Apoio a Líderes não é Tribal, mas resultado de laços culturais e dinâmicas de sobrevivência
Magumisse afastou as acusações de tribalismo dentro da RENAMO, explicando que a lógica de apoio aos líderes não segue critérios étnicos, mas sim factores culturais, históricos e necessidades concretas de sobrevivência política e económica. Para ele, se o movimento fosse de facto tribal, certas figuras nunca teriam chegado aos cargos que ocuparam, o que desmonta a narrativa de divisão étnica que alguns tentam impor.
O dirigente recorda que o apoio inicial a Ossufo Momade não veio maioritariamente de pessoas de Nampula ou da sua região de origem, mas sim de militantes que trabalhavam intensamente para o partido. Ele distingue tribalismo de simples afinidade cultural, como a facilidade natural de aproximação entre indivíduos que partilham língua ou hábitos, algo que é humano e não um mecanismo político estruturado.
Magumisse descreve três tipos de apoio ao actual presidente. Um grupo é movido por necessidades económicas básicas e aceita qualquer oportunidade para sobreviver. Outro grupo mantém o apoio por razões sociais, conveniências ou pela exposição que ganhou através do presidente. E houve ainda, segundo ele, um apoio inicial a Momade porque a conjuntura indicava que esse seria o rumo inevitável naquele momento.
Divergências atuais devem-se à má Governação, não a questões Étnicas
Falando das suas próprias raízes, Magumisse recordou a história da RENAMO, fundada e consolidada em Manica, onde predominavam as etnias Ndau e Sena. Os primeiros quadros militares competentes eram dessa região, o que explica por que, no processo de expansão para o sul e norte, os comandantes pertenciam ao núcleo original do movimento e não por imposições tribais, mas por mérito e experiência de guerra.
Para ele, a tentativa de enquadrar as tensões internas actuais como tribalismo não tem sustentação. O que existe é uma contestação directa ao desempenho de Momade, que, na sua visão, não está a cumprir o seu papel de líder. Isso não representa arrependimento pelo apoio passado, mas sim um reconhecimento de que o problema é de liderança, não de etnia.





