A Estrada Nacional Número Um (EN1) esteve totalmente bloqueada desde as primeiras horas desta terça-feira, interrompendo a ligação entre a capital e várias províncias do país. O ambiente é de tensão elevada nas imediações do bairro de Bobole e do posto de controlo de Nhongonhane, onde forças policiais enfrentam a resistência activa dos moradores.
O bloqueio, que se estendeu por vários quilómetros, teve início após a morte de uma criança de nacionalidade malawiana, atingida durante uma perseguição policial. De acordo com testemunhas, a polícia abriu fogo contra um automobilista que desobedeceu à ordem de parar. A criança, que seguia na viatura, não resistiu aos ferimentos. A viatura em questão, que fazia o trajecto da África do Sul em direcção à zona centro do país, apresenta ainda vestígios de sangue e marcas de bala na traseira.
No terreno, agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), incluindo a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) e a Polícia de Protecção, lançaram gás lacrimogéneo e disparos de aviso para dispersar a população e remover os obstáculos colocados na estrada. Uma mini-van(Quantum) foi empurrada pelos moradores para o centro da via como barreira, dificultando as operações de desobstrução.
Com cordas e outros meios improvisados, as autoridades tentavam libertar a estrada, ao mesmo tempo que inspeccionam viaturas envolvidas no incidente. O condutor da viatura alvo da perseguição não foi localizado até ao momento.
Apesar da acção policial, os moradores mantiveram o bloqueio e recusavam-se a abandonar o local. Confrontos físicos foram registados e, segundo relatos no terreno, um agente da polícia terá sido agredido até à morte.
O bloqueio da EN1 provocou graves perturbações no tráfego, com centenas de viaturas imobilizadas, incluindo camiões de carga e transporte de passageiros. Mercadorias destinadas ao abastecimento de mercados ficaram retidas, gerando prejuízos económicos e transtornos significativos para automobilistas e comerciantes.
A principal via rodoviária do país permaneceu por um longo período matinal intransitável, agravando a frustração de utentes e alimentando a tensão entre as comunidades locais e as forças de segurança.
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