A crise interna na RENAMO atingiu um novo patamar de gravidade, com grupos de militantes descontentes a protagonizarem invasões e ocupações de sedes distritais e provinciais. O movimento exige a exoneração ou renúncia de Ossufo Momade, acusado de falhar na liderança e de conduzir o partido a um estado de ruptura interna. A situação agravou-se quando, na quinta-feira, militantes ocuparam a sede da RENAMO na Matola, reclamando a substituição imediata do líder.
O membro do Conselho Nacional, Alfredo Magumisse, reconheceu que o partido “não está bem nos últimos tempos” e confirmou que os episódios de invasão têm sido reportados pela comunicação social e amplamente divulgados nas redes sociais. Segundo Magumisse, estas manifestações representam um desacordo profundo com a actual gestão e revelam a deterioração do funcionamento interno da organização.
O dirigente observa que o movimento contestatário tem recorrido a acções simbólicas, como o encerramento de sedes e a queima de camisetas com a imagem de Ossufo Momade, reforçando o clima de rejeição nas bases. Magumisse lembra ainda que o ataque das forças de defesa e segurança contra militantes na sede nacional, considerado violento e injustificado, acabou por gerar maior simpatia pública pelos contestatários.
Segundo Magumisse, a resposta do partido e do seu presidente tem sido “severa” e “excessivamente dura”, contrastando com a natureza inicial dos protestos, que não apresentavam risco de destruição material nem ameaça grave. Para o dirigente, faltou diálogo interno e sobrou repressão, contribuindo para o distanciamento cada vez maior entre a liderança e as estruturas de base.
A instabilidade já se estende a outras regiões. A invasão da delegação provincial de Maputo Província juntou-se às de Inhambane, Manica e Tete, significando que quatro províncias deixaram de manter ligação funcional com o comando de Ossufo Momade. Magumisse questiona, perante este cenário, se “a liderança ainda existe para além do plano jurídico”, dado que o controlo político directo deixou de existir em parte significativa do território.
O dirigente alerta que o partido se encontra num processo de “degeneração lenta”, que não interessa a nenhum membro que realmente defenda a RENAMO. Magumisse estima que a organização dispõe de menos de três meses para convocar um congresso e tentar estancar a crise, sob risco de perda total de coerência política e organizacional.
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