Carne de Cão em Moçambique? Suspeitas em Maputo e Nampula

A população moçambicana enfrenta um novo alerta alimentar: moradores relatam que vendedores de rua podem estar a introduzir carne de cão em espetadas nocturnas, muitas vezes misturada com carne de porco. Esta prática levanta sérias dúvidas sobre segurança alimentar e sobre a fiscalização dos alimentos consumidos em Maputo e Nampula.

Desaparecimento de cães nos bairros

Moradores de vários bairros denunciam que cães vadios estão a desaparecer de forma repentina. Alguns afirmam que “já não há cão nos bairros”, e outros reforçam que a situação se agravou ao ponto de qualquer menção a um “cão morto” gerar receio. Para muitos, esse desaparecimento pode estar directamente ligado ao comércio ilegal de carne.

Vendas nocturnas sob suspeita

As investigações jornalísticas apontam que a carne suspeita circula sobretudo em pontos de venda nocturna. Em Maputo, destacam-se o Terminal do Magoanine, a Praça da Juventude, o Terminal de Matantendene, o Terminal Patrício Lumumba, o Terminal do T3, o Terminal da Mozal e a zona da Casa Branca.

Entretanto, a denúncia não se limita à capital. Em Nampula, clientes já identificaram dois pontos críticos: Muaivire, perto da Televisão de Moçambique, e Mutawanha, local famoso pela venda de carne de porco. Nessas zonas, as espetadas continuam a ser vendidas a preços acessíveis, por exemplo, 15 meticais cada, o que explica a grande procura.

A fraude da “chibutchana”

Além do risco da carne de cão, cresce a indignação com a fraude da chamada chibutchana. Tradicionalmente, este termo identifica o porco nacional, mas comerciantes estariam a enganar os clientes. Segundo fontes locais, alguns vendedores compram carne de porco importada, trituram-na e misturam-na com carne de origem duvidosa — que muitos acreditam ser carne de cão.

Consequentemente, o consumidor pensa que come chibutchana, mas na verdade consome um produto adulterado. “Essa carne não tem nada a ver com chibutchana. É mistura de cão com outras coisas”, criticou um cliente habitual, que recomenda maior prudência aos compradores.

Segurança alimentar em risco

Esse cenário expõe fragilidades graves na fiscalização do sector alimentar informal. Além disso, compromete a confiança dos consumidores e coloca em causa a saúde pública. Por isso, especialistas defendem investigações rápidas, testes laboratoriais e medidas punitivas contra vendedores que enganem os cidadãos.

Embora ainda não existam relatórios oficiais com provas científicas, a repetição das denúncias em diferentes províncias reforça a gravidade do caso. A sociedade civil exige agora uma resposta firme das autoridades para proteger os consumidores e restaurar a confiança no mercado de alimentos de rua.

horacertanews

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