“Liderança feminina em Angola avança, mas enfrenta resistências estruturais”, considera primeira-dama da República
O papel e a voz da mulher têm vindo a conquistar um reconhecimento crescente em Angola, à semelhança do que sucede noutras geografias do continente africano. Ainda assim, persistem resistências profundas ao pleno exercício da igualdade, advertiu esta Sexta-feira, 12, em Luanda, a primeira-dama da República, Ana Dias Lourenço, sublinhando que há quem continue a não reconhecer às mulheres os mesmos direitos e obrigações atribuídos aos homens.
Ao intervir na 3.ª edição do Congresso Internacional de Liderança Assertiva (CILA), Ana Dias Lourenço destacou que o debate em torno do poder e da liderança feminina continua a suscitar reticências por parte de estruturas de liderança instaladas, que, de forma explícita ou subtil, procuram travar o empoderamento das mulheres em diferentes esferas da sociedade.
Segundo a primeira-dama, estes bloqueios manifestam-se desde o seio da família — onde as tarefas domésticas e os cuidados recaem maioritariamente sobre as mulheres — até à normalização da violência doméstica, ainda encarada, em muitos contextos, como uma prerrogativa masculina. Acresce, referiu, a persistência de modelos educativos desiguais, em que o futuro de filhos e filhas continua a ser desenhado segundo papéis de género rigidamente definidos.
Para ultrapassar este quadro, defendeu a promoção, desde a infância, de um diálogo permanente no seio da família sobre a igualdade de género e as formas concretas da sua materialização. “Devemos incentivar a partilha das tarefas familiares e domésticas entre todos os membros da família, independentemente do género e da idade”, afirmou, sublinhando ainda a importância de reforçar os mecanismos de denúncia e combate à violência doméstica, à violência contra a criança e às várias formas de assédio.
No domínio da educação, Ana Dias Lourenço alertou que a discriminação começa frequentemente na própria família, quando se privilegia a escolarização dos rapazes. Esta desigualdade, observou, tende a reproduzir-se ao longo do percurso escolar, do ensino básico ao secundário.
E embora as raparigas apresentem, em média, melhores taxas de aproveitamento e de conclusão — o que se reflecte numa participação significativa no ensino superior — continuam, em muitos casos, a ver limitado o seu acesso à progressão académica para além do ensino secundário.
A primeira-dama defendeu, por isso, a necessidade de demonstrar com dados e evidências o melhor desempenho académico das raparigas, promover o diálogo entre educadores e professores sobre a eliminação da diferenciação de género nas aprendizagens e questionar atitudes e discursos machistas, tanto no sistema educativo como nas redes sociais.
Sugeriu igualmente a valorização de testemunhos de mulheres líderes e profissionais de mérito reconhecido, em áreas que vão do desporto à investigação científica, como forma de inspirar novas gerações.
No mercado de trabalho, observou, as mulheres continuam expostas a múltiplas formas de discriminação, reflectidas em salários mais baixos, menor representação em cargos de liderança e acesso desigual às oportunidades de progressão na carreira. Persistem, acrescentou, estereótipos que associam às mulheres menor dedicação ou comprometimento profissional, frequentemente justificados pela sua ligação à esfera familiar.
“É fundamental valorizar e reconhecer as empresas que adoptam boas práticas de gestão do capital humano, assentes em políticas de remuneração e progressão baseadas no mérito e no desempenho, e não no género”, defendeu, apelando ainda à criação de programas de mentoria que promovam exemplos de sucesso feminino e contribuam para a eliminação de formas persistentes de discriminação laboral, inclusive no plano político-institucional.
Apesar dos desafios, Ana Dias Lourenço sublinhou que a mulher angolana tem estado, historicamente, “do lado certo da História”, desde a resistência ao colonialismo, evocando a figura incontornável da Rainha Ginga, até às lutas pela independência nacional, onde se destacam nomes como Deolinda Rodrigues, Engrácia dos Santos e Irene Cohen, ao lado de milhares de heroínas anónimas.
Após a independência, concluiu, o papel da mulher angolana nas instituições políticas e governamentais tem registado um crescimento contínuo, ainda que o caminho para a igualdade plena continue a exigir compromisso, reformas estruturais e mudança cultural sustentada.
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