Nos transportes semi-colectivos, a relação entre cobrador e motorista é mais complexa do que parece. Muitos passageiros já perceberam: dentro do chapa, quem realmente dita as regras não é o homem ao volante, mas sim o cobrador.
A segurança dos passageiros depende da forma como ambos desempenham o seu papel. No entanto, o comportamento arriscado de muitos motoristas tem origem, muitas vezes, nas ordens do cobrador. É ele quem decide onde e quando parar, quando arrancar e até como manobrar o veículo.
Quando o cobrador quer que o motorista imobilize o carro em plena estrada, o motorista obedece. O mesmo acontece nas mudanças de faixa — é o cobrador quem observa o trânsito, dá sinal e autoriza a manobra. E o motorista, confiando cegamente no seu colega, executa as ordens sem hesitar.
Essa dinâmica perigosa transforma o cobrador num verdadeiro “comandante” do chapa, enquanto o motorista se torna um mero executor. O problema é que, nessa troca de papéis, quem sai a perder são os passageiros, que viajam todos os dias sob o risco de decisões precipitadas e falta de coordenação.
Repensar essa relação é urgente. O transporte público deve ser sinónimo de segurança, não de improviso. A autoridade dentro do chapa precisa de ser equilibrada, com respeito mútuo e consciência de que cada manobra errada pode custar vidas.
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