Rafael Nel tem o futuro nas mãos e não depende do que fizer com os pés nesta pré-temporada do Sporting. Expliquemos: o jovem atacante de 21 anos, que já terminou a temporada passada integrado ao time A, tem lugar no grupo de Rui Borges mas sabe que será a terceira opção no ataque. Por isso, ele tem a oportunidade de ficar e brigar com os dois da frente ou então escolher que os verdes e brancos o emprestem um ano para o time competitivo crescer e voltar com andamento.
Luis Suárez e Fotis Ioannidis são os dois atacantes do elenco leonino. O colombiano é o número 1, atualmente no Mundial e após temporada de estreia pelos leões em que terminou com 38 gols, Bola de Prata de artilheiro da Liga com 28.
O grego é o número 2, após uma primeira temporada de leão ao peito condicionada por uma lesão ligamentar no joelho direito que o afastou dos gramados por muito tempo: desde 6 de janeiro teve apenas uma aparição no 3 a 0 sobre o Moreirense, em 21 de fevereiro, apenas 13′ em campo e recaída que o tirou das opções do treinador até o fim da temporada.
Mas Ioannidis já está a 100 por cento e Suárez chegará motivado do Mundial para assumir a liderança no ataque. Nessa altura, Rafael Nel passará a terceira opção, quando é agora a segunda, a mesma em que terminou 2025/2026 por conta da lesão do grego.
Em uma temporada tão longa e com tanta competição, entre ela a Champions, o jovem Nel terá suas oportunidades. Mas tem consciência de que serão menores. Por isso os leões não colocarão freio em uma cessão, sempre para cenário competitivo alto e para ser acompanhado de perto, como em um time de Liga. A escolha de futuro está nas mãos de Nel, que sempre fará a pré-temporada até porque Suárez segue no Mundial e ainda terá direito a dias de férias antes de se apresentar em Alvalade.
Percurso e renovação
Seja qual for a escolha do jovem atacante, o Sporting tem nele certeza de futuro. Antes de chegar ao leão, Rafael Nel ficou oito temporadas no Benfica. O jovem nascido na Amadora, que fez do eixo da defesa sua casa por quase uma década, teve um primeiro ponto de virada aos 13 anos: insatisfeito com a falta de valorização e se sentindo limitado na retaguarda, assumiu o risco de pedir uma mudança de vida, devido ao forte desejo de pisar em terrenos mais avançados e jogar perto do gol, o que acabou ditando sua saída precoce, em pleno escalão de iniciados.
Dispensado pelo Benfica, Nel não se deixou abater e encontrou no Belenenses o palco para dar a volta por cima: em apenas duas temporadas no Restelo (sub-14 e sub-15), explodiu com gols. Ali morria o zagueiro e nascia um artilheiro. O impacto foi tanto que, em 2020, com FC Porto, SC Braga e um Benfica arrependido batendo à sua porta, o jovem atacante acabou escolhendo a Academia de Alcochete para seguir a carreira.
Ele agora tem contrato válido com os leões até 2029 e cláusula de rescisão de 60 milhões de euros. Uma renovação de contrato futura será cenário natural, não apenas para segurar a pérola por mais anos mas também para o blindar com cláusula de rescisão mais elevada, sabendo-se que em Alvalade a tabela para médios e avançados está nos 80 milhões, exceção neste plantel feita a Ioannidis, cuja cláusula é de €100 M, patamar onde estiveram apenas Bruno Fernandes, Gyokeres e Geovany Quenda.