Uma denúncia de abuso sexual de menor está a abalar o bairro Muamchana, no município da Matola, onde um jovem de 21 anos é acusado de se envolver com uma adolescente de 14 anos. O caso, que ganhou contornos criminais e éticos, foi revelado numa reportagem detalhada do programa Cidade Alerta, da Miramar TV, onde a mãe da vítima e a própria menor prestaram depoimentos exclusivos sobre o ocorrido.
O Aliciamento e o Desaparecimento De acordo com os relatos apresentados pela mãe da vítima à equipa de reportagem, o desvio de comportamento da filha foi notado em outubro do ano passado. O acusado teria interpelado a menor no caminho da escola e, para facilitar a comunicação e contornar o controlo materno, ofereceu-lhe um smartphone evoluído, uma vez que a mãe apenas permitia o uso de um telemóvel simples. “Aquele moço levou o telefone… e entregou pela primeira vez… era para quê? Para facilitar aquilo que ele queria”, desabafou a progenitora enquanto era entrevistada no local dos factos. O caso agravou-se em janeiro, quando a adolescente abandonou a casa dos pais para viver com o jovem durante seis dias.
Confirmação Médica e Tentativa de Suborno A gravidade do crime foi confirmada por exames de medicina legal. A mãe relatou que, no hospital, os médicos confirmaram a violação e o abuso. “Fui no hospital na medicina legal, disseram aqui: ele violou, além de violar também lhe abusou”, afirmou a mãe perante as câmaras da Miramar. Além da violência sexual, a família do acusado teria tentado silenciar o caso através de compensações financeiras. Durante o encontro entre as famílias, a mãe do jovem teria proposto resolver o assunto “de uma outra maneira”, oferecendo dinheiro para anular o processo, proposta prontamente recusada pela mãe da vítima, que exige que a “justiça seja feita”.
Interferência Policial sob Suspeita Um dos pontos mais sensíveis da denúncia envolve a atuação das autoridades na esquadra local. A mãe da adolescente acusou diretamente a chefe do posto policial de tentar influenciar o desfecho do caso a favor do agressor. Segundo o depoimento, a oficial teria sugerido que o caso fosse resolvido apenas “entre família” e na Procuradoria, alegando que a menor teria enviado vídeos comprometedores ao jovem, o que, na visão da polícia, dificultaria o prosseguimento da detenção.
A adolescente, também ouvida pela reportagem, confirmou ter alertado o jovem várias vezes sobre a sua idade e sobre o facto de ter familiares na polícia e nas forças militares, mas afirmou que ele “sempre ignorava tudo”. Perante as denúncias de má conduta, a Polícia prometeu investigar as alegações de interferência processual, enquanto a família da vítima garante que levará o caso até às últimas consequências para garantir a responsabilização do acusado.
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