“Ó que o espera no futuro são a prisão e o perpétuo confinamento, o que poderá servir de consolo aos inúmeros corações que ele feriu”, disse na segunda-feira Erick Tsang Kwok-wai.
Na segunda-feira, a justiça da região chinesa considerou Jimmy Lai, de 78 anos, culpado dos crimes de “publicações sediciosas” e conluio com entidades estrangeiras, ao abrigo da lei de segurança nacional imposta por Pequim em 2020.
O Tribunal Superior de Hong Kong marcou para 12 de janeiro uma audiência, com a duração máxima de quatro dias, onde a defesa de Lai poderá apresentar eventuais atenuantes, antes de a sentença ser conhecida.
Os três crimes de que Lai foi considerado culpado podem acarretar a pena de prisão perpétua e Erick Tsang garantiu não ter dúvidas que os três juÃzes, incluindo a lusodescendente Susana D’Almada Remedios, irão aplicar a pena máxima.
“Este veredicto também repõe a justiça para o povo de Hong Kong, para a naçãoe para as inúmeras pessoas prejudicadas pela violência negra”, acrescentou o secretário.
‘Violência negra’ é uma expressão usada pelas autoridades do território em referência à cor do vestuário geralmente utilizado pelos manifestantes durante os protestos antigovernamentais e pró-democracia, por vezes violentos, de 2019.
A declaração de Erick Tsang surgiu numa mensagem publicada na conta na rede social Facebook do Gabinete para os Assuntos Constitucionais e do Continente. A mensagem em lÃngua chinesa não foi replicada nas páginas oficiais do Governo.
Já hoje, o executivo de Hong Kong classificou como calúnias as crÃticas vindas do estrangeiro à condenação de Jimmy Lai.
“As forças externas não demonstraram qualquer respeito pelo julgamento independente do tribunal da RAEHK [Região Administrativa Especial de Hong Kong]que foi proferido com base em factos e provas”, disse o Governo, num comunicado.
Na mesma nota, as autoridades garantiram que o tribunal “deixou claro, nas razões da sentença, que Lai Chee-ying não estava a ser julgado pelas suas opiniões ou crenças polÃticas”.
Na sentença, com 855 páginas, os três juÃzes consideraram que o magnata de nacionalidade britânica fez “convites constantes” aos Estados Unidos para ajudar a derrubar as autoridades chinesas.
Na segunda-feira, a ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Yvette Cooper, pediu a “libertação imediata” de Jimmy Lai, e condenou o que disse ser uma “acusação com motivações polÃticas”.
Também a diplomacia da União Europeia (UE) criticou a condenação de Lai, dizendo que “tem motivação polÃtica e é emblemática da erosão da democracia e das liberdades fundamentais em Hong Kong”.
Durante o julgamento, que começou em dezembro de 2023, Lai declarou-se inocente e afirmou nunca ter defendido o separatismo ou a resistência violenta. Também negou ter apelado a sanções ocidentais contra a China e Hong Kong.
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