O Ministro da Agricultura e Florestas de Angola, Engenheiro Isaac dos Anjos, mostrou-se “muito optimista” quanto ao futuro do sector. No entanto, reconheceu grandes desafios, como a dificuldade no acesso ao crédito e a força do lobby da importação.
Durante a Grande Entrevista da TPA Notícias, o governante sublinhou que a pasta que dirige é crucial, já que o país precisa urgentemente de garantir a sua segurança alimentar.
Isaac dos Anjos reconheceu que o poder da importação é um dos maiores entraves à produção nacional.
“A força da importação supera, muitas vezes, a vontade política. É preciso resiliência e persistência para tornar possível a mudança”, disse.
Além disso, o ministro destacou a entrada de empresários de sectores como comércio e construção civil na agricultura. Contudo, criticou a mentalidade de “ganho imediato”, lembrando que a agricultura exige paciência e visão de longo prazo.
Exemplos como a palmeira de dendém, que só produz após oito anos, e a mangueira, que demora cinco anos, reforçam essa visão.
O acesso ao financiamento foi outro tema central. O ministro lamentou que, apesar do ruído em torno da capitalização do sector, os recursos efectivamente disponíveis sejam “muito débeis”.
Segundo ele, o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) não concede um financiamento estruturado à agricultura há mais de sete anos.
“Temos que levar os produtores a ganhar dinheiro, mas também a entender que os insumos se pagam: fertilizantes, tractores, equipamentos. Nada é gratuito”, enfatizou.
Para mudar o quadro, Isaac dos Anjos aposta na modernização agrícola, deixando para trás a ideia de que a agricultura camponesa é “desprezível”. O objectivo é transformá-la em agricultura comercial, capaz de gerar renda para as famílias.
Ele defendeu ainda a recuperação das instituições de investigação agronómica e veterinária, fundamentais para sustentar o desenvolvimento.
“Sou muito optimista. Temos que reforçar o espaço ao conhecimento”, afirmou.
Outro pilar da estratégia é a juventude. O ministro anunciou planos para criar novos empresários agrícolas em todas as províncias. A proposta prevê 400 jovens por província, com áreas entre 25 e 100 hectares.
Estes novos produtores terão acesso à tecnologia moderna, incluindo tablets e drones, para impulsionar a produtividade.
Já para a agricultura familiar, incapaz de suportar equipamentos caros, como pivôs de irrigação avaliados em 150 mil dólares, o Estado terá de intervir directamente. A prioridade será fornecer mini tractores, motocultivadores e colhedoras mecânicas.
O ministro concluiu a entrevista defendendo que a agricultura representa uma “oportunidade ímpar” para criar uma nova realidade socioeconómica em Angola.
Ele insistiu que os recursos atualmente canalizados para importações devem ser redirecionados para fortalecer a produção interna.
“O país tem que florescer. Só assim garantiremos desenvolvimento sustentável e segurança alimentar”, concluiu.
Publicado em 3 de janeiro de 20263 de janeiro de 2026Clique aqui para compartilhar nas…
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