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Fraca actuação da polícia expõe mulheres à violência doméstica em Moçambique – O País – A verdade como notícia


Várias mulheres continuam a ser vítimas de agressão física, emocional e financeira. A socióloga Karen Fumo alerta que grande parte desse cenário crítico decorre da fraca actuação da polícia, que ainda trata a violência doméstica como assunto privado, deixando as vítimas desamparadas e perpetuando o ciclo de abuso.

Durante uma entrevista ao “O Paísâ€, a socióloga Karen Fumo destacou que, muitas vezes, quando mulheres recorrem à polícia para denunciar agressões, são desencorajadas de formalizar a queixa ou instruídas a resolver os conflitos em família. “Quando uma vítima apresenta uma queixa, muitas vezes a polícia pergunta se ela realmente deseja que o agressor seja preso, como se fosse um problema privado. Isso mostra que a sociedade ainda não entende que a violência doméstica é crime público e que todos temos um papel na prevençãoâ€, explicou.

Um exemplo recente ocorreu na província de Gaza, onde uma mulher vítima de dois anos de conflitos conjugais tentou alertar vizinhos, pedindo ajuda imediata, mas não obteve qualquer socorro. “Este caso demonstra que a violência doméstica é, muitas vezes, normalizada pela sociedade e que ainda persiste um sentimento de posse do homem sobre a mulher, que o leva a acreditar que pode agir impunementeâ€, acrescentou a socióloga.

Fumo alerta que a violência doméstica raramente ocorre de forma súbita. “O agressor mata emocionalmente, financeiramente e psicologicamente, até que a violência física culmina em tragédia. Se a vizinhança perceber sinais precoces e accionar as autoridades, muitos casos poderiam ser evitadosâ€, disse.

Segundo a especialista, a raiz deste problema está na forma como homens e mulheres são educados na sociedade moçambicana. “Desde cedo, os meninos são educados para assumir determinados papéis sociais e de autoridade, enquanto as meninas são condicionadas a aceitar subordinação. Essa socialização desigual alimenta comportamentos abusivos e fortalece a ideia de que a mulher é propriedade do homemâ€, explicou.

A violência baseada no género não é um fenómeno exclusivo de Moçambique. Dados internacionais e relatos de redes sociais mostram que casos similares ocorrem em países como o Brasil, evidenciando que a desigualdade de género e o feminicídio são problemas globais. Apesar disso, a socióloga ressalta que movimentos feministas têm desempenhado papel crucial na denúncia e visibilização desses casos, sendo instrumentos fundamentais na luta por igualdade de direitos e protecção das mulheres.

De acordo com relatórios recentes de organizações nacionais, mais de 300 mulheres são vítimas de feminicídio por ano em Moçambique, muitas delas em contexto de violência doméstica. Estes números reflectem, não apenas a gravidade do problema, mas também a necessidade urgente de uma actuação efectiva das autoridades policiais e judiciais.

A legislação moçambicana prevê instrumentos específicos para combater a violência baseada no género. A Lei n.º 29/2009, sobre prevenção e combate à violência doméstica, estabelece que qualquer acto de violência contra a mulher é crime público, podendo qualquer pessoa denunciar situações de abuso, mesmo sem que a vítima apresente queixa formal. No entanto, a aplicação da lei ainda enfrenta desafios, como a resistência cultural e o desconhecimento por parte de algumas autoridades locais.

Karen Fumo sublinha que é fundamental que a sociedade compreenda que a violência doméstica não é um problema privado, mas um reflexo da forma como homens e mulheres são socializados e da tolerância social à agressão. “Se a vizinhança não intervier e as autoridades não cumprirem o seu papel, as mulheres continuarão a ser vítimas de violência, e casos de feminicídio seguirão crescendoâ€, alertou.

A socióloga também deixou recomendações directas às mulheres: “Observem sinais de relacionamentos abusivos, como controlo excessivo, agressividade, ciúmes patológicos ou restrição da liberdade. Ao menor sinal de perigo, denunciem ou saiam do relacionamento. Não fiquem caladas. Denunciar é um acto de protecção e não de vergonhaâ€.

Para a sociedade, em geral, Fumo enfatiza que todos têm responsabilidade na prevenção da violência: filhos, irmãos, pais e vizinhos devem estar atentos aos sinais de abuso e agir em conjunto para proteger as vítimas. “Quando uma mulher é violentada, toda a sociedade falha. Precisamos de reflectir sobre nosso papel para garantir que as mulheres vivam com dignidade e segurançaâ€, concluiu.

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Histórico da Política de Moçambique

A trajectória política de Moçambique desde a sua independência em 1975 é marcada por uma série de eventos que moldaram o país e seu sistema político actual. A luta pela independência, que culminou em 25 de Junho de 1975, foi liderada pelo Movimento Popular de Libertação de Moçambique (FRELIMO), que se tornou o partido governante. A nova nação enfrentou desafios significativos, incluindo a necessidade de reconstruir um país devastado pela guerra colonial e de estabelecer instituições políticas viáveis.

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A DRAMÁTICA SOBREVIVÊNCIA DE MAGOANINE: O LAGO DA DESGRAÇA QUE PARIU UM CARIL DE ÁGUA DOCE

Em Magoanine “C”, cidade de Maputo, o tempo não se mede em anos, mas em metros de água. O que antes foi um bairro inteiro transformou-se, ao longo de mais de uma década, numa imensa lagoa que engoliu mais de 500 casas e levou consigo a história e a dignidade das famílias que ali viviam. O cenário é de ruínas submersas, onde as antigas ruas se confundem hoje com um vasto espelho de água parada.

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ACAM e Rádio Voz Coop fazem balanço anual do projecto de melhoria da aprendizagem nas escolas primárias de Maputo

Nos dias 11 e 12 de Dezembro de 2025, a Associação Amigos da Mafalala (ACAM) e a Rádio Voz Coop realizaram um encontro de coordenação para avaliar o desempenho do projecto “Melhorando os Resultados de Aprendizagem nas Escolas Primárias da Cidade de Maputo”, uma iniciativa do Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC).

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Zona Sul e Norte frescas, Tete aquece neste antepenúltimo Domingo de 2025

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê que o antepenúltimo Domingo do ano 2025 será marcado por temperaturas elevadas na província de Tete, contrastando com um clima mais fresco nas regiões Norte e Sul do país. Além disso, são esperadas chuvas e trovoadas dispersas em várias províncias, sobretudo no Centro.

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SERNIC mantém Sigilo sobre Rusgas no Tesouro e AT: Director Ilídio Miguel afirma ser “Prematuro” falar de detenções

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) adoptou uma postura de máxima reserva em relação às recentes rusgas desencadeadas na Autoridade Tributária (AT) e no Tesouro, com o intuito de apurar suspeitas de escândalos financeiros. O Director Nacional do SERNIC, Ilídio Miguel, que também se manifestou na Procuradoria-Geral da República, classificou como “prematuro falar sobre o teor da rusga desencadeada no Tesouro e na Autoridade Tributária”, adiantando que a investigação ainda se encontra na fase preliminar.

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Fraude académica nos exames da 9.ª classe causa prejuízo de 40 milhões de meticais ao Estado moçambicano

Ministra Samaria Tovela revela que fraude teve epicentro na Zambézia e anuncia medidas para reforçar segurança dos exames

A Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, revelou que o Estado perdeu cerca de 40 milhões de meticais devido a fraude nos exames da 9.ª classe, especialmente na província da Zambézia. O principal responsável já foi identificado e responde criminalmente. O Ministério planeia reforçar a segurança dos exames para evitar novos casos.

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Portugal anuncia linha de crédito de 500 milhões de euros para investimento em Moçambique após visita do Presidente Daniel Chapo

Durante cerimónia no Porto, foi revelado o reforço da cooperação bilateral com mais de 20 acordos assinados e apoio financeiro para empresários moçambicanos e portugueses.

A visita do Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, a Portugal resultou no anúncio de uma linha de crédito de 500 milhões de euros para apoiar investimentos no país. A medida reforça os laços entre as duas nações, que celebram 50 anos de cooperação bilateral. O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, destacou a confiança na economia moçambicana, enquanto o Presidente Chapo valorizou o apoio português no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.

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Ministro da Defesa acusa “sindicato externo” pelo terrorismo em Cabo Delgado

Chume revela que grupos internacionais financiam ataques e reforça cooperação regional

O Ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Artur Chume, afirmou que o terrorismo em Cabo Delgado resulta de uma “agressão externa” liderada por um “sindicato de terrorismo internacional”. Além disso, explicou que esses grupos recebem financiamento de agentes estrangeiros, o que torna o combate mais difícil. Por isso, a cooperação com forças estrangeiras, como as tropas de Ruanda, é essencial. A missão da SADC (SAMIM) terminará em Junho de 2024, conforme o mandato acordado.

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