Numa sessão histórica de cerca de três horas na Assembleia da República, o Presidente Daniel Chapo apresentou o seu primeiro Informe sobre a Situação Geral da Nação. Com um discurso de 60 páginas que paralisou o país, Chapo não usou eufemismos para descrever o cenário que encontrou ao tomar posse em Janeiro de 2025.
O Legado da Destruição: “Encontramos um País Profundamente Fragilizado”
O Chefe de Estado foi contundente ao recordar o ponto de partida do seu mandato, marcado por uma recessão económica e meses de instabilidade. Segundo as suas palavras:
“Encontramos um país funcional, mas profundamente fragilizado. Era um Moçambique assolado por instabilidade social, incerteza económica e um ambiente que ameaçava não apenas o funcionamento do Estado moçambicano, mas também a confiança do nosso povo no futuro”.
Chapo detalhou que o país viveu “6 meses de destruição” entre o final de 2024 e o primeiro trimestre de 2025. Os números da sabotagem são alarmantes: 173 estabelecimentos comerciais e 339 edifícios públicos foram vandalizados, resultando em danos avaliados em “cerca de 27,4 mil milhões de meticais”. Sobre as imagens de destruição projectadas no Parlamento, o Presidente garantiu: “Não são ficção… nem são produto de inteligência artificial. São testemunhos reais de um período de profunda dor”.
Um dos momentos mais vibrantes do informe foi o anúncio do combate implacável contra o “cancro” da corrupção na administração pública. Daniel Chapo deixou um aviso claro aos infratores:
“Declaramos guerra contra funcionários fantasmas, abuso de bens públicos, concursos simulados, conluios em compras públicas… Este compromisso é para limpar o Estado de dentro para fora”.
O Presidente revelou que a identificação de registos suspeitos levou à interrupção imediata de salários: “Até hoje alguns ainda não apareceram porque não existem”. Sobre a sua determinação em aplicar a lei, Chapo foi peremptório: “Nenhum caso de corrupção será ignorado. Nenhum agente público ou parente de dirigente será protegido… A lei é a mesma — incluindo para mim que estou a ler. Custe o que custar”.
A metáfora que dominou as redes sociais foi a da reestruturação das empresas públicas, como a LAM: “Dissemos que iríamos abanar a árvore até que todas as folhas secas caíssem. É isso que estamos a fazer e vamos continuar a fazer”.
Diplomacia Económica e Gás: O “Petróleo que Nunca Esgota”
Apesar das “chantagens” nos megaprojectos, Chapo apresentou vitórias diplomáticas robustas após 27 deslocações internacionais. Destacou o levantamento da “força maior” pela TotalEnergies e a inauguração da primeira fábrica de processamento de gás natural liquefeito em Inhambane.
“Pela primeira vez nas cozinhas moçambicanas será utilizado o gás extraído na nossa terra… sem precisar de qualquer importação”.
O Presidente elevou ainda o turismo a um patamar estratégico, afirmando que este é o “nosso verdadeiro gás, verdadeiro petróleo que nunca vai esgotar”.
Análise dos Especialistas: “Estancar a Hemorragia”
A análise técnica reforça a tese de um ano de transição defensiva. Para o sociólogo Dr. Manuel M., o Presidente Chapo recebeu o país “numa turbulência muito grave de tal maneira que o país estava na linha de irrelevância”.
Ao concluir o painel de análise da TVM, o Dr. M utilizou uma analogia poderosa sobre o estado actual da governação:
“É como se o Chefe de Estado tivesse recebido um corpo com hemorragia e todo o exercício que ele fez foi estancar a hemorragia. Ainda não trabalhou para curar a fonte da hemorragia, mas pelo menos um primeiro resultado, que é estancar a hemorragia, [foi alcançado]”.
Veredicto Final: Confiança Renovada para 2026
Encerrando o seu informe diante dos 250 deputados, Daniel Francisco Chapo caracterizou o momento actual de Moçambique com a frase que agora dita o tom da política nacional:
“Não temos dúvidas em afirmar que o Estado da nação é de confiança renovada rumo a um desenvolvimento sustentável e inclusivo”.
Para 2026, o Governo projecta um crescimento do PIB de 2.8%, focado na “independência económica” e no apoio directo à juventude através do Fidel, cujo valor prometeu “duplicar no próximo ano”.
Analogia Final: O primeiro ano da governação de Chapo assemelha-se a um capitão que assume o leme de um navio no meio de uma tempestade perfeita, com o casco perfurado e a tripulação em pânico. O seu mérito imediato não foi levar o navio ao porto de destino, mas sim tapar os buracos críticos e manter a embarcação a flutuar para que a viagem possa, finalmente, continuar em 2026.
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