MAPUTO, 23 de Janeiro – Moçambique acorda de bandeiras a meia haste e consciência pesada. O país despede-se esta sexta-feira de Luísa Dias Diogo, antiga Primeira-Ministra, numa cerimónia fúnebre de Estado liderada pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, num momento que marca não apenas o fim de uma vida, mas o encerramento de um ciclo político incontornável da história recente do país.
Luísa Dias Diogo faleceu a 16 de Janeiro, vítima de doença, deixando um vazio difícil de preencher numa geração de liderança que ajudou a estruturar o Estado moçambicano no pós-guerra e na consolidação das instituições públicas. A sua morte ocorre num momento particularmente sensível para o país, mergulhado em crises sociais, climáticas e económicas, o que torna o luto ainda mais pesado.
Em reconhecimento ao seu percurso e peso histórico, o Conselho de Ministros decretou Luto Nacional de dois dias, com início à meia-noite desta sexta-feira, determinando que a bandeira nacional seja hasteada a meia haste em todo o território, num gesto simbólico de respeito, mas também de memória colectiva.
Segundo o Gabinete de Imprensa da Presidência da República, o Presidente Daniel Chapo participa nas exéquias, com início previsto para as 10h30, como expressão máxima da homenagem do Estado moçambicano a uma governante descrita como “determinante no fortalecimento da governação pública”.
O Governo aprovou igualmente uma resolução para a realização de um Funeral Oficial, sublinhando que a decisão não é protocolar, mas histórica. Luísa Diogo não foi apenas Primeira-Ministra. Foi rosto, voz e mão firme em momentos decisivos da administração pública, numa época em que governar exigia mais do que discursos.
A morte de Luísa Dias Diogo obriga o país a olhar para trás e perguntar, em silêncio incómodo, que tipo de liderança está a construir hoje. Num tempo de instabilidade e desconfiança, o seu percurso surge como referência de rigor, disciplina institucional e compromisso com o Estado.
Moçambique está de luto. Não por formalidade. Mas porque perdeu uma das figuras que ajudaram a sustentar o edifício do poder público quando ele ainda estava a ser erguido.
E isso pesa.
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