O setor de organização e produção de eventos em Moçambique enfrenta um clima de forte tensão, após denúncias públicas de alegada concentração sistemática de contratos públicos e privados nas mãos do Grupo Evolution Moçambique, empresa associada a capitais portugueses.
Empresários nacionais afirmam que a empresa tem sido beneficiada com adjudicações diretas e concursos considerados “viciados”, o que, segundo alegam, tem conduzido dezenas de operadores moçambicanos à asfixia financeira e iminente falência.
De acordo com fontes do setor, a Evolution estaria a beneficiar de alegado apadrinhamento de figuras influentes ligadas ao partido no poder, a FRELIMO, incluindo antigos membros do Governo e responsáveis em empresas públicas.
As denúncias apontam para:
Uma fonte empresarial sustenta que tais práticas criam um ambiente de concorrência desigual, agravando a situação de empresas que suportam custos fixos elevados — rendas, salários, manutenção de equipamentos e encargos bancários — sem acesso equitativo ao mercado.
As críticas incluem referência a um caso judicial envolvendo a empresa S&R – Santos & Reis Estruturas e Eventos, apontada como anterior designação do grupo. Segundo relato de um advogado ouvido pelos empresários, a empresa esteve ligada a um processo envolvendo o IPEX (Instituto para a Promoção das Exportações), que resultou na condenação da então diretora, Cecília Candrinho, por adjudicações diretas consideradas irregulares.
A dirigente foi condenada a pena de prisão convertida e ao pagamento de cerca de 60 milhões de meticais ao Estado.
Empresários afirmam que, após esse episódio, o grupo teria alterado a designação comercial para Grupo Evolution Moçambique.
O setor de eventos emprega diretamente dezenas de trabalhadores por empresa, além de técnicos sazonais — eletricistas, montadores, operadores de som e imagem, técnicos de frio, serviços de limpeza e catering.
Segundo representantes empresariais:
Há ainda denúncias de facilidades de crédito junto da banca comercial — nomeadamente Millennium BIM e Banco Comercial e de Investimentos — supostamente não acessíveis nas mesmas condições às empresas nacionais. Não há, contudo, confirmação pública dessas alegações.
Entre as instituições referidas como clientes recorrentes da Evolution constam:
Empresários afirmam que, no caso da FACIM, a Evolution tem assumido papel central na montagem de pavilhões, estruturas e produção técnica, levantando questionamentos sobre eventual concentração excessiva de contratos.
As denúncias culminam com apelos formais para intervenção do Gabinete Central de Combate à Corrupção, solicitando investigação sobre:
Até ao momento, não há posicionamento público da empresa visada nem das instituições mencionadas relativamente às acusações.
Para os empresários nacionais, a questão ultrapassa a disputa comercial. Argumentam que está em causa:
Reiteram não se opor ao investimento estrangeiro, mas defendem igualdade de oportunidades, concursos transparentes e fiscalização rigorosa.
O debate agora desloca-se para o campo institucional: caberá às autoridades competentes averiguar os factos e, se necessário, responsabilizar os envolvidos.
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