A destacada figura do Estado moçambicano, Graça Machel, defendeu nesta sexta-feira uma reforma profunda nas instituições que gerem os processos eleitorais em Moçambique. Intervindo numa mesa redonda no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo, focado na reconciliação, a antiga Ministra da Educação e Primeira-Dama quebrou o silêncio sobre a crise que assolou o país, caracterizando as manifestações como uma resposta compreensível a um processo mal conduzido.
Segundo noticia o canal STV Notícias no seu canal do YouTube, Graça Machel considera que não se pode rotular todo o movimento de contestação como ilegal, distinguindo a intenção original dos actos criminosos que se seguiram.
Para Machel, o “estopim” da instabilidade foi a má condução do processo eleitoral, o que conferiu uma base de razão aos protestos.
“As manifestações quanto a mim na sua intenção inicial são legítimas. Não podemos continuar a dizer apenas que todo o processo das manifestações foi ilegítimo”.
Contudo, a activista social fez uma distinção clara entre os diferentes grupos que estiveram nas ruas. Por um lado, reconheceu a existência de infiltrados com intenções criminosas; por outro, defendeu os jovens que, movidos pela carência extrema, se juntaram ao movimento.
“Houve infiltração de elementos que cometeram crimes, que deliberadamente foram queimar fábricas… não foram os meus meninos que queimaram as fábricas. Os meus meninos foram atacar armazéns porque tinham fome e levaram comida para casa”.
Um dos pontos mais sensíveis da sua intervenção incidiu sobre a resposta das autoridades. Graça Machel classificou a reacção das forças de defesa e segurança como desproporcional e “ilegal”, apelando a um gesto de humanismo para com as famílias que perderam entes queridos.
“Houve uma resposta demasiado pesada da polícia. Aquelas famílias que perderam os seus entes queridos naquelas manifestações têm que ouvir um gesto de respeito pelas vidas daqueles que morreram ali… a polícia devia ter contido as manifestações sem sacrificar as vidas”.
A antiga governante reforçou que “não era necessário sacrificar vidas humanas” e que o país precisa de aceitar que estes erros ocorreram para que a reconciliação seja efectiva.
Olhando para o futuro, Graça Machel foi categórica ao afirmar que Moçambique não deve realizar novos sufrágios sem que as entidades responsáveis recuperem a confiança dos cidadãos. Segundo a fonte, a integridade e a imparcialidade são condições sine qua non para a paz social.
“Enquanto não houver instituições eleitorais com credibilidade, com imparcialidade, com competência e com integridade… então não vale a pena ter eleições“.
Para a activista, o país deve identificar os pontos essenciais que “baralharam todo o processo eleitoral” para evitar que resultados inaceitáveis voltem a gerar violência.
A fechar a sua reflexão, Graça Machel instou os moçambicanos a aprenderem a resolver os seus problemas através do diálogo franco, da assunção de responsabilidades e do perdão mútuo. Sublinhou que nenhum desentendimento político deve servir de pretexto para o sacrifício de vidas humanas e que os debates presentes são fundamentais para alcançar a unidade nacional.
“Temos de aprender a resolver os nossos problemas exactamente através deste tipo de coisa que nós estamos a fazer: falar uns com os outros, entenderem-se, apontar os erros uns dos outros e aceitar os erros”.
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