50 anos dele — anos antes do bilionário ser preso por abuso sexual de menores.
A carta atribuída ao atual presidente inclui uma mensagem datilografada dentro da silhueta de uma mulher nua desenhada à mão. A assinatura “Donald” aparece abaixo da cintura da figura. O texto termina com a frase: “Feliz aniversário — e que cada dia seja mais um segredo maravilhoso”.
Ainda segundo a reportagem, a suposta carta de Trump apresenta um diálogo fictício entre ele e Epstein, escrito em terceira pessoa. Veja a seguir o trecho divulgado pelo WSJ:
Narrador: Deve haver mais na vida do que ter tudo.
Donald: Sim, existe, mas não vou te dizer o que é.
Jeffrey: Nem eu, já que também sei o que é.
Donald: Temos certas coisas em comum, Jeffrey.
Jeffrey: É verdade, pensando bem.
Donald: Enigmas nunca envelhecem, você já notou?
Jeffrey: Na verdade, isso ficou claro para mim da última vez que te vi.
Donald: Um amigo é uma coisa maravilhosa. Feliz aniversário — e que cada dia seja mais um segredo maravilhoso.
Ao jornal, Trump negou ter escrito uma carta ou desenhado uma mulher nua: “Nunca pintei um quadro na minha vida. Não desenho mulheres”, disse. “Não é a minha linguagem. Não são as minhas palavras.”
O Wall Street Journal afirmou que teve acesso ao suposto conteúdo do álbum, que teria sido investigado pelo pesquisador do Departamento de Justiça anos atrás. O jornal não soube informar se as páginas foram revisadas durante o governo Trump.
‘Não tenho medo do governo Trump’, diz papa Leão XIV após críticas do presidente dos EUA
Isso acontece porque, quando entra mais dinheiro do que sai do país — como ocorre quando investidores internacionais enxergam oportunidades na bolsa ou em outros ativos brasileiros —, há um aumento na venda de dólares em troca de reais. Com isso, cresce a oferta da moeda americana no mercado, o que pressiona o preço do dólar para baixo.
“Houve um rearranjo na realocação do capital global, o que fez com que o dólar perdesse força não apenas frente ao real, mas também diante de diversas outras moedas”, explica o estrategista-chefe da Avenida, William Castro Alves.
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O resultado reflete, principalmente, os novos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Após o fracasso das negociações para um acordo de paz entre os EUA e o Irã, no fim de semana, Trump determinou o bloqueio do Estreito de Ormuz a navios que circulavam na rota de ou para portos iranianos.
As incertezas em torno das decisões de política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm levado investidores a buscar alternativas de investimento em outros mercados. Esse movimento não apenas fortalece o real no Brasil, como também enfraquece o dólar em relação a outras moedas.
A decisão de bloqueio do canal no Oriente Médio também veio a queimar o alerta em relação a uma nova alta nos preços do petróleo, que atualmente oscilam em torno de US$ 100.
Os especialistas destacam, ainda, que a perspectiva de um possível acordo entre os países envolvidos no conflito também tem ajudado o real a se valorizar frente ao dólar.
“O dólar iniciou a sessão em alta, mas o movimento perdeu força, acompanhando uma melhora gradual do humor externo, com sinais pontuais de possível retomada das negociações e recuperação das bolsas em Nova York”, avalia o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini.
Outros fatores, como o diferencial de juros (diferença entre a taxa básica brasileira e a americana), o maior fluxo de recursos para o Brasil e o alto patamar do petróleo, também favorecendo a moeda brasileira.
“Vale lembrar que o Brasil está relativamente bem posicionado entre os países emergentes porque é um exportador relevante de commodities. Isso ajuda a balança comercial brasileira e melhora as contas externas”, afirma o estrategista, ressaltando que esse cenário também favorece o real.
A tendência de queda do dólar vem desde o ano passado. Por aqui, a moeda americana acumulou baixa de 11,8% frente ao real em 2025, o maior recuo em quase 10 anos: em 2016, a queda foi de 17,8%.
Nesse período, a moeda americana vinha perdendo força diante da expectativa de juros mais baixos nos EUA e do aumento das incertezas políticas no país — fatores que reduziram a atratividade do dólar e passaram a estimular investidores a buscar outras oportunidades.
Entenda os principais fatores que ajudam a explicar a queda do dólar em 2025:
Uma cooperação entre Brasil e Estados Unidos acompanhou Alexandre Ramagem desde que ele fugiu para a Flórida, em 2025. Nas primeiras semanas, o ex-deputado ficou hospedado em um condomínio de luxo em Miami. Depois, mudou para uma casa ampla, em Orlando.
Os agentes descobriram o paradeiro depois de localizar o carro usado para buscar uma esposa no aeroporto, pouco tempo depois de sua fuga para a Flórida. Ramagem foi presa nesta segunda-feira (13) por questões migratórias, segundo a Polícia Federal.
Antes da prisão, Ramagem tinha acabado de sair de casa, quando foi parada por policiais de trânsito. Num primeiro momento, os agentes alegaram que Ramagem havia cometido uma infração de trânsito. Pediram os documentos e verificaram que o passaporte dele estava vencido.
Ramagem, então, foi levado para um centro de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).
O destino de Ramagem deverá ser decidido por um juiz de imigração de Jacksonville, na Flórida. O rito processual é lento.
A defesa ainda precisa apresentar um pedido de liberdade para dar início ao trâmite. As autoridades brasileiras tentarão demonstrar ao juiz que não há perseguição política ou judicial, como alega o pedido de asilo. A estratégia é provar que Ramagem tenta apenas escapar do cumprimento da pena.
A prisão de Ramagem é resultado de um trabalho de meses, que vem sendo contínuo pelo oficial de ligação da Polícia Federal (PF) em Miami e contorno com monitoramento terrestre nos EUA. Foram realizadas diversas reuniões com agências e polícias norte-americanas para viabilizar a captura.
Nas últimas duas semanas, policiais da Flórida intensificaram o apoio à PF brasileira. Durante as investigações, descobriu-se que Ramagem chegou a comprar um carro em solo americano utilizando uma documentação que já havia sido cancelada por determinação da Justiça brasileira.
Houve uma tentativa de obter um mandado de prisão judicial nos EUA por este crime específico (suposta fraude documental), mas o pedido foi negado pela Justiça americana.
Alexandre Ramagem foi preso pelo ICE, nos EUA, quando andava pela rua
Alexandre Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por integrar o núcleo da trama golpista que visava manter Jair Bolsonaro no poder. Antes de sua prisão em Orlando, o ministro Alexandre de Moraes já havia determinado a inclusão de seu nome na lista da Interpol e a Câmara dos Deputados havia cassado seu mandato e cancelado seu passaporte diplomático.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a prisão é fruto da “cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado” e reforçou que as autoridades brasileiras aguardam os trâmites burocráticos para o retorno do foragido ao país.
O estreito nunca esteve completamente fechado. Os iranianos permitem a passagem de alguns petroleiros de parceiros estratégicos, porém, mediante o pagamento de um ‘pedágio’ que pode chegar a até US$ 2 milhões por navio.
Além disso, as próprias embarcações iranianas também tinham passagem livre, mantendo em funcionamento a principal fonte de receita do país. Segundo a empresa de dados e análise Kpler, o Irã exportou, em média, 1,85 milhão de barris de petróleo por dia.
Nesta segunda-feira (13), porém, Trump também passou a obstruir a rota. “Eu também instrui a nossa Marinha a procurar e abordar todos os embarques em águas internacionais que tenham pagamento de pedágio ao Irã. Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura em águas abertas”, disse o republicano na postagem na rede social Truth Social.
A estratégia do presidente norte-americano é semelhante à adotada em janeiro deste ano na Venezuela: o estrangulamento financeiro.
Ao fechar a via para embarcações, Donald Trump corta uma importante fonte de receita do governo iraniano, já que o petróleo representa cerca de 10% a 15% do PIB do país.
Trump disse à emissora Fox News que “não vamos deixar o Irã lucrar vendendo petróleo para quem eles amam e não para quem eles não amam”, afirmando que o objetivo do bloqueio naval americano era permitir a passagem de “tudo ou nada” pelo estreito de Ormuz.
Analistas sugerem que as declarações de Trump e o bloqueio naval visam pressionar o Irã a fechar um acordo de paz nos termos americanos, algo que não ocorreu nos últimos dias.
No programa “Face the Nation” (“Encarando a Nação”, em tradução livre), da emissora americana CBS, o congressista republicano Mike Turner, de Ohio, afirmou que o bloqueio naval norte-americano era uma forma de forçar uma resolução para o fechamento do estreito de Ormuz.
Bloqueio ao Estreito de Ormuz — Foto: Editoria de Arte/g1
As consequências do bloqueio
A estratégia de Trump, porém, pode ser uma faca de duas gomas.
Enquanto a principal fonte de renda do governo iraniano é interrompida, por outro lado, com o bloqueio do pouco petróleo que ainda passa pelo Estreito de Ormuz, o preço da commodity pode voltar às alturas, o que pressiona ainda mais a inflação global e a norte-americana.
Para além do preço, alguns analistas também apontam que o bloqueio pode pressionar países com forte dependência do petróleo do Golfo, especialmente a China, a adoptar uma postura mais activa para influenciar o Irão. Principal compradora de petróleo da região, Pequim teria interesse direto na estabilização do fluxo energético.
Por fim, o bloqueio também pode colocar em risco o frágil cessar-fogo de duas semanas previstas entre EUA e Irã.
No domingo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que qualquer embarque militar que tente se aproximar do Estreito de Ormuz será considerado uma violação do cessar-fogo e será tratado de forma severa e decisiva.
O regime iraniano chamou a ação dos EUA de “ilegal e um exemplo de pirataria”.
Embarcação no Estreito de Ormuz, ao largo da costa da província de Musandam, Omã, 12 de abril de 2026. — Foto: Reuters
O imóvel onde Ramagem viva tinha 5 quartos e vista para um lago. A casa é avaliada em US$ 899 mil (cerca de R$ 4,5 milhões) e tem 329 m².
Segundo a imobiliária norte-americana que anuncia residência, a casa tem cinco quartos, cinco banheiros e em uma região residencial cerca de shoppings e parques. A imobiliária afirma ainda que o imóvel foi adquirido em 2025.
Veja, abaixo, imagens da residência:
Casa onde Alexandre Ramagem vivia em Orlando, na Flórida. — Foto: Divulgação
Casa onde Alexandre Ramagem vivia em Orlando, na Flórida. — Foto: Divulgação
Casa onde Alexandre Ramagem vivia em Orlando, na Flórida. — Foto: Divulgação
Casa onde Alexandre Ramagem vivia em Orlando, na Flórida. — Foto: Divulgação
Casa onde Alexandre Ramagem vivia em Orlando, na Flórida. — Foto: Divulgação
Casa onde Alexandre Ramagem vivia em Orlando, na Flórida. — Foto: Divulgação
Casa onde Alexandre Ramagem vivia em Orlando, na Flórida. — Foto: Divulgação
Ramagem foi preso em Orlando, na Flórida, e levado a um centro de detenção na cidade, segundas informações preliminares obtidas pela GloboNews. Autoridades brasileiras foram informadas da prisão por volta das 12h (horário de Brasília).
A Polícia Federal informou que o ex-deputado foi detido por questões migratórias. O governo brasileiro aguarda detalhes sobre o processo de retorno ao país.
“A prisão é fruto da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado. Ramagem é um cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”, afirmou o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
Ramagem golpe deixou o Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de Estado. Ele é acusado de integrar o núcleo central da trama, que tinha como objetivo manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.
Segundo investigações da PF divulgadas pelo g1ele saiu do país de forma clandestina antes do fim do julgamento. Informações apontam que ele cruzou a fronteira de Roraima com a Guiana e, depois, seguiu para os Estados Unidos.
Em janeiro deste ano, o Ministério da Justiça informou ao STF que o pedido de extradição foi encaminhado ao governo norte-americano. A Embaixada do Brasil em Washington inveja a documentação ao Departamento de Estado em 30 de dezembro de 2025.
Aliados disseram que Ramagem pretendia pedir asilo político nos Estados Unidos. Por outro lado, o ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol, o que permitiu a detenção por autoridades estrangeiras.
Enquanto estiver no exterior, foram realizadas avaliações administrativas e políticas:
em 18 de dezembro, teve o mandato do deputado federal cassado pela Câmara;
a Câmara também cancelou o passaporte diplomático após a cassação;
por determinação do STF, foram bloqueados os vencimentos parlamentares.
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