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EUA proíbem novos drones de fabrico chinês por riscos de segurança


De&nbspEuronews e AP

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A Comissão Federal das Comunicações dos Estados Unidos (FCC) disse na segunda-feira que vai proibir novos drones fabricados no estrangeiro, medida que manterá fora do mercado norte-americano drones de fabrico chinês, como os da DJI e da Autel.

O anúncio surge um ano após o Congresso aprovar uma lei de defesa que levantou preocupações de segurança nacional sobre drones de fabrico chinês, hoje dominantes nos EUA e amplamente usados na agricultura, cartografia, forças policiais e cinema.

A DJI, sediada em Shenzhen, é o maior fabricante mundial de drones, responsável por quase 80% dos drones comerciais vendidos nos EUA, segundo a Drone Industry Insights. A Autel é o concorrente mais próximo da DJI no segmento comercial, embora fique muito atrás do líder do setor em quota de mercado.

Uma revisão do governo dos EUA concluiu que todos os drones e componentes críticos produzidos no estrangeiro – não apenas pelos dois fabricantes chineses – representam “riscos inaceitáveis para a segurança nacional dos Estados Unidos e para a segurança das pessoas nos EUA”.

Mas a FCC afirmou que determinados drones ou componentes poderão ser isentos se o Pentágono ou o Departamento de Segurança Interna concluírem que não representam tais riscos.

A FCC apontou grandes eventos futuros, como o Mundial de 2026, as celebrações America250 e os Jogos Olímpicos de Verão de 2028 em Los Angeles, como razões para enfrentar potenciais ameaças com drones por parte de “criminosos, atores estrangeiros hostis e terroristas”.

Michael Robbins, presidente e diretor executivo da AUVSI, a Associação Internacional de Sistemas de Veículos Não Tripulados, afirmou em comunicado que o setor acolhe a decisão. Disse que chegou a altura de os EUA não só reduzirem a dependência da China, como também construírem os seus próprios drones.

“A história recente sublinha porque os Estados Unidos devem aumentar a produção doméstica de drones e proteger as cadeias de abastecimento”, disse Robbins, citando a predisposição de Pequim para restringir fornecimentos críticos, como ímanes de terras raras, para servir os seus interesses estratégicos.

A DJI disse estar desapontada com a decisão da FCC. “Embora a DJI não tenha sido visada, não foi divulgada qualquer informação sobre os dados utilizados pelo Executivo para chegar à sua conclusão”, lê-se num comunicado.

“As preocupações com a segurança dos dados da DJI não assentam em provas e refletem antes protecionismo, em contradição com os princípios de um mercado aberto”, acrescentou a empresa.

Profissionais nos EUA que dependem de drones estrangeiros para as suas operações empresariais manifestaram preocupação de que a nova política prejudique os seus resultados.

O texano Gene Robinson tem uma frota de nove drones da DJI que usa em formação policial e análises forenses. Disse que as novas restrições irão prejudicá-lo a ele e a muitos outros que passaram a depender dos drones chineses pela sua versatilidade, elevado desempenho e preços acessíveis.

Mas disse compreender a decisão e lamentou que os EUA tenham externalizado a produção para a China.

“Agora estamos a pagar o preço”, disse Robinson. “Para recuperarmos a independência, haverá dores de crescimento. Temos de aguentar e garantir que não volta a acontecer”.

Outro texano, Arthur Erickson, diretor executivo e cofundador da fabricante de drones Hylio, disse que a saída da DJI abrirá espaço muito necessário para que empresas americanas como a sua cresçam.

Novos investimentos estão a chegar para o ajudar a aumentar a produção de drones de pulverização, usados por agricultores para fertilizar os campos, e isso fará descer os preços, disse Erickson.

Mas considerou também “louco” e “inesperado” que a FCC alargasse o âmbito a todos os drones e componentes fabricados no estrangeiro.

“Tal como está escrito, é uma formulação abrangente”, disse Erickson. “Existe uma cadeia de abastecimento global aliada. Espero que esclareçam isso”.

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