Já se perguntou como navegamos pelo labirinto da parentalidade moderna, especialmente quando se trata das telas e da complexa vida interior dos nossos filhos? Se sim, você não está sozinho. A Dr.ᵃ Jacqueline Nesi, psicóloga e professora da Brown University, autora da newsletter Technosapiens, tem se dedicado a cortar o ruído e a nos oferecer informações baseadas na ciência — mas que ressoam com a vida real. Hoje, vamos mergulhar nas suas perspectivas sobre o que realmente importa na criação de filhos na era digital.
O debate sobre telas e saúde mental adolescente costuma ser binário, mas Nesi lembra: “a verdade está em algum lugar no meio”. Ela afirma que há uma boa probabilidade (estima cerca de 75%) de que as redes sociais contribuam para a crise de saúde mental dos adolescentes. No entanto, enfatiza que essas crises são fenómenos complexos e multifactoriais. Se nos fixarmos apenas na mídia social como a causa, corremos o risco de negligenciar outros factores cruciais para apoiar o bem-estar mental juvenil.
Quanto aos jogos violentos, a pesquisa também é matizada. Há indícios de que eles podem aumentar o risco de comportamentos agressivos — mas não necessariamente de violência ou criminalidade duradoura. Esses riscos são considerados pequenos, e variáveis como ambiente familiar e personalidade da criança provavelmente têm peso maior. Nesi também lembra que, para muitos adolescentes, os videogames oferecem oportunidades valiosas de conexão com os amigos.
E sobre a temida dopamina? Nesi combate o mito de que ela atinge níveis perigosos com o uso de telas, provocando vício e outros efeitos negativos. Ela explica que a dopamina é fundamental para o funcionamento humano, participando não apenas do prazer, mas também da motivação. Embora esteja envolvida no uso de telas, isso não significa que elas sejam perigosas. Para a maioria das crianças que usam tecnologia com moderação, a dopamina não é motivo de preocupação.
Se fosse possível resumir décadas de pesquisas em uma só conclusão, Nesi escolheria o modelo de parentalidade autoritária (no sentido técnico do termo, não autoritarismo), que combina altos níveis de afecto com estrutura sólida.
A disciplina, nesse modelo, é vista como um sistema para ensinar comportamentos adequados, com base em afecto, estrutura e consequências apropriadas. Nesi recorre ao condicionamento operante para explicar como os comportamentos são fortalecidos ou desencorajados. Elogiar comportamentos desejáveis, por exemplo, é um reforço positivo; ignorar comportamentos indesejados pode fazer com que desapareçam.
Frequentemente retractada como um desastre inevitável, a adolescência — dos 10 aos 20 anos — é, na verdade, um período especial de crescimento e aprendizado. Nesi destaca seis áreas fundamentais que os adolescentes precisam cultivar:
Para Nesi, a parentalidade baseada em evidências é como um banco de três pernas:
Ou seja, embora a pesquisa ofereça directrizes sólidas, cada família precisa adaptar essas directrizes com sensibilidade e confiança. Não se trata de perfeição, mas de afecto e estrutura — validar os sentimentos dos filhos enquanto mantemos limites claros, como um piloto que acolhe os medos dos passageiros durante a turbulência, mas não solta o manche.
A parentalidade é uma jornada exigente, mas com ciência e coração, estamos mais bem preparados para guiar nossos filhos em direcção ao crescimento e à autonomia.
As autoridades federais dos Estados Unidos acusaram um jovem de 18 anos de conspirar para…
A unidade de violência doméstica, protecção à criança e crimes sexuais de Lephalale, em Limpopo,…
A situação do lixo no bairro Luís Cabral, na cidade de Maputo, ultrapassou todos os…
A polícia nigeriana acusou o motorista de Anthony Joshua de condução perigosa após um acidente…
Os protestos contra o aumento do custo de vida no Irão entraram no seu sexto…
Fluxo intenso marca travessias na Fronteira de Machipanda A fronteira de Machipanda, na província de…