China Intensifica Renovação Urbana com Foco nas Pessoas e Melhoria das Condições de Vida

A China tem avançado de forma contínua com projectos de renovação urbana de alta qualidade, orientados pelo princípio de desenvolvimento centrado nas pessoas. O objectivo tem sido melhorar a qualidade de vida e o nível de satisfação dos residentes, e os resultados começam a ser visíveis.

Responsáveis e especialistas participaram recentemente no programa China Economic Roundtable, uma mesa-redonda multimédia da Agência Xinhua, onde discutiram como o país tem melhorado as condições habitacionais através da construção de casas de renda acessível e da reabilitação de bairros degradados, comunidades antigas, aldeias urbanas e habitações precárias.

Transformação em Xangai

Segundo Wang Congchun, vice-reitor da Universidade de Xangai, muitos edifícios históricos do tipo shikumen e lilong, construídos antes de 1949, apresentam graves carências sanitárias, chegando ao ponto de certos becos dependerem de uma única latrina pública.

Wang, que também dirige o Instituto de Regeneração Urbana e Sustentabilidade de Xangai, recordou que algumas casas chegaram a abrigar populações muito superiores à sua capacidade durante determinados períodos históricos, com várias gerações a viver sob o mesmo tecto. “No início da década de 1990, o espaço habitacional per capita em Xangai era de apenas 6,6 metros quadrados”, afirmou. “Até ao final de 2024, a área residencial per capita na cidade atingiu 37,57 metros quadrados.”

Xangai tornou-se uma referência na renovação urbana, acumulando experiências replicáveis noutras cidades chinesas.

Pan Wei, responsável do Ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano-Rural, explicou no debate que a cidade realiza previamente um levantamento casa a casa e elabora planos adaptados a cada família, respeitando a vontade dos moradores. “O apoio financeiro dos governos central e local foi reforçado, e após a renovação são feitas inspecções regulares para garantir que os residentes não fiquem com receios”, disse.

Política Habitacional Ampla

Xangai é apenas um exemplo do esforço nacional. Desde o 18.º Congresso do Partido Comunista da China, em 2012, o país construiu mais de 68 milhões de habitações acessíveis e de reassentamento, permitindo que 170 milhões de pessoas com dificuldades habitacionais alcançassem estabilidade.

“Foram também renovadas mais de 300 mil comunidades residenciais antigas, beneficiando 130 milhões de residentes urbanos”, acrescentou Pan.

A China criou ainda um sistema de segurança habitacional com vários níveis, incluindo habitação pública de renda, arrendamento acessível e casas subsidiadas por distribuição directa. Estes mecanismos atendem grupos como famílias de baixo rendimento, novos residentes urbanos e jovens.

Pan sublinhou que o país está a acelerar a construção de habitação acessível e, ao mesmo tempo, a avançar com projectos de renovação de bairros degradados, comunidades antigas, aldeias urbanas e edifícios em risco, com vista à melhoria das condições de vida.

Progresso Contínuo

Gao Shiyun, responsável da Comissão Municipal de Habitação de Xangai, afirmou que, mesmo após concluir em 2022 a renovação de vastas zonas antigas do centro da cidade, o trabalho não parou.

Desde 2023, foram renovados 380 mil metros quadrados de habitações antigas dispersas, beneficiando 13 mil lares. Gao adiantou que Xangai instalou 9.176 elevadores em edifícios residenciais antigos e modernizou mais de 40 milhões de metros quadrados de comunidades degradadas, reforçando o sentimento de segurança e satisfação dos moradores.

Como testemunho do impacto directo, Gu Jiayi, residente nascida após 1985, contou que viveu em casa shikumen sem instalações sanitárias independentes. “Antes do amanhecer, os adultos de cada casa levavam as tigelas de excrementos até à fossa na entrada do beco e depois lavavam-nas ao lado”, recordou durante a mesa-redonda.

A renovação começou quando Gu entrou na universidade. “Muitos vizinhos mudaram-se para casas novas com cozinha e casa de banho próprias. Diziam que finalmente as suas vidas tinham melhorado”, afirmou.

Orientações Nacionais

Em Julho, a Conferência Central sobre Trabalho Urbano reiterou que a renovação urbana deve ser um instrumento-chave para reorganizar as cidades, modernizar o crescimento, melhorar a qualidade urbana, promover o desenvolvimento verde, preservar o património cultural e fortalecer a governação.

O encontro destacou a meta de construir cidades modernas centradas nas pessoas, inovadoras, habitáveis, resilientes, culturalmente vivas, eficientes e inteligentes, reforçando a necessidade de promover um desenvolvimento urbano de alta qualidade.

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