O Conselho de Ministros (CM) de Moçambique, reunido na sua 33ª sessão a 30 de Setembro de 2025, anunciou medidas de forte impacto ambiental, económico e de segurança. Entre as decisões, suspendeu todas as actividades mineiras na província de Manica e desactivou cerca de 18.800 funcionários ou supostos funcionários no sistema de prova de vida. Além disso, aprovou propostas de lei que visam regulamentar a segurança e o crime cibernético no país.
O CM considerou urgente travar a crise ambiental gerada pela mineração ilegal e insustentável. Por isso, criou uma comissão interministerial, sob liderança do Ministro da Defesa Nacional, com a missão de reorganizar o sector, reduzir a degradação e reforçar a fiscalização.
Segundo o Porta-voz, a poluição hídrica na região ultrapassa em dez vezes o nível aceitável. “O levantamento feito pela equipa, dirigida por Sua Excelência, o Ministro da Defesa, mostra que a água não serve para consumo humano, abeberamento do gado, irrigação ou actividades domésticas”, declarou.
Entretanto, o Governo não estabeleceu um prazo fixo para retomar a exploração mineira. A suspensão só terminará quando existirem condições mínimas para uma exploração sustentável e em harmonia com as comunidades locais. Assim, a comissão deverá ainda elaborar um plano de recuperação ambiental que contará com a participação directa dos infractores.
Outro ponto central da sessão foi a protecção digital. O Conselho aprovou duas propostas de lei: uma para estabelecer o regime jurídico da segurança cibernética e outra para regular o crime cibernético. Ambas seguirão para a Assembleia da República. Essas leis procuram reforçar a protecção dos sistemas de informação e infraestruturas críticas. Além disso, contêm disposições penais e processuais específicas para punir crimes digitais.
O Governo também identificou falhas graves na Função Pública. A nova prova de vida biométrica, realizada via telemóvel, substituiu a verificação não presencial confirmada por gestores. Desta forma, foi possível detectar milhares de irregularidades.
Segundo o Porta-voz, cerca de 18.800 funcionários foram desactivados por não realizarem a prova de vida. “Qualquer gestor preocupa-se com o seu funcionário. Fizemos uma amostra considerável e, infelizmente, nenhum dos 18 mil apareceu a reclamar salários. Isso é um indício grave de problemas sistémicos”, afirmou.
Além disso, o levantamento identificou pagamentos a colegas falecidos ou aposentados. Contudo, o Governo manteve restrições de contratação devido às medidas de contenção de despesas. “Descobrir 18 mil salários pagos irregularmente não significa abrir todas essas vagas. No pior cenário, apenas um terço poderá ser disponibilizado ao Estado”, esclareceu.
Além destas medidas, o Conselho de Ministros aprovou outras decisões estratégicas:
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